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DESMATAMENTO

Sob controle de Mourão e os militares, junho registra a maior queimada na Amazônia em 13 anos

Mais de 2,2 mil focos de queimada foram identificados segundo o INPE. Representando um aumento de 19,57% em relação à junho de 2019, registro é o maior desde 2007.

quarta-feira 1º de julho| Edição do dia

De acordo com dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgados pelo próprio governo federal, o número de queimadas na Amazônia, no mês de junho, foi o maior dos últimos 13 anos. As queimadas vem crescendo cada vez mais na região amazônica e, até maio deste ano, a área desmatada já ultrapassou a marca dos 6000 km². A Amazônia, agora, possui, contabilizados, 2248 focos de calor neste último mês, um aumento de 19,57% ante aos 1880 registrado no mês de junho de 2019.

Com o início do mandato de Bolsonaro, o meio ambiente tem sofrido os mais duros golpes pelo governo, tendo explodido a questão, de modo geral, em 2019, quando, até então, as queimadas tinham registrado recordes e ocasionou um fenômeno assustador na cidade de São Paulo, onde o dia escureceu devido a fuligem oriunda da região amazônica. Com repercussão internacional, Bolsonaro se viu obrigado a dar um resposta onde afirmou mentiras que as queimadas estavam controladas e que o mundo não deveria intervir na questão.

O aumento das queimadas está diretamente ligado a atual gestão negacionista científica e climática do governo Bolsonaro, que cortou investimentos na área de preservação ambiental e é notório defensor e dependente da bancada ruralista e do agronegócio, estes que são os principais interessados na devastação da amazônia para lucrarem mais com a agropecuária. O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, é a figura que mais demonstra como o governo está contra o próprio meio ambiente e é subserviente aos ruralistas. Na reunião ministerial de 22 de abril, deixou claro os intentos o governo quando afirmou que o governo precisava aproveitar a situação de fragilidade do país devido a crise sanitária da pandemia do COVID-19 e “passar a boiada”, isto é, aprovar todas as questões de afrouxamento nas regras de preservação ambiental para que os ruralistas possam desmatar e destruir mais ainda o ecossistema.

O controle do desmatamento, agora, não está mais sob tutela do ministério do meio ambiente, mas sim das forças armadas no chamado Conselho Nacional da Amazônia, liderado pelo vice-presidente e general do exército, Hamilton Mourão, com as forças armadas empregadas nas ações. No entanto, todas as operações e medidas dos militares são inócuas no combate às queimadas e servem mais como um resposta de fachada, tendo números maquiados e inflados, contabilizando ações que nem mesmo tiveram o apoio militar. O decreto que, por meio da GLO (Garantia da Lei e da Ordem), emprega o uso das forças armadas, consome, por mês, dos cofres públicos 60 milhões, o equivalente a 80% do orçamento anual de fiscalização do Ibama. Ainda assim, as queimadas seguem aumentando, mostrando que os militares, não diferente dos demais integrantes do governo e do presidente, não tem interesse real em parar as queimadas, mas apenas em fazer um fachada para escoar dinheiro público para setores militares e demonstrar falsas respostas à crise das queimadas, enquanto enfraquecem cada vez mais os órgãos fiscalizadores e preparam caminho para passarem, de fato, a “boiada”.




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