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Sind. dos Metroviários de SP: é urgente construir um comitê contra os ataques de Bolsonaro

domingo 11 de novembro| Edição do dia

Foi realizada reunião da diretoria ampliada do sindicato dos metroviários na última terça, 6, na qual se discutiu a conjuntura nacional e os ataques previstos contra os trabalhadores frente ao novo governo da extrema direita, em uma mesa composta pelas forças políticas da diretoria. Alguns aspectos importantes da luta contra o governo Bolsonaro e os ataques a nossos direitos foram os temas abordados pela diretoria.

No debate sobre o impacto do bolsonarismo na classe trabalhadora, a diretora Marilia, operadora de trem da linha 3 Vermelha e militante do Movimento Nossa Classe, não compartilhou de maneira nenhuma com a absurda tese do PSTU de que existe algum aspecto progressista nos trabalhadores que votaram em Bolsonaro, mesmo que este expresse alguma ruptura com o PT (mas que se dá pela direita e não pela esquerda), e os companheiros do PSTU ainda insistem em negar que houve um golpe no país, uma visão para justificar sua simpatia pelo golpismo. Por outro lado, Marília combateu também a estratégia eleitoral-parlamentar do PT e PCdoB, que vendem uma visão devastadora como se já estivéssemos em um regime fascista, e "nada mais pode ser feito", flertando com uma posição que chega próximo a igualar os trabalhadores que votaram em Bolsonaro a fascistas. Uma visão para acobertar sua política de conciliação com os golpistas depois do impeachment, sua inação e paralisia na luta, e sua estratégia eleitoral que colaborou para a ascensão da extrema direita.

Marilia afirmou: "Os votantes do Bolsonaro são sim uma base que trás uma importante contradição para o governo Bolsonaro, que terá que atacar pesado os direitos, direitos básicos do trabalhador, sendo uma importante balança para o futuro governo. PT e PCdoB, com ajuda do PSOL, apostam numa estratégia de oposição parlamentar que relega qualquer luta a espera de quatro anos até a próxima eleição, deixando o trabalhador que quer lutar agora sem nenhuma alternativa concreta. Diante desse cenário, o PSTU a partir da CSP-Conlutas poderia organizar diversos comitês de base para fortalecer essa exigência as principais centrais sindicais, que seguem decidindo os rumos da mobilização em reuniões de cúpula, de acordo com a estratégia petista. Entretanto, o PSTU não faz isso, e só mostra que todo o discurso de "rebelião" só serve para esconder sua adaptação política ao golpismo e à burocracia sindical, sem nenhuma delimitação e exigência em torno de uma medida concreta que possa organizar a resistência dos trabalhadores na base. Isso se expressou totalmente pelo fato de nenhuma força política da categoria ter dados peso para a construção de um comitê de metroviários contra Bolsonaro, mesmo ele sendo aprovado na última assembleia".

O autoritarismo do judiciário interviu nas eleições para que seu resultado fosse favorável aos interesses políticos do imperialismo, da lava jato e dos duros ajustes econômicos e cortes de direitos que os trabalhadores estão sofrendo. Desde a vista grossa feita pelo STF, no processo fraudulento de impeachment de Dilma, passando pela prisão arbitrária de Lula e a proibição de 3 milhões de pessoas de participar do pleito eleitoral com a impugnação do título de eleitores do nordeste por não terem feito a biometria, até a nomeação de Moro para ser ministro de Bolsonaro, evidenciam como as eleições foram manipuladas, coroando o golpe institucional de 2016.

"Frente a todo esse cenário turbulento nacional nós do movimento Nossa Classe, achamos fundamental que se organize em cada local de trabalho comitês de luta para organizar os trabalhadores de forma independente, a fim de resistir aos duros ataques do novo governo que tende cada vez mais a governar de forma autoritária, respaldado pelo judiciário e com apoio da cúpula militar. Tudo isso para impor as maldosas reformas que o ’mercado’ exige, para que os trabalhadores paguem pela crise e não os capitalistas", disse Marília.

No metrô de SP foi aprovado na última assembléia a criação de um comitê contra Bolsonaro que serviria para iniciar esse debate na categoria e preparar a resistência pela base. Infelizmente, grande parte da diretoria não construiu e nem compareceu na primeira reunião do comitê, apesar das dezenas de trabalhadores que o reivindicaram e assinaram o Manifesto contra Bolsonaro. Mais do que nunca precisamos agora que esse comitê seja efetivamente construído com todas as forças políticas do sindicato, que sequer chamaram até agora uma assembleia para organizar a luta, convocando a categoria a se organizar, para barrarmos as reformas que Bolsonaro quer impor aos trabalhadores.

As centrais sindicais se reuniram no dia 28/10 sem a presença da UGT, central essa que já quer negociar com o novo governo para garantir seus interesses mesquinhos de burocratas sindicais e que em SP ajudou o bolsonarismo a eleger Major Olímpio. Porém não tiraram nenhum plano de luta para barrar as reformas, apenas um seminário para dia 12/11. É necessário exigir delas que se conforme comitês em todas as categorias, para o trabalhador poder participar, opinar e decidir, coisa que em muitos sindicatos não é permitido a trabalhadores de base.

Os comitês tem que ser organismos democráticos dos trabalhadores, onde a mais ampla frente única contra as reformas possa levar a ações unitárias de toda a classe trabalhadora para barrar os planos do novo governo em descarregar a crise nas costas do povo.

Marília disse ainda que "Os metroviários podem dar o exemplo, formando um grande comitê que leve ações a frente, chamando todas as categorias a fazer seu comitê, exigindo que seu sindicato apoie e dê a estrutura necessária para esse comitê existir e promover ações junto a população, preparando o caminho para uma grande greve geral, que coloque a baixo todos os planos do governo Bolsonaro".

E completou "Muito se fala sobre a ’unidade’ na luta, mas nada se diz sobre as lições tiradas nos processos recentes de luta e os erros cometidos pelas cúpulas das centrais sindicais que estão paralisadas e que seguem repetindo o que fizeram ano passado, não permitindo que os trabalhadores decidam sobre os rumos da luta. Vendem inclusive uma falsa unidade, que não se consolida sequer entre as próprias direções, não a toa a UGT nem se posicionou contra Bolsonaro e não vem participando das reuniões com as centrais, e até agora só apontam um seminário a ser realizado no dia 12 e nenhum plano de luta. Portanto, a alta cúpula das centrais vai contra a necessidade de criar a mais ampla frente única contra os ataques de Bolsonaro, se negam a convocar comitês de base massivos nas categorias, e deixam isolados e sem alternativas o trabalhador que quer resistir aos ataques. Nossa unidade deve se dar nos locais de trabalho, com os trabalhadores auto-organizados de forma democrática, para levarmos a luta contra Bolsonaro de forma massiva, dialogando com o conjunto da população. É ’pra ontem’ a necessidade de criar organismos de frente única dos trabalhadores".

foto: mesa de abertura da reunião da diretoria do Sindicato com PSTU, CTB e PSOL




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