Teoria

EPMARX - NORDESTE

‘Sempre vinculamos o pensamento teórico à luta de classes’, diz Gonzalo Rojas em entrevista sobre evento de marxismo

Entrevistamos Gonzalo Rojas, professor de ciências sociais da Universidade Federal de Campina Grande (PB) e especialista política latinoamericana e parte da equipe do Esquerda Diário nordeste. Nesta entrevista, realizada durante a última edição do EPMARX, maior encontro acadêmico de marxismo do nordeste, realizado em novembro desse ano em João Pessoa, conversamos um pouco sobre o papel do encontro e os rumos do marxismo na região. A entrevista foi realizada por Iuri Tonelo, editor do portal Esquerda Diário.

sábado 26 de novembro| Edição do dia

ED: Qual o papel que o EPMARX tem para a academia e para o Nordeste?

Prof. Gonzalo: O EPMARX é muito importante na academia pois, diferente de muitos eventos vinculados ao marxismo ou críticos, nós apresentamos uma visão ofensiva do marxismo. Em um contexto de crise capitalista mundial, de crise orgânica, vemos um giro superestrutural à direita na política na América Latina e são dadas diferentes resposta, de um lado resposta de ultra-direita, como vemos na Europa ou nos Estados Unidos, mas também nós temos um campo gigantesco para o anticapitalismo e para oferecer uma visão ofensiva do marxismo. Não temos um marxismo que estuda só em termos acadêmicos e não se preocupa com a articulação entre teoria e práxis e pela intervenção na luta de classes. Esse é um diferencial bem importante do EPMARX como evento.

ED: Como foi o EPMARX e como se desenvolveu este evento, que ano passado ocorreu em Campina Grande (PB)?

Prof. Gonzalo: Organizamos o evento ano passado e, a partir dele, conseguimos entender tendências que estavam acontecendo no âmbito da crise capitalista mundial, quanto no âmbito da crise dos governos “pós-neoliberais” na América Latina. De fato, a primeira mesa foi sobre o fim de ciclo dos governos na América Latina quando Macri ainda não tinha ganhado as eleições argentinas e quando ainda não havia o golpe institucional no Brasil, mas se enxergava um fim de ciclo na superestrutura política. Conseguimos colocar temas que tinham relação com as tendências mais profundas do que estava acontecendo, mas sempre na perspectiva de colocar um conjunto de fenômenos que tivessem relação com a luta de classes.

ED: Como você vê o evento desse ano, em João Pessoa (PB)?

Prof. Gonzalo: O evento desse ano também tem relação com o do ano passado. Com a crise mais profunda no Brasil, depois do golpe institucional houve uma ofensiva brutal sobre os trabalhadores. É importante destacarmos a mesa que Diana Assunção participou, onde ela conseguiu falar da relação entre marxismo e luta de classes no Brasil e fazendo uma análise crítica do capitalismo e mais especificamente das políticas e dos ataques à classe trabalhadora por parte do governo Temer. É importante vermos esses fatos com uma perspectiva política também, por isso a contribuição de Diana foi bastante qualitativa. Do ponto de vista da luta de classes é importante termos o olhar sobre as ofensivas, mas não somente pensar em como nos defender mas também pensar que possiblidades temos a partir desses pontos de apoio para sairmos da defensiva de uma vez por todas.

ED: Como você vê a perspectiva do marxismo no Nordeste? Como membro de um grupo de pesquisa em Campina Grande você pode falar um pouco dele e dos outros grupos do Nordeste?

Prof. Gonzalo: Fazem 10 anos que fazemos parte do grupo Práxis, que é um grupo de estudo sobre Estado e Luta de Classes na América Latina onde víamos estudando os governos “pós-neoliberais”, quais eram as frações de classe que constituíam esse governos, os blocos de poder, seu significado histórico e por que não avançavam o socialismo até o final desses governos em seus momentos de maior força, na década passada, analisando sempre na perspectiva da independência política da classe trabalhadora, que para nós é importante. A independência dos políticos, dos patrões, do Estado tem inspiração no Partido dos Trabalhadores Socialistas na Argentina, mas também a partir da experiência da FIT e do sindicalismo de base na Argentina e do movimento estudantil no Chile. Esses elementos são muito importantes, pois nosso grupo não pretende somente estudar a conjuntura política da América Latina de uma perspectiva passiva, mas também que tenhamos relação com os fenômenos de intervenção na luta de classes e nos fenômenos políticos que estão acontecendo.
No que consiste o EPMARX Nordeste: agrupamos um conjunto de grupos de pesquisa heterogêneos da região, sempre buscando essa perspectiva, alguns grupos com mais avanço, outros menos, mas sempre vinculando o pensamento teórico a luta de classes.




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