Internacional

CRISE POLÍTICA NA VENEZUELA

Sessenta dias de tensão e crise política na Venezuela

Ontem, 30/05, completou-se dois meses de uma das maiores crises políticas do governo Maduro, sem que se veja alguma saída. Uma crise que tem como pano de fundo a situação econômica catastrófica que atinge fortemente o povo trabalhador.

quarta-feira 31 de maio| Edição do dia

A crise vinha se arrastando em meio a dificuldade política do governo, com baixos níveis de popularidade e agonizante situação econômica, mas deu um salto no fim de março quando o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) lançou duas sentenças que anulavam a imunidade dos parlamentares e atribuíam as competências da Assembleia Nacional ao próprio TSJ e ao presidente Maduro. Medida política que o governo teve que retroceder, expressando assim sua debilidade.

A crise continuou porque o retrocesso do governo passou longe de descomprimir a situação, ao contrário, visto que desde 1º de abril a oposição de direita, aglutinada em torno da Mesa de Unidade Democrática (MUD), se lançava às ruas com marchas e manifestações que não cessaram em nenhum momento, apesar dos altos e baixos. Por sua vez, o governo de Maduro, ao mesmo tempo em que organizava suas próprias marchas nas principais cidades, buscando mostrar força nas ruas, lançava uma forte repressão de Estado, chegando inclusive a utilização de tribunais militares para levar a juízo as pessoas detidas nas manifestações.

Em meio a esse forte giro repressivo, Maduro impôs a aplicação do chamado Plano Zamora, de maior militarização do país, ao mesmo tempo em que decretou um novo Estado de exceção restringindo ainda mais as garantias democráticas. Nesse marco, convocou uma Constituinte “democrática” e “originária”, grande farsa e contrária ao que seria uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana verdadeiramente democrática, que pusesse sobre a mesa o conjunto de necessidades dos trabalhadores e do povo. Pior ainda, Maduro apresentou critérios para eleição de constituintes de modo a garantir sua maioria, inclusive, em seu desvio bonapartista chegou a falar sobre a ativação de uma “constituinte militar”. O confronto entre o chavismo e a oposição de direita tem se desenvolvido muito longe dos reais interesses do povo trabalhador, e no marco de forte polarização política, a classe trabalhadora não se desenvolveu como força política independente, sendo arrastada para a política do governo ou da oposição de direita.

A oposição de direita, encorajada e nas ruas, fala de democracia, mas a MUD e sua demagogia “democrática” é uma verdadeira farsa, ainda mais que esconde todo um plano anti-trabalhador e pró-imperialista. Ademais, Estados Unidos e a direita continental, entre outros países, estão a postos a serviço dessa política. Inclusive, o Senado dos EUA aproveitou a situação para apresentar uma serie de medidas intervencionistas na Venezuela e para fortalecer a direita.

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Tradução de Adriana Paula




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