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CORONAVÍRUS

Sem testes e respiradores, Baixada Santista já é 2ª região com mais casos no estado

Baixada Santista que foi castigada pelo descaso dos governos com a chuva que devastou a região em março, deixando pelo menos 43 mortos e centenas de desabrigados, agora é atingida fortemente pelo avanço do coronavírus.

terça-feira 26 de maio| Edição do dia

Imagem: Seport/ Reprodução

No Estado de São Paulo, a Baixada Santista já concentra o maior número de casos e mortes por covid-19 fora da região metropolitana, epicentro da doença. Se, em um primeiro momento a disseminação foi provocada pelo alto fluxo de visitantes, agora a transmissão acontece devido à própria conectividade entre as cidades da região, segundo o professor Raul Borges Guimarães, especialista em geografia da saúde da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em entrevista ao Estado de São Paulo: "As cidades dessa faixa do litoral são muito conectadas entre si", explicou.

Com metade da população, os nove municípios da Baixada Santista tinham, nesta segunda-feira, 25, praticamente o dobro de casos e mortes de coronavírus do que as cinco maiores cidades do interior de São Paulo. Com 1,8 milhão de habitantes, essa região do litoral paulista atingiu 6.088 casos positivos e 328 mortes. No interior, Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Sorocaba e São José do Rio Preto, com população de 3,7 milhões, somavam 3.752 casos e 159 óbitos. Santos, a cidade litorânea mais atingida, com 433 mil habitantes, tinha 2.700 casos e 107 mortes, enquanto Campinas, de 1,2 milhão de habitantes e com maior número de casos no interior, registrou 1.335 casos e 53 mortes. Comparada a São José dos Campos, que fica praticamente à mesma distância da capital, a cidade da Baixada tem pelo menos o triplo de casos e mortes. Em São José, de 722 mil habitantes, eram 665 casos e 31 mortes.

Pela falta de testes, não há como confiar nesses números, que estão fortemente superados por conta da sub-notificação que impõe o governo estudal de Doria e de Bolsonaro, mais preocupado com a cloroquina.

Conforme o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), cerca de 5 milhões de visitantes procuram as praias da região todos os anos, principalmente no verão. Somente Praia Grande, a segunda cidade mais infectada, com 1.425 casos e 53 mortes, recebeu 2,4 milhões de turistas em 2019. Praia Grande aparece em 11.o lugar entre as cidades brasileiras que mais recebem turistas, atrás apenas de capitais de estados. Outros 2,4 milhões visitaram Santos e Guarujá. A maioria dos visitantes procede da capital e costuma descer a serra apenas para lazer.

Na sexta-feira (22), o órgão disse que fez pedido feito há um mês de 137 respiradores para os hospitais da região para reduzir a ocupação de leitos de UTI, ao invés de buscar reconverter a produção das fábricas locais. Só em Santos, a taxa de ocupação atingiu 83% no domingo. Na rede privada, a ocupação era ainda maior, de 90%. Do total de 421 pacientes internados na cidade, 228 (54%) eram de outros municípios. Para o infectologista Marcos Caseiro, do comitê da Covid-19 na região, a Baixada Santista está com o número de casos em ascensão e corre risco da falta de leitos hospitalares. "Não estamos falando de pacientes que ficam dois, três dias na UTI. Falamos de enfermos que ficam, em média, 22 dias", disse.

Para o professor Raul Guimarães, especialista em geografia da saúde da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Santos e Campinas fazem parte do que se denomina macro metrópole paulista, com áreas urbanas muito conectadas. "A proximidade com São Paulo é maior e a conectividade é mais forte do que com São José dos Campos e Sorocaba. Infelizmente, o crescimento dos casos na Baixada Santista seria inevitável. Mas, agora a transmissão ocorre na própria população da Baixada Santista que, aliás, proporcionalmente tem mais idosos do que a cidade de São Paulo, o que aumenta o risco de casos graves."

Com informações da Agencia Estado




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