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SEM TESTES

Sem testagem massiva, número de mortes por Covid-19 em SP é 168% maior

Não apenas a subnotificação, mas também a falta de estrutura para lidar com a pandemia são as causadoras da alta porcentagem.

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

O epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, afirmou que o número de mortes provocadas pelo Covid-19 na cidade de São Paulo na realidade é 168% maior do que o número oficial. Segundo Lotufo, essa análise é baseada nos dados fornecidos para o G1 pelo Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AM), que indica que, em São Paulo, o número de mortes por causas naturais aumentou em 743 casos em março, com relação aos últimos cinco anos. Em meses normais, sem a pandemia, como o mês de janeiro e fevereiro desse ano, a média de mortes continuou a mesma dos últimos anos.

Entretanto, dessas 743 mortes, apenas 277 foram registradas oficialmente como causadas pelo vírus, enquanto outros 243 casos são atribuídos a síndrome respiratórias. O total de mortes, 743, é chamado de “excesso de mortalidade por todas as causas”, o que significa, como explica o epidemiologista, que não apenas devem ser levados em conta os casos de covid-19 para que possamos analisar os impactos da pandemia em um determinado local, mas o total do número de casos a mais em relação à média, uma vez que com a pandemia, doenças e demais causas de mortes que antes eram tratadas facilmente, encontram uma grande dificuldade, uma vez que os hospitais se encontram mais lotados, o caos nos centros de saúde são absurdamente maiores, o que impacta em todos os casos de urgência e até mesmo a longo prazo.

Dessa forma, como continua explicando Paulo Lotufo em entrevista ao G1, a única forma de saber realmente a proporção do impacto de uma pandemia é levando em consideração a quantidade de mortes por causas naturais no período em questão.

Esses dados apresentados pelo epidemiologista só escancara a subnotificação de infectados, que só pode ser resolvida com testes massivos para toda a população. O discurso obscurantista de Bolsonaro, que nega o tamanho da crise e auxilia em sua aprofundamento, só endossa a falsidade nos números divulgados. Além disso, é inaceitável que se deixe morrer pessoas por falta de espaço e tratamento, é urgente um sistema de saúde que unifique todos os leitos disponíveis, tanto públicos quanto privados, a serviço dos trabalhadores, além da ampliação dos leitos para atender as necessidades dos pacientes.




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