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Situação dramática no Hospital da USP: “Falta orientação e estamos correndo risco de contágio”

Os trabalhadores do Hospital Universitário da USP encontram-se em uma situação dramática. Falta orientações sobre o uso dos EPIs, falta máscaras adequadas, álcool gel, roupas privativas e aventais para lidar com a crise do coronavírus.

quarta-feira 25 de março| Edição do dia

O descaso com a saúde desses profissionais é absurdo. Funcionários se queixam de haver orientações desconexas sobre o uso de EPIs. Cada chefia decide a orientação, sem um protocolo unificado. Assim, os trabalhadores se sentem desassistidos quanto ao uso e a segurança desses protocolos. Não há treinamento adequado para esclarecer as formas de uso, além de falta de material, com sugestão até de racionamento de máscaras e álcool gel.

Sobre as roupas privativas, os funcionários se queixam do risco de contaminar pessoas no trajeto do hospital para a casa ou familiares. Como utilizam suas próprias roupas por baixo do avental, essas roupas podem estar contaminadas. "O correto seria fornecerem roupas privativas, que só usássemos no interior do hospital e que fosse higienizadas no próprio HU para evitar contaminar pessoas nos ônibus e metrô e nossos familiares".

Em memorando divulgado ontem, o superintendente do hospital, Paulo Ramos Margarido, reforça que os trabalhadores elencados como grupo de risco (maiores de 60 anos ou que possuem alguma comorbidade que agrava os sintomas) não serão liberados. Isso significa que esses trabalhadores, que já estão mais expostos ao vírus por trabalharem no hospital e por não terem acesso a EPIs na quantidade adequada, podem adoecer e suas vidas, além da saúde, estão em risco.

Recebemos denúncias de diversos trabalhadores do HU relatando o descaso com os funcionários. Falta de orientações adequadas sobre o uso de EPIs e racionamento de máscaras e álcool gel

“Estão condicionando para quem dão máscaras e para quem não dão, sem avaliar o risco que os funcionários estão correndo aqui”

Também defendem que os funcionários sejam testados para saber se estão contaminados ou não:

“Eles tinham que liberar era os testes pra cada um de nós”

A preocupação com os colegas que são enquadrados no grupo de risco também é constante. Muitos estão trabalhando sob constante tensão pois não querem se contaminar nem contaminar familiares idosos.

Leia mais: HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA USP: “Estão condicionando para quem dão máscaras e para quem não dão, sem avaliar o risco que os funcionários estão correndo aqui”

Na Espanha 12% dos 33mil infectados pelo coronavírus são profissionais da saúde, de acordo com o jornal O Globo. São mais de 4 mil profissionais doentes lá. No Brasil, onde os dados não estão sendo atualizados com precisão , pelo menos 2 das 46 mortes confirmadas foram de profissionais da saúde. Não há dados oficiais de trabalhadores da saúde contaminados no Brasil.

Por isso, é urgente EPIs em quantidade adequada para todos os setores do hospital, além do treinamento para seu uso e uma orientação unificada, que aqueles que fazem parte do grupo de risco (maiores de 60 anos e que possuam comorbidades que agravem os sintomas) sejam liberados imediatamente e a abertura de contratação emergencial para o HU em todas as áreas: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutrição, atendimento e limpeza. Os trabalhadores da saúde que estão sendo linha de frente do combate ao vírus não podem pagar com suas vidas pelo descaso dos gestores e governantes.

[Veja aqui: Representante dos funcionários cobra dos dirigentes do HU/USP EPIs e medidas de segurança para os trabalhadores ->https://www.esquerdadiario.com.br/Representante-dos-funcionarios-cobra-dos-dirigentes-do-HU-USP-EPIs-e-medidas-de-seguranca-para-os




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