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Serviço Social UERJ paralisa contra a reforma da previdência, assim como fez por Marielle

Nota do CASS – Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ (composto pelo MRT, Pão e Rosas e independentes)

quinta-feira 21 de março| Edição do dia

Serviço Social UERJ paralisa contra a reforma da previdência - Não Vamos trabalhar até morrer!

Que o DCE, entidades estudantis e as centrais sindicais construam um real plano de luta contra a reforma da previdência de Bolsonaro

A PEC da reforma da previdência, vendida por toda a grande mídia como uma forma de acabar com os “privilégios” é na verdade mais um ataque organizado dos bancos, empresários e do governo Bolsonaro aos direitos históricos conquistados pelos trabalhadores. Parte de um projeto de desmonte do Estado e de retirada sistemática de direitos que se iniciou no governo golpista de Temer, a PEC proposta recentemente pelo governo consegue ser ainda mais dura da que foi proposta pelo governo anterior. Agora, apesar de já ter subido à presidência após uma eleição manipulada com atuação fundamental da lava-jato e do judiciário, Bolsonaro defende de forma demagógica esta reforma, alegando que privilégios acabarão e que as mulheres alcançarão mais rapidamente do que os homens a idade para poderem se aposentar.

Sabemos que essa reforma não acabará com privilégio nenhum, muito pelo contrário, ela aprofundará as desigualdades sociais. Teremos que trabalhar por mais tempo para nos aposentarmos, vamos contribuir com valores maiores e ainda seremos obrigados a depositar nossa contribuição previdenciária numa continha de banco privado ou de alguma agência financeira. Nessa PEC, inclusive, há a proposta de criar um mecanismo que obrigará todo o mercado a se adaptar ao regime de capitalização, o que no fim das contas o mais provável é que a juventude e garante parte dos trabalhadores morram antes de terem o direito de se aposentar. Enquanto isso, o suor de nossa produtividade do trabalho vai para o bolso de grandes bancos, os mesmos que financiaram a campanha desse governo autoritário, misógino e corrupto, e que são os mais entusiastas com Bolsonaro, que promete garantir seus lucros e seus projetos de ataque selvagem aos nossos direitos mais elementares. Neste quadro, os pobres, as mulheres, os negros e os LGBT+ serão os setores sociais mais prejudicados pela reforma, já que ocupam hoje os postos mais precarizados, recebem os menores salários e trabalham sob as piores condições de trabalho.

Temos que lembrar que será a nossa geração a mais atacada por esse mercado de trabalho selvagem que pretende ser construído a partir de todo o conjunto de reformas pensado pelo governo Bolsonaro e pelos empresários e banqueiros que o apoiam. É necessário ressaltar ainda que a previdência afeta a todos e todas e por isso esse debate precisa ser constante e a classe trabalhadora e a juventude, seu principal alvo, deve ter total consciência do que ela significa, apesar da propaganda sendo disseminada por aqueles que vão lucrar com ela.

E essa questão deve estar ainda mais presente no nosso curso e na nossa categoria. Pois não somente temos consciência do impacto que esses ataques e a política em geral gera na nossa vida e na nossa profissão, mas também porque afeta os Assistentes Sociais enquanto classe trabalhadora mas também enquanto profissionais, uma vez que tem uma direta ligação com as políticas sociais e questões previdenciárias. Lidamos diretamente com a previdência social e a reforma vai afetar em cheio nossa prática e os direitos dos nossos usuários, como já está previsto acontecer com o próprio BPC (Benefício de Prestação continuada), por exemplo, que cobre idosos e pessoas com deficiência e é uma das políticas mais usadas pelos Assistentes Sociais, em especial na área da saúde, uma das grandes conquistas constitucionais de 1988, que com a "nova previdência" não só o valor recebido vai diminuir dependendo da idade do idoso, mas a idade mínima para receber o valor pleno vai aumentar. Os Assistentes Sociais têm um papel e uma relação importantíssima com a previdência social e fortalecemos essa política, portanto, enquanto futuros Assistentes Sociais, é também nosso dever defendê-la.

