Política

GOLPE NO SENADO

Sessão no Senado vai até às 2h30 da manhã. Veja resumo até agora

Antes de encerrar essa segunda sessão do julgamento da terça-feira, Lewandowski disse que a sessão de hoje vai até às 2h30 da manhã de quarta-feira. O horário de início amanhã ainda não foi definido, mas provavelmente será pelo período da manhã, quando os senadores votarão em definitivo sobre o impedimento da presidenta Dilma. Como estão as argumentações dos senadores, acusadores e defesa até agora?

terça-feira 30 de agosto| Edição do dia

A sessão desta terça-feira lembrou um pouco a sessão do domingo na câmara dos deputados. Se é verdade que até então o que primava foi o clima de diplomacia entre os senadores, hoje os climas se esquentaram.

As falas de Janaina Paschoal e Miguel Reale Jr. causaram ódio e revolta em boa parte das pessoas que estavam ouvindo, não só por Janaina ter apelado à Deus e mencionado os netos de Dilma, mas também pela sinceridade com que apresentaram as justificativas para o impeachment: poucos argumentos técnicos e jurídicos legítimos e muita política e interesses de agradar setores da elite do país.

O clima esquentou ainda mais quando Aloysio Nunes parou a sessão no meio exigindo intervenção policial para expulsar um deputado do PT que havia gritado "golpista" durante a fala de Janaina.

Mais de 20 senadores falaram até o final da tarde desta terça-feira, onde golpistas e ex-governistas dividiram polêmicas sobre a razoabilidade do texto jurídico de acusação e dos reais interesses por trás do golpe.

Com direito a Collor (PTB-AL) fazendo mea culpa, dizendo que o seu afastamento foi uma articulação de "tramas ardis" e que o de agora é legítimo, vimos também o escravocrata e mega latinfundiário Ronaldo Caiado (DEM) comparando o Brasil com a Venezuela, as acusações do bloco golpista se apoiaram nas manifestações da direita reacionária para justificar o impeachment e muitos citaram a Lava-Jato mesmo tendo inúmeros membros de seu partido envolvidos em várias denúncias (como foi o caso de Lasier Martins - PDT-RS)

Do outro lado, senadores petistas e do PC do B acusavam tucanos e pemedebistas de participarem de um "golpe de classe" da elite e da grande mídia e participar de ação de "ressentidos com derrotas consecutivas nas urnas" (Fátima Bezerra - RN). Gleisi Hoffmann (PT - PR) demarcou os aspectos misóginos do golpe.

Se é verdade que o golpe visa beneficiar os interesses da elite do país e estrangeira para atacar ainda mais os trabalhadores e despejar a brutal crise econômica que vivemos nas costas dos trabalhadores, é verdade também que o PT até agora vem combatendo o golpe com muitas palavras e poucas ações efetivas.

Segundo Eliseu Padilha, um dos principais articuladores do golpe, que fez o mapeamento dos deputados durante a primeira votação na Câmara, braço forte de Michel Temer, anunciou que já possuem número suficiente de senadores para que o golpe seja consumado. Segundo ele, pelo menos 60 senadores já se prontificaram. São necessários no mínimo 54 votos, garantindo maioria qualificada (2/3 do total de 81).

Como disse Diana Assunção, candidata a vereadora em São Paulo pelo PSOL: "golpistas não serão derrotados com discursos, mas com paralisações e ações de rua. A direita que o PT fortaleceu em seus anos de governo, agora se volta não só contra o PT, mas principalmente contra os trabalhadores e a juventude. Temos que fortalecer a política dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, negros e LGBT. Agora está colocado um cenário de um governo mais conservador e reacionário contra as demandas dos setores oprimidos. Temos que combater essa direita golpista, que quer impor ataques e sua moral conservadora de “escola sem partido”, impedir os ataques a classe trabalhadora superando os entraves para sua mobilização que o PT lhe impôs. É hora de resistir à direita e seus ataques tirando lições da conciliação com a direita e com os empresários e erguer uma voz anticapitalista."

A sessão voltará por volta das 19h10, sendo estendida até a madrugada de quarta-feira.




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