ELEIÇÕES

Skaf escolhe uma tenente-coronel da PM como vice em SP

A tenente-coronel Carla Danniele Basson, de 46 anos, comandava o 11º Batalhão da PMSP, responsável pelos municípios de Jundiaí, Itupeva e Cabreuva, ocupará a vice-candidatura na chapa de Paulo Skaf (MDB) ao governo de São Paulo. A escolha do vice foi uma decisão pessoal de Skaf, que teria levado em conta o fato de Carla ser mulher, tentando encobrir, através de uma demagogia vazia em relação à representatividade, o claríssimo perfil repressivo de sua candidatura patronal.

terça-feira 24 de julho| Edição do dia

Uma policial militar será a vice de Paulo Skaf (MDB), candidato a governador e presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a infame entidade patronal que gosta de bichinhos como o pato e o sapo para levar adiante suas campanhas esdrúxulas.

A tenente-coronel Carla Danniele Basson, de 46 anos, comandava o 11º Batalhão da PMSP, responsável pelos municípios de Jundiaí, Itupeva e Cabreuva, até se afastar do cargo ontem (23), mesmo dia do anúncio, para poder concorrer.

A decisão de Skaf teria levado em conta o fato de Carla ser mulher, tentando encobrir, através de uma demagogia vazia em relação à representatividade o claríssimo perfil repressivo que sua candidatura patronal necessariamente viria a ter. O que é mais uma prova de que as “mãos invisíveis” do mercado só podem funcionar quando são lavadas pelas mãos nada invisíveis da violência estatal, mesmo que por ventura sejam mãos femininas. “Eu queria fazer uma chapa que tivesse diversidade. Acho importante ser uma mulher ligada ao interior. E a questão da segurança pública é uma das prioridades”, disse Skaf ao Estadão.

Carla é filha de um PM que também serviu no Exército, e irmã de um policial civil. Fez o ensino médio em Jundiaí, em unidade do Sesi (não coincidentemente parte importante da propaganda de Skaf), e teria se especializado em ““direitos humanos”” em sua formação na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, onde doutorou-se em um curso eufemisticamente intitulado Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. De maneira presumivelmente cínica, Skaf disse à Folha "Ela é uma moça de família boa e é uma coronel suave, não tem nada de truculência".

A PMSP é uma das mais violentas do planeta. Um estudo divulgado em maio deste ano comprovou suas principais vítimas, como já se sabia, são na sua maioria negros (67% dos mortos nos 20 municípios analisados) e jovens (16% tinham menos de 17 anos). Segundo o mesmo estudo, foram mortos 6,1 jovens para cada mil apreendidos, versus 3,4 para cada mil adultos. Foram 853 pessoas mortas pela polícia em 2016 e 943 em 2017; versus uma queda de 80 para 60 policias mortos nos mesmos anos. Segundo outro pesquisador, a polícia já é responsável por mais de 20% dos homicídios nesse estado.




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