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Seminário Trotsky na PUC-SP debate a Revolução Russa e sua importância para a atualidade

segunda-feira 6 de agosto| Edição do dia

A primeira mesa do Seminário Trotsky PUC-SP lotou o auditório do campus Monte Alegre na última quinta-feira (02). Essa mesa inicial, acerca da monumental História da Revolução Russa de Trotsky, foi composta por Alessandro de Moura, prof. do dpto. de história da PUC-SP, Maurício Parisi, historiador e militante do PCB, e Edison Urbano, mestre em história social pela PUC-SP é dirigente do MRT. Alessandro discorreu sobre o “ensaio geral” da Revolução de 1905 e a relação entre a teoria marxista do Estado, e sua aplicação na análise dessa revolução por parte de Trotsky em seu Balanços e Perspectivas, por um lado, e a filosofia política clássica, por outro. Maurício comparou à História... de Trotsky, em que se expõe a teoria do desenvolvimento desigual, a O desenvolvimento do capitalismo na Rússia de Lenin e ao debate historiográfico sobre a transição entre o feudalismo e o capitalismo.

Já Edison buscou a atualidade do pensamento de Trotsky à luz da recente publicação de Estratégia Socialista e Arte Militar, de autoria de Emilio Albamonte e Matias Maielllo, partindo também de homenagear a luta das mulheres argentinas pelo direito ao aborto, uma conquista da Revolução Russa, que o legalizou pela primeira vez na história até que a contrarrevolução stalinista o proibiu novamente em 1936. Entrando no debate sobre a estratégia soviética como a maior experiencia de democracia operária na história, assim como a importância da atuação do partido revolucionário para construir força material para se enfrentar com o capitalismo.


Edson fez a mesa usando lenço verde em referencia a luta pela legalização do aborto na Argentina

Colocando o debate no terreno da intervenção na realidade, na medida em que nossa apreciação da história não pode ser algo passivo e escolástico, mas sim olhar a história e teorizar sobre ela para tirar lições do passado e atuar no presente. Deixando uma lição fundamental dos revolucionários russos, que foi a independência de classes, principio abandonado hoje por grande parte da esquerda reformista que assinou junto um manifesto político com o PT, PCdoB e partidos burgueses tal como PSB, do governador de São Paulo Marcio França e PDT de Ciro Gomes e Kátia Abreu.

As intervenções tanto da mesa quanto da plateia situaram no primeiro plano o debate sobre o stalinismo, debate este que, lamentavelmente, ainda não foi superado por parte da esquerda. Às críticas de que a teoria da burocracia seria uma “imanência auto-explicativa” e “típico-ideal” de inspiração weberiana, Edison respondeu que a análise que Trotsky desenvolve em seu A Revolução Traída jamais foi superada e, pelo contrário, é tão materialista e dialética que todas as defesas “modernas” do stalinismo têm de partir daquilo que o próprio Trotsky já assinala: o relativo atraso russo, o isolamento, a destruição da Primeira Guerra Mundial e a guerra civil revolucionária.

A suposta “internacionalização da revolução” por parte do stalinismo no pós-2ª Guerra também foi desmistificada, na medida em que processos como o chinês, cubano ou iugoslavo não produziram uma re-organização internacional dos revolucionários tal qual a fundação da III Internacional em 1919 e que suas lideranças stalinistas perseguiam toda e qualquer tendência política independente do partido dirigente do regime. Muito ao contrário de um fator revolucionário mundial, o stalinismo foi um fator de estabilização da ordem mundial do pós-2ª Guerra, ordenando o desarmamento das milícias partisans na França, Itália e Grécia, dirigidas pelos Partidos Comunistas, e a reconstituição da democracia capitalista sob a palavra de ordem: Um só Estado, uma só polícia, um exército.

As intervenções dos militantes do MRT e da Faísca combateram as tentativas de reabilitação e relativização do stalinismo e questionaram a possibilidade de uma reconstituição do marxismo revolucionário no século XXI que não passe pela afirmação da justeza e da correção das ideias de Trotsky e toda sua luta contra a burocracia stalinista, que foi ela própria o principal agente da restauração capitalista na Rússia.




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