Política

REACIONARISMO

’Será tratado exatamente como qualquer outro’, diz Witzel sobre caso Marielle

Ao tratar “qualquer um” colocando como corriqueira as mortes quase que cotidianas da população negra e pobre do Rio, não só é complacente com as vidas levadas pela polícia, mas como aliado a um estado mais racista e violento. Essa é a expressão de um candidato que leva a repressão e o ódio instrumentalizados contra as minorias, trabalhadores e a população pobre.

segunda-feira 8 de outubro| Edição do dia

Foto: JovemPan [Legenda foto: Witzel estava ao lado dos deputados, na hora em que a placa em homenagem à vereadora do PSOL foi destruída.

Marielle Franco, parlamentar mulher, negra e de esquerda, assassinada brutalmente dia 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro mostrando a farsa da democracia burguesa calando uma voz contra os golpistas e seus ataques. A reação foi imediata, com atos massivos marcados por todo o país expressando toda a dor e ódio da execução de Marielle e Anderson. O rechaço massivo nas redes sociais também repercutiu na exigência de justiça e um sentimento político contra a intervenção federal, a violência policial e os avanços sobre os direitos que burguesia vem fazendo desde o golpe institucional.

Meses depois a investigação não dá resposta e pouco se sabe como anda.

Mônica Benício, viúva de Marielle, denuncia a precariedade da investigação e pede proteção devido às ameaças de morte que vem sofrendo. Tudo isso mostra a fragilidade e inconsistência dessas investigações que nem intimidam os culpados.

No meio das eleições mais manipuladas e antidemocráticas, Wilson Witzel do PSC (com mais de 40% dos votos válidos), que disputa o segundo turno pelo Governo Fluminense com Eduardo Paes (DEM) se pronunciou sobre Marielle Franco para a Agência O Globo:

A investigação desse caso (Marielle) será tratada exatamente como qualquer outro caso. Fui juiz criminal, tenho muita experiência para passar para os delegados — afirmou.

Continuou a expressar sobre seu projeto de governo que pretende aumentar a violência policial, alinhado com o discurso mais reacionário da campanha à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Vamos criar universidade da polícia, os delegados vão receber orientações. Vamos ter que dar mais efetividade às investigações em relação a homicídios. Prometi criar uma delegacia de homicídios no Norte do estado e uma no Sul. Outras medidas processuais serão tomadas para ajudar. — completa.

O ex-juiz federal, durante a campanha, afirmou que os policiais devem “abater” bandidos armados com fuzil.

Ao tratar “qualquer um” colocando como corriqueira as mortes quase que cotidianas da população negra e pobre do Rio, não só é complacente com as vidas levadas pela polícia, mas como aliado a um estado mais racista e violento. Essa é a expressão de um candidato que leva a repressão e o ódio instrumentalizados contra as minorias, trabalhadores e a população pobre.

Precisamos batalhar por uma investigação independente bancada e garantida com recursos do estado com figuras reconhecidas da sociedade civil e dos direitos humanos para que ela efetivamente seja levada a sério. Não podemos nos intimidar diante do avanço desta extrema-direita saudosa da ditadura e defensora da violência generalizada contra trabalhadores e setores oprimidos: é preciso se organizar e lutar, para combater o golpismo, o judiciário e os reacionários nas ruas. O Esquerda Diário repudia veementemente os ataques contra a morte de Marielle Franco e Anderson, vítimas de um Estado repressor e racista.

Confira também o Dossiê: 6 meses sem justiça por Marielle Franco




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