Mundo Operário

REPÚDIO A STÁLIN

Sindicato dos trabalhadores da USP repudia homenagem a Stálin

Com cartazes espalhados pelas faculdades em homenagem a Josef Stálin, grande traidor da revolução de 1917 na Rússia que esteve à frente de sua burocratização, o Sindicato de Trabalhadores da USP (SINTUSP) soltou uma nota de repúdio. Os crimes cometidos por Stálin são reconhecidamente rechaçados pelo SINTUSP. Leia a moção abaixo:

quinta-feira 14 de novembro| Edição do dia

Recentemente nos deparamos no vão do prédio da História e Geografia com um imenso cartaz homenageando os 140 anos do “camarada Stálin”. Frente a isso, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP, historicamente comprometida com a luta sindical e política da classe trabalhadora contra a exploração e opressão, não poderia deixar de se manifestar.

Josef Stálin entrou para a história com a vergonhosa marca de ser um dos maiores assassinos de revolucionários na história mundial. Tendo assumido o controle político da União Soviética após a morte de Lênin, em 1924, Stálin esteve a frente de uma burocracia implacável que destruiu os organismos de autodeterminação política dos trabalhadores (sovietes) e conduziu uma repressão brutal e assassina contra todos os trabalhadores e opositores que ousassem se manifestar contra sua ditadura sanguinária. Começando com a expulsão de opositores do partido, a repressão stalinista rapidamente avançou, exilando milhões nos gulags siberianos e chegando aos ignominiosos infames e criminosos processos de Moscou, em 1936-38, durante os quais forjou acusações falsas contra os que considerava que poderiam ameaçar seu poder, incluindo seus aliados da véspera que junto a ele passaram a compor a casta burocrática que expropriou politicamente os trabalhadores na URSS. Esses processos contrarrevolucionários levaram ao fuzilamento de milhões, com base em “confissões” arrancadas sob tortura. Todos os membros do antigo Comitê Central do Partido Bolchevique da época da revolução de 1917 que ainda estavam vivos foram fuzilados nesse momento sob as ordens de Stálin, com exceção de Alexandra Kolontai – que havia se silenciado resignadamente na carreira diplomática – e Leon Trotski, que já havia sido expulso da URSS, mas que, em 1940, seria também assassinado por um mercenário stalinista do outro lado do globo, no México.

Stálin, no entanto, não se contentou em massacrar os revolucionários russos. Ele foi responsável por calar a voz de pintores, cientistas, escritores, cineastas, arquitetos, diretores de teatro, filósofos, enfim, toda e qualquer voz que saísse um milímetro dos ditames do pensamento imposto por sua tirania. O monolitismo do pensamento burocrático se abateu sobre absolutamente todos os âmbitos da vida, levando a que os imensos avanços obtidos pela revolução de outubro fossem sufocados pelas botas de ferro do regime de Stálin. Avanços democráticos de setores historicamente oprimidos sob o antigo regime czarista e nos países capitalistas, como os direitos garantidos pela revolução às mulheres (tal como a legalização do aborto) e a descriminalização da homossexualidade, foram novamente arrancados por Stálin.

No âmbito internacional, o stalinismo foi responsável por políticas criminosas contra os trabalhadores que iam desde as alianças com a burguesia nas “frentes populares” à participação direta no esmagamento de revoluções, como no caso da revolução espanhola em que militantes de esquerda de diversas correntes foram alvos das balas dos stalinistas.

A lista dos crimes de Stálin é demasiado extensa para poder ser sintetizada aqui. Contudo, ainda hoje sofremos as consequências da associação indevida que se faz entre a luta dos trabalhadores pelo fim da sociedade de exploração e miséria que é o capitalismo, e a aberração reação contrarrevolucionária representada pelo stalinismo. Por tudo isso, expressamos nosso repúdio à homenagem a Stálin, que não é um “camarada” de nenhum trabalhador que lute por justiça, mas um criminoso coveiro de revoluções que contribuiu imensamente para adiar a tão necessária revolução social mundial e a emancipação humana dos grilhões da exploração.




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