Política

GUERRA DE BOLSONARO CONTRA AS UNIVERSIDADES

Sem verba e com o imenso corte às universidades públicas, Ifes declara que só funcionará até setembro

Na esteira dos cortes de Bolsonaro às universidades e aos IFs, o Instituto Federal do Espírito Santo avisou que só terá verba para funcionar até setembro.

sábado 4 de maio| Edição do dia

Além dos ataques já conhecidos do governo, Bolsonaro declara guerra aos estudantes.. Após o anúncio do um imenso ataque às universidades e institutos federais de educação, onde o secretário da Educação Superior do MEC informou que o bloqueio de verbas decretado inicialmente para 3 universidades vale, na verdade, para todas instituições em 2019, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) só irá funcionar até setembro.

Frente ao informe, houve a mobilização de centenas de estudantes em Vitória

Para além do ensino que atende 35.664 alunos, o Ifes mantém campus agrícola e uma série de outras atividades. Segundo o reitor do Ifes, Jadir Pela, o instituto já vem fazendo ajustes em suas despesas há pelo menos três anos, reduzindo gastos com manutenção e segurança inclusive com áreas sem profissional, para a contenção de despesas.

Precisamos desde já preparar a nossa resposta: no próximo dia 15, está sendo chamada uma paralisação nacional dos professores contra a reforma da previdência, em que essa categoria pode ser de novo linha de frente desse combate, assim como foram no dia 22 de março. Mas outro dia, separado, também está sendo chamado pelas centrais sindicais, 14 de junho, uma política que isola os professores e não nos ajuda a reunir forças contra os ataques de Bolsonaro.

As centrais sindicais vêm sendo parte da enorme trégua a Bolsonaro, no 1º de Maio “unificado” em São Paulo, Paulinho da Força defendeu a Reforma da Previdência e Ricardo Patah da UGT disse contra a construção de uma greve geral, já CUT e CTB gritam “rumo à greve geral” mas não organizam assembleias nos locais de trabalho para que o dia de paralisação seja real.

Por isso, acreditamos que o dia 15 deve ser um dia de paralisação de todas as categorias e que o movimento estudantil tem como tarefa não deixar os professores sozinhos e também paralisar neste dia. Mas sabemos que a majoritária da UNE, com a política levada pelo PCdoB (que apoiou Maia na Câmara) e correntes do PT, que chegaram até mesmo a adiar a data do CONUNE para dias úteis em que jovens trabalhadores não poderão participar, representa um entrave à nossa organização. Para superar essa burocracia precisamos exigir assembleias em cada universidade dos nossos centros acadêmicos e DCEs e exigir que a UNE, enquanto entidade estudantil nacional, articule essas assembleias por todo país, já que não podemos aceitar qualquer divisão das nossas forças.

Contra a política de sucateamento de Bolsonaro, é preciso não apenas defender as universidades e institutos federais dos ataques do governo mas também é necessário questionar seu caráter, visto que muito do conhecimento produzido atualmente lá acaba sendo voltado aos interesses de empresas que fazem o que querem, além de ainda ser um lugar acessível a apenas uma parcela minoritário da juventude.

Por isso, é necessário lutar por uma universidade que realmente atenda às necessidades dos trabalhadores e do povo pobre, levantar o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, para que a juventude pobre e negra que tem que amargar dívidas para bancar suas matrículas possa ver porque defender a universidade pública, e também lutar para erguer outra universidade, em que a pesquisa científica seja livre das amarras do lucro capitalista e possa servir para resolver as grandes mazelas sociais.

Ligamos isso à luta pelo não pagamento da dívida pública para investir num plano de obras públicas que busque resolver o problema gritante do desemprego, que atinge sobretudo a juventude, com a anulação da reforma trabalhista e da lei de terceirização irrestrita, defendendo a redução das horas de trabalho sem redução de salário. Defender o não pagamento da dívida pública também é lutar para ter aposentadorias dignas, se contrapondo às falácias dos que querem colocar a necessidade da reforma da previdência, além de lutar para que tenhamos recursos à educação.

Nós da Faísca lutamos em cada universidade para unificar nossas forças com os professores, e vamos exigir das nossas entidades assembleias bem construídas que possam servir para que os estudantes decidam que no dia 15 de maio vão estar juntos com os professores da rede pública, porque sabemos que esses estão sofrendo dia a dia com uma escola e uma educação cada vez mais precarizada, e porque se hoje são eles, amanhã seremos nós. Precisamos mostrar ao Bolsonaro qual “retorno imediato” podemos dar à sociedade quando a juventude se organiza junto aos trabalhadores, que é a possibilidade de derrotar seus planos.

É por uma juventude marxista e revolucionária que batalhe por um movimento estudantil anti-imperialista, que rechaçe a tentativa de golpe na Venezuela, anti-burocrático e anticapitalista que nós da Faísca e do Pão e Rosas queremos construir o dia 15 de Maio junto aos professores e chamamos todos os estudantes e coletivos que estejam abertos a dar essa batalha conosco a debater conosco como levar essas ideias ao CONUNE.




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