Política

ELEIÇÕES 2016

Sobre as eleições municipais em João Pessoa (PB)

As eleições na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, com população estimada próxima dos oitocentos mil habitantes teve registrada no fórum eleitoral no ultimo mês de agosto quatro candidaturas a disputa do poder Executivo: Luciano Cartaxo Partido Social Democrático (PSD), Cida Ramos Partido Socialista Brasileiro (PSB), Charliton Machado Partido dos Trabalhadores (PT) e Victor Hugo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

segunda-feira 26 de setembro| Edição do dia

No próximo domingo (2/10/2016) o país vai às urnas para escolher prefeitos e vereadores através do voto direto, conquista esta que se encontra atualmente sob a desconfiança de sua legitimidade e validade devido aos atuais eventos que a colocaram nesse patamar como o golpe institucional.

As eleições na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, com população estimada próxima dos oitocentos mil habitantes teve registrada no fórum eleitoral no ultimo mês de agosto quatro candidaturas a disputa do poder Executivo: Luciano Cartaxo Partido Social Democrático (PSD), Cida Ramos Partido Socialista Brasileiro (PSB), Charliton Machado Partido dos Trabalhadores (PT) e Victor Hugo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Cartaxo, que disputa a reeleição, tem um longo histórico de mandatos políticos, iniciados como vereador em 1997 mantidos continuadamente. Cartaxo, desde o início de sua vida pública pertenceu ao Partido dos Trabalhadores (PT), somente em 2015, no marco da crise política nacional, sai do partido e ingressando no PSD buscando desvincular sua imagem do PT e do desgaste que marca recentemente o mencionado Partido. A coligação que sustenta a reeleição de Cartaxo, Força da União, é bastante numerosa, inclui o PMDB onde se encontra o candidato a Vice-Prefeito Manoel Júnior, destaque no cenário político atual como um dos parlamentares que fez a defesa de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados, o PSDB de Cássio Cunha Lima, PC do B, PTB, PTN, PRB, PMN, PP, PHS, PSC, SD, PSDC.

Uma coligação grande e “eclética”, que corrobora com a crise de representatividade dos partidos eleitorais. Cartaxo desponta como principal postulante ao cargo máximo do poder executivo municipal, segundo as pesquisas de intenção de votos, ancorado no apoio político da extensa coligação, e valendo-se da máquina administrativa e financeira municipal que detém e que lhe proporciona recursos materiais e humanos, este último essencial para possivelmente garantir a reeleição. Em disputas municipais os cargos de confiança (contratados sem concursos públicos), reconhecidamente tem peso eleitoral que desequilibra em favor do gestor a já desigual disputa, aspecto esse que tem sido notório na campanha de Cartaxo. Como em várias cidades de Brasil o PCdoB fez alianças com os golpistas, neste caso com o Senador golpista tucano Cassio Cunha Lima e também com o pemedebismo.

Cida Ramos candidata a prefeitura pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem como principal força a sua candidatura o apoio do atual Governador da Paraíba Ricardo Coutinho, também do mesmo partido. Cida Ramos vem de trajetória política ligada ao movimento estudantil, aspecto esse que a candidata reivindica como identidade e forma de atuação política voluntária oriunda da sociedade civil, é professora do curso de Serviço Social da UFPB e esteve presente no governo Coutinho entre 2011 e 2016 como Secretária de Estado de Desenvolvimento Humano da Paraíba. Além da sustentação política dada pelo Governo do Estado, conta assim como Cartaxo, com uma ampla base de partidos para ancorar sua candidatura formada por: PTB do seu vice Wilson Filho, Deputado Federal a favor do golpe institucional, jurídico-político e midiático e oriundo de uma das principais oligarquias políticas do Estado, compõem também a chapa: PDT, DEM, PPS, PV, PROS, PRTB, PPL, REDE, PSL, PR, PEN, PRP, PMB, PTC, PT do B. A candidatura de Cida representa a oportunidade de Coutinho voltar a ter no principal município do Estado um palanque político para a disputa ao cargo de Senador que almeja ao fim do seu mandato em 2018.

