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HUNGRIA

Sindicatos húngaros dão a Orban um ultimato para revogar a reforma trabalhista

A reforma popularizada como "lei da escravidão" foi aprovada a pedido das montadoras alemãs e gerou uma onda de protestos e manifestações de trabalhadores húngaros. Uma jornada de greves está planejada para 19 de janeiro.

quarta-feira 9 de janeiro| Edição do dia

Sindicatos e organizações estudantis na Hungria deram no sábado um ultimato ao primeiro-ministro conservador nacionalista Viktor Orbán sobre a reforma trabalhista: ou revoga as regras conhecidas como "lei da escravidão" ou enfrentará uma onda de manifestações e greves.

A advertência das organizações de trabalhadores ocorreu durante um protesto maciço em Budapeste para o qual foram, apesar das baixas temperaturas, cerca de 10 mil pessoas, segundo a mídia húngara, e essa é a primeira mobilização de 2019, ano em que a oposição política se qualificou como "da resistência".

O protesto contra a lei que aumenta as horas extras e que foi aprovado em meados de Dezembro no Parlamento por maioria absoluta de Fidesz, o partido de Orbán, reuniu toda a oposição, sindicatos e organizações da sociedade civil em uma frente única.

"Basta de nos fazer trabalhar até a morte", disse o presidente da Confederação Sindical da Hungria, László Kordas, que leu as demandas dos sindicatos e disse que, se estas não forem atendidas, no dia 19 de janeiro será organizado um protesto com greve geral em todo o país.

O ultimato exige um novo padrão de trabalho e a abolição da "lei da escravidão", o aumento dos salários, a regulação do direito de greve e uma reforma do sistema previdenciário

Alguns oradores defenderam que o sábado deveria "paralisar o país" e ressaltaram que 2019 será "o ano da resistência", enquanto outros exigiram pressão para fazer essa norma "doa em Orbán".

"Não seremos escravos" e "Nos defenderemos diante do governo", foram algumas das palavras de ordem que os milhares de manifestantes gritaram durante o protesto.

Os regulamentos aprovados por ordem das montadoras alemãs que produzem no país e demandam mão de obra massiva e barata, elevam de 250 para 400 o número de horas extras por ano, o que significa que alguns funcionários trabalhar seis dias por semana e, além disso, permite que as empresas paguem essas horas em até 36 meses.

Embora as horas extras sejam voluntárias de acordo com a lei, sindicatos e outros críticos apontam que aqueles que se recusarem a aceitar o trabalho serão "marcados" e correrão o risco de demissão.

Orban, que ficou conhecido por seu discurso xenófobo contra os imigrantes, apontando-os como responsáveis pelos problemas do país, e que se define como nacionalista, não teve problemas em se render aos pedidos das montadoras alemãs. Isso mostra que, para as forças conservadoras e de direita por trás da alegada defesa da soberania nacional, há a defesa dos interesses dos patrões, nacionais ou estrangeiros, contra os trabalhadores, sejam eles nativos ou imigrantes.




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