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Sobre a retomada das atividades acadêmicas na UFMG: por um plebiscito para que a comunidade universitária decida

A UFMG publicou hoje (20) uma nota informando aos estudantes que a UFMG começa a planejar a retomada das atividades acadêmicas. Nós, da Juventude Faísca, defendemos que se realize um plebiscito para que estudantes, professores e trabalhadores efetivos e terceirizados da universidade possam tomar as decisões sobre o tema.

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

Elisa Campos

Coordenadora do CAFCA-UFMG

quarta-feira 20 de maio| Edição do dia

Imagem: Reprodução UFMG

A UFMG suspendeu as atividades a mais de dois meses devido à pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social – o que Bolsonaro nega até hoje, quando já são mais de 17.900 mortes, com mais de 1.000 óbitos por dia. Junto a outras instituições públicas mineiras, a universidade também se posicionou pelo adiamento do ENEM, decisão que, a contragosto de Abraham Weintraub e Flávio Bolsonaro, o único senador a votar contra, foi aprovada ontem pelo Senado. Este adiamento foi o mínimo que poderia ser feito na atual situação, afinal para muitos estudantes é impossível se preparar para qualquer vestibular dadas as suas condições de vida, trabalho, renda e saúde, física e mental, que se agravam dia a dia no país mais negro fora da África, cada vez mais devastado pelo coronavírus e, principalmente, pelo capitalismo.

Mas não só os estudantes secundaristas, que ficam de fora das universidades aos milhares devido ao filtro social e racial que é qualquer vestibular, têm dificuldades objetivas para estudar neste momento. Embora as classes dominantes não queiram, há estudantes de baixa renda, negros, indígenas, moradores de favelas, de quilombos e de aldeias nas universidades. Com as cotas, já chegam a ser metade dos estudantes na UFMG – e para nós ainda é pouco, pois esses são mais da metade da população, por isso lutamos por cotas que sejam proporcionais à população negra e indígena de MG. Quando estariam esses estudantes aptos a retomarem as aulas? Em quais condições? Seria possível e aceitável usar o mecanismo de aulas remotas e atividades por ensino à distância?

Quem pode responder a essas perguntas são os próprios estudantes, em aliança com professores, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados – que deveriam ser incorporados como trabalhadores efetivos da universidade, ainda mais em um momento como esse, para que não fiquem desamparados e sem direitos trabalhistas como sabemos que os deixam as empresas terceirizadas.

Segundo o informe das discussões do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE, nenhuma dessas questões foi decidida. A reitoria afirma que o retorno das atividades se dará “de forma planejada, organizada e coletiva”. Como? Sabemos que a estrutura de tomada de decisões da universidade hoje não é plenamente democrática, cada setor da comunidade universitária não tem representação proporcional no Conselho Universitário, tampouco no CEPE. Não nos esquecemos das “novas normas acadêmicas” aprovadas pelo mesmo conselho que está discutindo os retornos às aulas, normas essas que foram votadas e implementadas pelas costas dos estudantes e já foram responsáveis pelo desligamento de centenas deles.

Por tudo isso, nós da Juventude Faísca defendemos que a reitoria aplique um plebiscito que contemple a participação dos quatro setores da universidade com um voto por cabeça. Ninguém melhor que os próprios estudantes, professores e trabalhadores efetivos e terceirizados para tomar essas decisões, porque precisamos discutir e tomar decisões não só quanto à data do retorno e o formato das atividades acadêmicas, mas também sobre seu conteúdo. As universidades têm um enorme potencial para cumprir um papel social fundamental no combate à pandemia, e não podemos aceitar seguir uma lógica formal de ensino, pesquisa e extensão. Os nossos estudos podem e devem responder às necessidades da população nesse momento, de forma que o retorno às atividades não contemple uma lógica mercantilista do conhecimento, mas sim que abra espaço para discussões, investigações e ações em combate ao coronavírus e com respostas profundas às mazelas que estamos vivendo.

Chamamos os estudantes, entidades estudantis e demais coletivos de juventude da esquerda na UFMG a levantarmos juntos essa demanda. Se conformarmos uma unidade entre nós, da Juventude Faísca, com o Juntos, Afronte, Vamos à Luta, MUP e Correnteza, que fazem parte do DCE, e com os diretórios centros acadêmicos, teremos muito mais força para não apenas defender o direito de decisão dos estudantes, mas também para organizá-los contra os ataques de Bolsonaro e Weintraub à educação, ciência e saúde.




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