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Sintusp em apoio à paralisação internacional dos entregadores de aplicativos

O Conselho Diretor de Base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) lançou uma nota de apoio à paralisação internacional dos entregadores de aplicativos, no dia 1º de julho, chamando os trabalhadores a serem parte da campanha pelas demandas desses trabalhadores. Reproduzimos abaixo a nota.

quinta-feira 25 de junho| Edição do dia

Todo apoio a paralisação internacional dos entregadores de aplicativos

No dia 1° de julho os entregadores farão uma paralisação articulada internacionalmente para denunciar as precárias condições de trabalho a que são submetidos pelas empresas donas dos aplicativos Rappi, Ifood, Ubereats, James e Loggi. Esses jovens, que são na maioria negros, sentem todos os dias na pele a crueldade desse sistema que prega um suposto empreendedorismo baseado na exploração e no roubo do futuro da juventude.

A pandemia expôs de forma mais escancarada que, para os patrões, nós trabalhadores não passamos de números, números de pacotes entregues, metros quadrados de chão limpo ou quantidade de atendimentos completados. E num momento onde as mortes pelo novo coronavírus ultrapassam os 50 mil, com mais de um milhão de contaminados, os governantes e os patrões nos colocam o dramático dilema entre escolher nossa saúde e daqueles que amamos ou o desemprego e a fome.
Mas somos nós trabalhadores quem fazemos tudo funcionar. Sem nosso trabalho nada funciona, nada é entregue, nada é produzido.

Trabalhamos na melhor, e mais elitista, universidade do país, onde um pequeno grupo de dirigentes privilegiados decide quem pode ou não estudar. E decidem todos os anos negar o acesso dos filhos da classe trabalhadora à universidade, seja através do filtro social e racista que é o vestibular, seja negando condições de permanência aos estudantes mais pobres. Essa casta de privilegiados também decide o destino dos milhares de trabalhadores da universidade e, como prova do seu elitismo, não só fez aumentar a terceirização e precarização do trabalho, como agora, em meio a pandemia lança ataques que vão significar a demissão em massa de centenas de trabalhadores terceirizados, que são na maioria mulheres negras.

Os dirigentes da USP saúdam os "cérebros" criadores dos aplicativos fechando os olhos para as terríveis condições de trabalho a que são submetidos os que trabalham para esses aplicativos. Na mesma universidade que produz estudos sobre a precarização do trabalho se produz os mecanismos para a manutenção da precarização. Isso porque o conhecimento que é produzido na universidade está a serviço dos interesses dos empresários e não da população.

Na USP também há os trabalhadores da linha de frente que são essenciais nesse momento de combate ao vírus. E sobre eles também a mesquinharia dos dirigentes se mostra ao negarem EPIs adequados, chegando a racionar máscaras e álcool gel. E ainda mais, negam testes de covid-19 para as trabalhadoras terceirizadas do hospital, como se essas trabalhadoras não adoecessem.

Por toda essa situação nos irmanamos com todos os trabalhadores de entrega de aplicativos. Por que para nós um trabalhador não é apenas um número sobre uma moto. Ele é parte indissociável da nossa classe, da classe que move o mundo. E não queremos que a juventude, filha da classe trabalhadora, perca a vida em cima de uma moto ou bicicleta.

Por isso, chamamos todos os trabalhadores e trabalhadoras da USP a se solidarizarem com a luta dos entregadores, apoiando a sua paralisação internacional com o boicote aos aplicativos nesse dia, com fotos de apoio à paralisação e apoiando suas ações de rua e manifestações virtuais.

Só a classe trabalhadora, com seus métodos de luta, pode responder a essa crise sanitária e social que nos encontramos.

Dia 1° de julho, dia do breque dos apps!

São Paulo, 19 de junho de 2020.

Conselho Diretor de Base do Sintusp




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