Política

Serra: "Bolívia e o Equador poderiam aprender a fazer democracia com o que se passou no Brasil’’

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

O golpe institucional foi ‘’inevitável’’, defende o ministro golpista das Relações Exteriores do Brasil, José Serra. Em entrevista a EL PAÍS, em Hangzhou (China), onde integra a delegação brasileira que participa da cúpula do G-20, iniciada neste domingo. O chanceler do governo Temer reforçou que o golpe só ocorreu porque ‘’Houve uma transgressão, gastos não autorizados pelo orçamento. É um crime, e a justiça deu respaldo’’. Novamente precisando tentar formas de explicar o golpe institucional como uma medida natural da democracia.

No Brasil estão acontecendo inúmeros atos contra esta manobra reacionária. Órgãos como a Comissão de Interamericana de Direitos Humanos, em Washington, expressaram sua preocupação com o golpe. Países como Equador, Bolívia e Venezuela retiraram seus embaixadores do Brasil. Serra não da importância ás criticas: os três países ‘’bolivarianos tem seus problemas internos e uma boa maneira de desviar deles é referir-se á experiência do Brasil’’.

De acordo com o ministro golpista: ‘’Acredito que particularmente a Bolívia e o Equador poderiam aprender a fazer democracia com o que se passou no Brasil. E o da Venezuela é pura provação. Considero que o regime venezuelano não merece nenhum respeito porque é um regime antidemocrático que desorganizou o país’’
Quanto ás manifestações contra o governo golpista que está ocorrendo nas cidades brasileiras, José Serra classifica: ‘’são muitos pequenas, quase nada. Cinquenta, 100 pessoas. Fazem muito barulho, chamam a atenção, mas não são praticamente nada’’. Segundo o ministro golpista e ex – candidato presidencial em duas ocasiões, as criticas tem sido maiores no exterior onde ‘’houve um exagero por parte de órgãos importantes de informação publica’’. E para justificar esta tese cita tanto o número de votos a favor obtido no Legislativo em cada etapa do processo como os índices de popularidade de Dilma.

O que na verdade, José Serra quer com o seu discurso na cúpula do G-20 é estar na linha de frente no giro á direita na América Latina. Fica claro que o papel que o ministro golpista das relações exteriores vai cumprir na América Latina, vai ser de um agente colaborador do imperialismo para alinhar os restantes dos países que estão passando por governos chamados ‘’pós – neoliberais’’, nas suas políticas neoliberais.

Tanto é que José Serra, no alto do seu pedestal, diz querer ensinar a lição de ‘’democracia’’ do Brasil para estes países. Por trás da palavra ‘’democracia’’ neste caso, significa saber privatizar, atacar os direitos trabalhistas, sociais e se voltar contra a vontade de 54 milhões de votos. O que o José Serra quer para os outros países é que se alinhem a essa política a todo custo, tal como no Brasil com o golpe institucional.

A "democracia" que o golpista José Serra quer levar para outros países, permite que o voto de milhares de pessoas seja sequestrado por uma camada de parasitas corruptos. Apoia – se no fato de que milhares de pessoas estavam insatisfeitos com o ex – governo Dilma por conta dos ajustes e casos de corrupção, para tirar este governo através de um golpe e colocar outro que faça mais ajustes e que esteja envolvido em mais casos de corrupção.

Na "democracia" de José Serra não entram as 100 mil pessoas que foram ás ruas de São Paulo nesse domingo. O que estamos vendo são as manifestações contra o governo golpista de Michel Temer ser absurdamente reprimidos pela polícia, chegando da ação da policia está em desacordo com o que a própria lei burguesa estabelece. A democracia que o José Serra defende é a expressão mais suja e degradada da democracia burguesa.




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