A Previdência de Temer caiu na rua, mas agora, cadê o DCE, o PT e a CUT?
Não custa nada lembrar que no ano de 2017, quando Temer tentava impor sua reforma da previdência, houve grandes mobilizações e paralisações em todo o país contra este ataque, as maiores nos últimos 30 anos, mesmo com a já tradicional traição das centrais sindicais que não queriam construir isso até o final com as suas bases, cedendo migalhas a partir das pressões. A classe trabalhadora e a juventude pressionaram o governo e foram chave no recuo da reforma.

E ainda agora, com um governo mais autoritário, inclusive sendo chamado de “fascista”, e com uma PEC da Previdência mais destrutiva debaixo dos braços, as principais centrais sindicais do país (CUT e CTB), dirigidas pelo PT e PCdoB - que dirigem também a UNE que reúne diversos DCE’s pelo país e poderia ser capaz de mobilizar milhares de estudantes - novamente baixam a bola e preferem não organizar um combate à altura contra essa iniciativa criminosa do governo Bolsonaro. A CUT prefere conversar com o ultrarreacionário e golpista general Hamilton Mourão, vice-presidente desse governo, do que confiar na força da mobilização de suas próprias bases. O PCdoB, recente deu apoio a Rodrigo Maia, o principal articulador de Temer da reforma da Previdência. E a UNE segue sem efetivamente colocar suas forças para organizar os estudantes pela base em cada universidade, centros e diretórios acadêmicos que dirigem pelo país.

Está sendo convocado no próximo dia 22 (sexta-feira) uma paralisação nacional contra a reforma, votada pela cúpula das principais centrais sindicais, que poderia e deveria ser um dia importante de mobilização, porém, mais uma vez, não existe nenhuma construção efetiva por parte das próprias centrais e suas inúmeras entidades. Diante do ataque que estamos vendo era fundamental que estivessem sendo organizadas assembleias de base em cada local de trabalho e estudo para que este dia de lutas se efetive concretamente, porém nada disso é feito.

Só com a classe trabalhadora e a juventude juntas e verdadeiramente organizadas conseguiremos barrar esse golpe que já está mirado na cabeça de cada trabalhador!

Assim, exigimos do DCE da UERJ, formado pelo PT, PC do B, Levante Popular da Juventude e Coletivo Marighella, convoquem assembleias para que os próprios estudantes possam deliberar e dinamizar esta luta, organizando um plano de luta sério, organizado desde os cursos, em articulação com outras universidades e setores para massificar a luta e fazer frente ao governo Bolsonaro. O DCE tem organizado ações que não são efetivamente construídas na base dos estudantes e, por isso, são insuficientes frente o que está colocado e essa falta de comprometimento real só demonstra que não estão preocupados em organizar o movimento estudantil para barrar esse ataque como não organizaram verdadeiramente a luta contra o golpe e contra os ataques que vieram desde então. Colocamos também uma exigência o PSOL, que com seu peso, principalmente no Rio de Janeiro, poderia estar auxiliando na construção de um dia massivo de forma bem mais concreta, porém também não tem organizado concretamente sua base a partir dos locais que dirige nem exigindo o mesmo das centrais.

Essa é a moral e a ideia de entidade política de luta que tem a gestão Por Isso me Grito do CASS (Centro Acadêmico de Serviço Social) e nos orientamos por esses princípios. Por isso buscamos sempre construir na base cada batalha contra os ataques aos nossos direitos, fizemos um chamado aos estudantes do curso de Serviço Social, assim como para toda a UERJ, que participássemos com força nos atos do dia das mulheres (08/03), paralisamos o curso por Justiça para Marielle Franco no dia em que se completou 1 ano da sua morte (14/03) e fizemos um chamado às entidades da UERJ (DCE, ASDUERJ e SINTUPERJ) para que fizessem o mesmo, organizamos junto da Geografia, desde assembleias e reuniões de base, dezenas de estudantes numa paralisação que demonstrou a força e a disposição para enfrentar o governo Bolsonaro, a direita e os ataques.

Ontem votamos paralisar o curso, efetivando o indicativo tirado na assembleia do dia 12/02 e Estaremos presentes no ato do dia 22. Queremos chamar a todos os estudantes que se colocam contra a reforma da previdência a participarem do ato e também a se juntarem a nós no chamado para que as centrais e entidades construam desde a base um plano de luta efetivo capaz de colocar a força da juventude e dos trabalhadores em movimento para barrar esse ataque!




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