Por sua vez Charliton Machado do Partido dos Trabalhadores (PT), professor da UFPB, tem como candidato a vice-prefeito o empresário Nelson Lira, publicamente conhecido por ter presidido o principal clube de futebol da capital, o Botafogo. A escolha por Charliton deu-se após do Deputado Federal Luiz Couto recusar a candidatura por preferir uma coligação conjunta com o PSB de Coutinho (quem foi contra o golpe mais faz parte de um partido golpista), a direção municipal do PT recusou e escolheu sair sem coligações para o Executivo e o Legislativo municipal. A candidatura do PT além dos adversários políticos terá como obstáculo a herança dos 13 anos de governos Lula-Dilma que mesmo com a deposição golpista do mandato, não o exime de receber críticas a sua política-econômica, materializada em forte recessão em que o país se encontra com diminuição do poder de compra do salário dos trabalhadores assim como a restrição as linhas de crédito que oportunizaram o consumo, aspectos esses que trazem grande rejeição atualmente ao Partido dos Trabalhadores por importantes parcelas da população, além da realização de coalizões de poder, que fortaleceram a direita e que lhe acabaram tirando da Presidência da República.

Victor Hugo, candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), assim como o Charliton também sai com a chamada chapa “puro sangue”, seu vice é Alécio Costa (PSOL). A vice seria Rama Dantas (PSTU), mas o partido rompeu com o PSOL e a coligação Frente de Esquerda da Paraíba foi abortada, as motivações para essa ruptura segundo o PSTU se deram por divergências quanto à política de alianças que não fazem parte do campo da classe trabalhadora realizadas pelo PSOL, a referida aliança é com o grupo movimento Raiz Cidadania que tem como fundadora a deputada federal Luiza Erundina (PSOL/SP). Entre as suas principais propostas estão: a auditoria da folha de pagamento que incide principalmente sobre os cargos comissionados, objetivando enxugar a folha e acabar com os cargos, substituindo por concurso público a contratação de servidores municipais. Outra proposta de Victor Hugo dá-se sobre a mobilidade urbana, colocada como saída para esse problema à utilização do transporte público, através do aumento da frota de ônibus e a criação de veículo rápido sobre trilhos (VRT), propondo a quebra do monopólio do transporte público nas mãos do setor privado e o passe livre.

Os dois temas acima ganharam destaque durante a campanha: os cargos comissionados e a mobilidade urbana. Sucessivas trocas de acusações entre os dois candidatos colocados como favoritos pelas pesquisas Luciano Cartaxo (PT) e Cida Ramos (PSB) protagonizaram esse tema, onde um acusou o outro de aparelhar a Prefeitura e o Estado respectivamente. A questão dos cargos comissionados (ou empregos políticos) não é nova, tampouco parece ser solucionada no horizonte dos mencionados candidatos que usufruem do aparato administrativo em nível local e estadual para dar musculatura as suas campanhas e engrossar seus eleitorados. Quanto à mobilidade urbana, aspecto que vem se tornando cada vez mais caótico para a capital paraibana, relembramos que sucessivos governos municipais do PSB (época de Ricardo Coutinho e Luciano Agra), e do PT/PSD (com Cartaxo) não conseguiram atenuar o problema, reconhecidamente atrelado ao monopólio do serviço público concedido as empresas privadas de transporte que usufruem da infraestrutura realizada pelo poder público e que não resolve o problema da circulação e atendimento digno aos usuários do transporte coletivo. A abertura de linhas de trafego realizadas ao longo dos anos pelo poder público municipal, na tentativa de descongestionar o trânsito, são medidas que se mostraram insuficientes e não resolve estruturalmente o problema, tecla essa ainda insistentemente batida pelos postulantes à Prefeitura de João Pessoa.

Desde o Esquerda Diário, entendemos que a esquerda deve retomar o debate estratégico e que para isto é central realizar um balanço político de todo o período para extrair lições sobre o que significou a política de conciliação de classes do Partido dos Trabalhadores (PT) e como abriu o caminho com seu fisiologismo, (ou seja, assimilou os métodos de fazer política dos capitalistas) e com os ataques à classe trabalhadora, um somatório que se voltou contra seu próprio governo e no avanço da direita.

Isto é indispensável para organizar a resistência contra os ataques do governo golpista de Temer contra os trabalhadores e o povo pobre e para isso é preciso construir uma alternativa anticapitalista, que partir da intervenção na luta de classes frente esta direita dura.

Do Esquerda Diário, frente à pequena política e a podridão deste sistema político defendemos “Abaixo Temer Golpista!” E lutamos por uma saída política de fundo, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela mobilização das massas, que tenha uma perspectiva anticapitalista e transacional, lutando por outros junhos.




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