Política

CRISE NO RIO

Servidores do Rio sem receber: Pezão e Temer são os culpados!

quinta-feira 22 de dezembro de 2016| Edição do dia

Mais uma vez, na quarta-feira (21), os servidores públicos do estado do Rio de Janeiro puderam comprovar que a palavra do governador e de sua equipe não vale absolutamente nada. Isto porque o calendário de pagamento do salário de novembro, salário que bateu o recorde de atraso e cujo fim do pagamento estava previsto apenas para janeiro, foi cancelado após novo bloqueio das contas do estado pelo tesouro Nacional.

O governo antes propunha pagar R$ 370,00 e R$ 270,00 nos dias 23 e 29 deste mês, jogando o resto do salário de novembro para janeiro e deixando os servidores em uma situação de penúria com contas acumuladas, prestações, sem dinheiro para nem para pôr comida na mesa; agora sequer vai pagar estes R$ 640,00, deixando os servidores sem receber em pleno natal. Nem um novo calendário e nenhuma pista sobre dezembro ou o décimo terceiro o governo apresenta.

O bloqueio de mais 128 milhões das contas do estado soma, com os bloqueios anteriores, 525 milhões. Este valor seria o suficiente para pagar um quarto da folha de novembro, que soma 2 bilhões. Porém, Pezão, amparado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, tem outra prioridade: o pagamento da dívida pública . Uma dívida que só serve para alimentar os banqueiros que vivem de enriquecer dos seus juros. Todos os governos capitalistas, como os de Lula e Dilma a agora do golpista Temer quem está levando adiante ataques combinados junto com o governo Pezão e a ALERJ para garantir a vontade sagrada dos banqueiros.

Mas todos os salários e benefícios dos políticos do alto escalão, dos magistrados aos deputados, com seus gordos salários e auxílios pagos do nosso bolso, estão recebendo tudo em dia. Outro setor que Pezão deu especial atenção foram os fiéis policiais, militares e civis, os servidores da “segurança” que receberam tudo no dia 16, fundamentais para manter a ordem através dos cassetetes e bombas de gás caso os servidores ousem reclamar o que é seu de direito. Policiais aliás, que desde o início da tentativa de aprovar o pacote de ataques de Pezão na ALERJ, tentaram negociar por fora do movimento, uma saída que os excluísse do pacote para que pudessem reprimir os servidores com a consciência tranqüila, mostrando que em nenhum momento foram nossos aliados ou devem contar com nossa confiança.

Pezão, aliás, nem esconde mais o valor que sua palavra (não) tem, quando declarou que — É uma tristeza muito grande (o bloqueio). Tentei junto ao Presidente Michel e ao Ministro Henrique (Meirelles) que fizessem a partir de janeiro. Eles dizem que o tesouro não pode deixar de arrestar — , ou seja, ele mesmo sempre soube que seu calendário era uma farsa para tentar engambelar os servidores. Este bloqueio é uma retaliação da União aos servidores, após a Câmara ter aprovado o “Pacote dos Estados” que refinancia a dívida sem as “contrapartidas” exigidas por Temer, que são privatizações de empresas estatais do Rio decididas a critério do governo federal e o mesmo pacote de ataques à previdência dos servidores desenhado pela ALERJ, e que teve votação adiada até fevereiro. E mesmo assim, Temer declarou que vai exigir estas contrapartidas no momento da negociação. Temer e Pezão são responsáveis por manter os servidores em uma situação análoga à escravidão, aonde se trabalha sem receber, e tudo isto em nome dos ataques exigidos pela burguesia que financiou o golpe, como, por exemplo, a PEC 241 aprovada pela mesma Câmara de Deputados que retirou as “contrapartidas” de Temer.

Exceto os professores, que receberam o pagamento através de um acordo entre o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) e o governo para se utilizar a verba do FUNDEB, todo o funcionalismo recebeu fatias do salário para sobreviver o resto de dezembro. O recebimento do pagamento não pode servir de justificativa para que a direção majoritária do SEPE não mobilize a categoria através de assembleias de base contra mais este ataque do governo. Não apenas porque essa luta é dos trabalhadores em seu conjunto, como os recursos do FUNDEB cobriram o rombo do pagamento de novembro, não irão garantir todos os pagamentos que estado dá calote.

O saldo das contas de alguns servidores é de 370 reais, daí para saldos negativos com o acúmulo de contas para pagar e custo para sobreviver numa das capitais mais caras do país. A comoção já gerou doações de cerca de cinco toneladas de alimento, esta é a situação dos servidores do Rio enquanto os políticos do alto escalão seguem com seus altos salários e privilégios pagos para que salvaguardem a dívida pública.

A luta dos servidores deve ser cercada de solidariedade, a resposta para a crise do Rio e dos estados passa por não pagar esta Dívida Pública que consome metade do orçamento da União fazendo com que agora os servidores estejam sem receber, e que vão para o bolso dos banqueiros.




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