Lava Jato

Sob escândalos, Lava Jato retoma iniciativa reciclando processos contra Palocci e Mantega

Depois de um mês paralisada após os escândalos da Vaza-Jato denunciados pelo The Intercept - que demonstravam as manipulações envolvendo o conjunto da Operação, em especial suas principais figuras, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol -, a Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira, 21 de agosto, a 63ª fase da Operação Lava-Jato.

quarta-feira 21 de agosto| Edição do dia

A Operação constitui o cumprimento de dois mandados de prisão temporária e 11 mandados de busca e apreensão em São Paulo e na Bahia. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF) os mandados seriam para o ex-executivo do Grupo Odebrecht Maurício Ferro, o advogado Nilton Serson e o ex-presidente da Brasken, Bernardo Gradin, mas os alvos seriam Guido Mantega e Antônio Palocci, dois ex-ministros do governo Lula e Dilma identificados por Marcelo Odebrecht em sua delação premiada à Sérgio Moro em 2017 como “Italiano” e “Pós-Itália”. Segundo a Polícia Federal, foi determinado o bloqueio de R$555 milhões dos investigados.

Ainda de acordo com a PF, os dois ex-ministros estariam identificados na planilha do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira e recebiam pagamento periódico de propina com o objetivo de aprovar medidas provisórias (MP’s) que instituíram o programa “Refis da Crise”, que seriam o parcelamento das dívidas tributárias das empresas atingidas pela crise econômica mundial de 2008, uma medida do governo que reduz a arrecadação de impostos e tributos de grandes empresas para manter sua margem de lucro, às custas da diminuição do investimento do governo em políticas públicas e sociais. A favorecida, nesse caso, seria a Brasken, que com a vantagem do parcelamento das dívidas tributárias pela MP teria podido pagar uma propina de R$50 milhões como contrapartida.

A 63ª fase da Operação Lava-Jato é uma retomada de iniciativa da Lava Jato que vem sendo atacada, ao mesmo tempo que disputada, por todos os projetos autoritários que intensificam suas fricções, passada a aprovação do ponto pacífico de unificação entre eles: a reforma da previdência. O STF tem a guarda das mensagens ofertadas pelo processo dos hackers, que podem usam contra Moro e Dallagnol; o Congresso aprovou o projeto de criminalização do abuso de autoridade que restringe parte do arsenal autoritário da operação; e mesmo Bolsonaro vem esvaziando e subordinando Moro, como mostra sua intervenção direta na PF, na Receita Federal e a o decreto de ontem da MP do COAF. Como já é próprio da dinâmica da operação, seguindo os momento de aparente de derrota, a Lava Jato retoma mais uma vez sua iniciativa, mirando oportunamente alvos já amplamente investigados por ela, Palocci e Mantega, mas que reafirmam a validade de seus métodos para seguir aprofundando a degradação autoritária do regime.




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