Mundo Operário

BUROCRACIA SINDICAL

Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre anuncia boicote à greve geral

No dia 28 de Abril, dia da última greve geral contra as reformas do governo Temer, Porto Alegre parou: nenhum ônibus saiu de garagem alguma na capital gaúcha. Contudo, para este dia 30, a greve geral vem sofrendo boicote das centrais, em especial da Força Sindical que, através do Stetpoa, já sinaliza que se colocará contra qualquer mobilização. Somente tomando a greve em nossas mãos é possível superar a burocracia.

quarta-feira 28 de junho| Edição do dia

Dois dias antes da greve geral do dia 30, o Stetpoa- Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Porto Alegre publicou nota onde afirma abertamente que vai trabalhar para que os ônibus rodem na sexta-feira. Tal declaração, que pode ser vista aqui, escancara a traição do sindicato frente a esse importante dia de greve geral, na prática atuando para desmobilizar qualquer iniciativa dos trabalhadores.

Já não é novidade a trégua que as centrais vêm oferecendo ao governo Temer. Após o dia 28 de Abril, no qual tivemos uma greve histórica da classe trabalhadora brasileira, as centrais acordaram em efetuar uma segunda paralisação quase dois meses depois, dando tempo para o governo se rearticular depois do 28A e em meio à lama das delações da JBS. Mesmo em abril já ficava clara a atuação de CUT, CTB, UGT e Força Sindical no sentido de conter a mobilização dentro de certos limites.

Traição mais nítida é a da Força Sindical. Essa central, que sistematicamente fecha acordos burocráticos com a patronal contra os reais interesses dos trabalhadores, já sinalizou que quer negociar com o governo as reformas em troca da manutenção do imposto sindical. Paulinho, reeleito recentemente para a direção da pelega entidade, já abandonou a construção da greve, afirmando que o dia 30 será um “dia de lutas” e não de greve ou paralisação.

O sindicato dos rodoviários de Porto Alegre (Stetpoa), filiado à mesma mesma Força Sindical de Paulinho, amigo de Temer e apoiador do PSDB (logo, inimigo dos trabalhadores), que no dia 28 de Abril, sob a pressão de sua base, foi obrigado a chamar a paralisação, vem trabalhando para desmobilizar a greve geral do dia 30 de Junho. Recentemente, o vice-presidente da entidade, Sandro Abbade, afirmou que trabalhadores teriam, supostamente, procurado o sindicato para que não houvesse mobilização, como é possível conferir aqui

Segundo ele os rodoviários temem um possível desconto em sua folha salarial e por isso não querem que ocorra paralisação da categoria nesse 30J. Nada mais distante da verdade. Durante a campanha do “tomar a greve geral em nossas mãos”, a equipe do Esquerda Diário RS pôde conversar diretamente com vários trabalhadores. Além de se mostrarem completamente receptivos à campanha e à ideia de paralisação no dia 30, muitos rodoviários denunciaram com firmeza a postura pelega do sindicato. Há muita insatisfação e também disposição na categoria, o que é completamente ignorado pelo Stetpoa.

É evidente que a patronal, em qualquer categoria, se utiliza de descontos salariais para tentar desmobilizar os trabalhadores. Nesses casos, é obrigação do sindicato dar combate para que não haja desconto algum. A direção do Stetpoa nem mesmo a isso tem se proposto, demonstrando sua completa indisposição em enfrentar a patronal. Em sua página virtual, o Stetpoa já afirmou que não apoiará mobilização alguma em frente às garagens, que não possui ligação alguma com qualquer grupo que possivelmente efetuar trancaços e que denunciará qualquer depredação por parte dos manifestantes. Aliás, este histórico de traições só vem aumentando em 2017. Basta lembrar que no início do ano muitos trabalhadores denunciaram uma provável fraude operada pelo sindicato na votação do dissídio (na qual boa parte dos rodoviários foi, inclusive, impedida de votar), como mostramos aqui

E Abbade mente descaradamente sobre as ações do sindicato. O burocrata sindical afirmou que a categoria realizou reuniões para decidir trabalhar na sexta-feira. Na verdade, segundo os próprios trabalhadores, nenhuma assembleia ou plenária, ou qualquer espaço do gênero em que os rodoviários pudessem se fazer ouvir efetivamente, foi chamado. Essa reunião ou existiu apenas na cabeça de Abbade ou ocorreu entre a burocracia sindical e a patronal, sem que os trabalhadores pudessem opinar. Fato é que em nenhum momento a categoria reuniu para tomar tal decisão ou debatê-la, ao contrário do que diz o sindicalista. A ideia da direção do Stetpoa é lutar para sepultar a mobilização da categoria no dia 30, em meio a um contexto no qual várias categorias já declararam adesão, inclusive os metrovários da Trensurb, o que demonstra que há disposição de luta na classe trabalhadora. Se a vontade dos trabalhadores rodoviários vem sendo ignorada por uma direção traidora a serviço da máfia dos transportes, é necessário lutar para que a greve seja tomada em nossas mãos e para que a burocracia seja superada.⁠⁠⁠⁠




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