Economia

CAPITALISMO

Situação extrema: quase 30 milhões sem emprego e aumento da concentração de renda

Os novos dados do IBGE apontam para aumento do desemprego na comparação de fevereiro e abril e também para o aumento do número de pessoas que desistiram de procurar emprego. Apesar da grande participação dos efeitos da pandemia, economia já vinha fraca e pior para a classe trabalhadora. Concentração de renda aumenta.

sexta-feira 29 de maio| Edição do dia

A taxa de desemprego no país subiu de 11,2% para 12,8% no trimestre entre fevereiro e abril deste ano. Atingindo no total 12,8 milhões de pessoas. Os dados foram divulgados pela PNAD e mostram uma situação que pode ser muito pior na realidade.

O desemprego é medido pela taxa de desocupação oficial no país. Que inclui as pessoas desempregadas ou desocupadas que não estavam trabalhando, mas estavam disponíveis para trabalhar e tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos últimos 30 dias.

Em virtude da pandemia e da quarentena, muitas pessoas não puderam procurar trabalho. Ou pior, muitas dessas pessoas estavam desacreditadas em conseguir alguma vaga em um período em que as empresas demitem mais do que nunca, reduzem a jornada de trabalho e os salários apoiados na MP 936, uma mini reforma trabalhista aplicada por Bolsonaro em meio ao caos da pandemia, é sua tentativa de "passar a boiada" enquanto milhões morrem no país que virou epicentro da pandemia mundial.

O nível da população ocupada teve queda recorde de 5,2% em relação ao trimestre encerrado em janeiro, representando uma perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, desses 3,7 milhões foram de trabalhadores informais. O trabalho informal que havia chegado em 40,9% no mesmo trimestre do ano passado agora vai para 38,8% da população ocupada. A queda na taxa de informalidade longe de representar que os trabalhadores conseguiram um emprego de carteira assinada, com mais direitos, na verdade mostra que mesmo entre os trabalhadores precários, está mais difícil trabalhar.

Se considerada a subutilização que além das pessoas desocupadas (não trabalham, mas procuram trabalho), considera as que gostariam de trabalhar mais hora por dia e também as que desistiram de procurar emprego, o número chega a 28,7 milhões de trabalhadores!

Enquanto isso a média da renda mensal, ou seja a média de todos que tem renda, aumentou em 2% indicando na verdade que aqueles que antes tinham uma renda menor, agora estão sem renda e não entram na média. Dados divulgados dia 06 pelo IBGE mostra que os 10% mais ricos ficaram com 43% da renda nacional! Com aumento da desigualdade na região Nordeste, onde o rendimento dos 1% mais ricos cresceu 11%, uma contradição no país das mais de 20 mil mortes e os quase 300 mil confirmados (oficialmente) pelo covid-19.

As recentes pesquisas mostram dados alarmantes sobre a situação da classe trabalhadora brasileira e o para o conjunto da população. Uma piora de vida geral, enquanto os mais ricos concentram mais riqueza. Em tal situação se faz urgente levantar a taxação de grandes fortunas, bem como o não pagamento da dívida pública. Os mais ricos devem pagar pela crise que eles próprios criaram.

É necessário um conjunto de medidas para salvar os trabalhadores e a população mais pobre de uma catástrofe geral. Que aí inclui uma auxílio emergencial de R$ 2 mil reais para todos aqueles sem renda e também para a massa de trabalhadores precários e informais, como motoristas de aplicativo e entregadores. Bem como o afastamento sem demissão e sem redução salarial de todo trabalhador não essencial durante a pandemia. E garantia mínima de toda proteção necessária aos trabalhadores essenciais, como médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem.




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