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SERVIDORES RIO DE JANEIRO

Servidores sem salário para viver criticam o TJ do RJ que diz que atraso é “mero aborrecimeto”

terça-feira 11 de julho| Edição do dia

(Foto: Marcelo Theobald / Extra)

O atraso de salários gera revolta e precarização da vida dos servidores do Estado do Rio. Representantes dos Servidores do Judiciário criticam as decisões dos magistrados do Tribunal de Justiça que consideraram um “mero aborrecimento” os atrasos de salários, dois justificam que “os atrasos não caracterizam vexame, sofrimento ou humilhação, e que não interferem no comportamento psicológico dos servidores”.

Servidores declaram falta de pagamento há três meses entre atrasos do 13º salário de 2016. O advogado Carlos Henrique Jund que representa alguns casos de servidores diz “ A posição dos juizados é, no mínimo, lamentável e expõe uma significativa diferença de classes no serviço público, pois estes mesmos julgadores estão com suas remunerações em dia”.

Alzimar Andrade diz “É inadmissível que magistrados tenham a coragem de dizer que a falta de três meses de salários seja um aborrecimento, principalmente porque os juízes recebem verdadeiras fortunas e em dia. Com os altos subsídios e imorais penduricalhos dos magistrados, eles estão completamente dissociados da realidade”. Representante do Sindicato dos Servidores do Judiciário.

Presidente da Associação dos Docentes da Uerj Lia de Mattos Rocha declara, “O que nós estamos vivendo no RJ é uma tragédia social. Nossa situação é muito grave e conhecida: colegas com aluguel ou prestação da casa atrasados, com dívidas no banco, sendo sustentados por familiares. Passamos num concurso público e vivemos uma total situação de instabilidade. Não há nenhuma condição material é psicológica de trabalhar assim, por isso decretamos greve a partir do dia 01/08. Essa declaração do TJ é um escárnio”.

Mariah Casanova servidora da Saúde é conhecida entre os funcionários públicos pela luta diária para sobreviver. Sofre com os atrasos de salários, e para garantir sua sobrevivência ela vende amendoim e balas pelas ruas de Niterói, onde mora. Ela declara “Me sinto humilhada diariamente. Não consigo dormir. Ontem, enviei mensagem a amigos e colegas pedindo ajuda para pagar a conta de luz. Não sei o dia nem a semana e nem o mês que vou receber o meu salário”.

Para a psicóloga Ângela Alfano, que também é da categoria de servidores da Uerj afirma que o atraso dos salários pode, sim, gerar humilhação, vexame ou sofrimento:

"Essa situação é uma fonte de estresse importante, e diversos estudos já demonstraram as consequências adversas que o estresse pode acarretar para a saúde física e mental. A combinação aumento de estresse e diminuição da qualidade de vida é um fator de risco para quadros como ansiedade e depressão . A situação gera sofrimento sim, em diversos níveis. Semana passada, uma professora disse que só poderia estar presente alguns dias, por não poder arcar com os custos de locomoção”.




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