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CORONAVÍRUS: USP

Sintusp aprova criação de comitê de trabalhadores do hospital da USP para combater a pandemia

Em reunião do Conselho Diretor de Base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), no dia 04 de maio, foi referendada a posição dos trabalhadores do Hospital Universitário (HU) para a criação de um comitê interno, formado por trabalhadores eleitos dos diversos setores do hospital, para lidar com a crise do coronavírus e a situação calamitosa de trabalho dos mais de 2 mil funcionários, trabalhadores terceirizados e residentes. Também foi votada uma paralisação parcial de 4 horas no dia 6 de maio, com ato em frente ao hospital para denunciar a situação.

segunda-feira 4 de maio| Edição do dia

Essa importante decisão fortalece a organização dos trabalhadores e é um ponto de apoio importante para arrancar as demandas urgentes do hospital.

A situação do HU é alarmante. De acordo com o sindicato já são mais de 40 contaminados pela covid-19 e mais de 20 trabalhadores afastados. Enquanto os casos de contaminação aumentam no hospital, EPIs básicos como máscaras cirúrgicas são racionados. Além disso, os trabalhadores que fazem parte do grupo de risco, ou seja, maiores de 60 anos ou que possuem alguma comorbidade, são mantidos trabalhando mesmo depois de indicação do Ministério Público para que esse grupo fosse liberado, pois, se contaminados, podem ter o quadro de saúde agravados rapidamente, correndo risco de perder a vida.

O superintendente do HU, Paulo Ramos Margarido, e o reitor da USP, Vahan Agopyan, resistem em abrir contratações emergenciais para suprir a falta de funcionários que já afetava o hospital muito antes da pandemia. Agora com o adoecimento de vários funcionários e o aumento das contaminações, isso se faz ainda mais urgente. O reitor da USP vai à TV para, hipocritamente, dizer que a USP está pela vida, mas deixa sob risco constante os trabalhadores do HU, que são parte da linha de frente no combate a essa pandemia. Vale lembrar que morreram dois trabalhadores terceirizados da vigilância do Museu de Arte contemporânea da USP que faziam parte do grupo de risco e foram mantidos trabalhado.

O cenário dramático de uma tragédia anunciada levou vários trabalhadores do hospital a questionarem não apenas a inabilidade em lidar com a pandemia e a fata de transparência do superintendente do hospital e da reitoria, com setores importantes reivindicando a saída do superintendente, mas também questionam porquê os trabalhadores do hospital não tem voz nas decisões que dizem respeito ao seu trabalho e às suas vidas. Afinal quem decide o racionamento das máscaras não está nos diversos setores do hospital, sequer atende aos pacientes ou atualiza prontuários. Não recebe os insumos, não cuida da alimentação dos pacientes, não limpa cada centímetro quadrado do hospital para que ele fique limpo e a circulação do vírus e de outras doenças seja menor.

Ou seja, a superintendência toma decisões erradas que depois os trabalhadores que aguentam as consequências. E sua prioridade não é o cuidado com a nossa vida nem com ampliar a capacidade de atendimento. Uma hora decide que todos devem usar máscaras e que estas devem ser trocada a cada 2h. Depois decide que só alguns setores precisam delas e que poderiam ser usadas por até 12h. Define fluxos de trabalho e atendimento que não funcionam, expõem os pacientes e os trabalhadores. Isso não deveria ser assim.

Por isso, essa primeira iniciativa de auto-organização dos trabalhadores do hospital é tão importante. Os trabalhadores do hospital organizados, sejam efetivos, terceirizados ou temporários são os únicos de fato responder seriamente à crise. Com delegados eleitos por setores, inclusive trabalhadoras terceirizadas da limpeza, esse comitê pode pressionar a reitoria e a superintendência por mais EPIs, pela liberação do grupo de risco e abertura de contratações emergenciais. E organizar mais e mais trabalhadores do hospital todo para pensar ações que imponham as decisões tomadas pelo comitê buscando o apoio da população e da comunidade da USP.

O desdém da USP com a vida dos trabalhadores que estão na linha de frente do combate à pandemia precisa ser combatido com organização pela base, por isso a iniciativa dos trabalhadores do Hospital Universitário é tão importante e deve servir de exemplo para outros hospitais e unidade de saúde que também enfrentam o drama da falta de EPIs e o descaso dos governos e gestores. Só os trabalhadores podem dar uma resposta à crise do coronavírus.

A paralisação parcial de 4 horas ocorrerá no dia 6 de maio das 11h às 15h. Haverá um twittaço de apoio ao ato chamado pelo SINTUSP, das 11h às 12h com a hashtag #HUdaUSPemLuta.




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