Educação

RIO GRANDE DO SUL

Sem salários, os professores do RS devem se erguer contra Sartori!

Jones Adriano Gaio

Professor da rede estadual do RS

quarta-feira 7 de março| Edição do dia

Muitos professores iniciam o ano letivo com energia renovada, saudades dos estudantes e com vontade de ensinar. E já na primeira semana mais um golpe do governo Sartori faz com que muitos educadores percam a esperança. Mal tem início o ano letivo de 2018 e mais uma vez os professores e funcionários do magistério estadual não recebem o salário. As dívidas se acumulam após mais de um ano de parcelamentos, congelamento de salário e milhares de professores e funcionários não sabem mais o que fazer para sobreviver. Muitos estão sobrecarregados de dívidas e empréstimos. Outros se exoneram abandonando a profissão.

O secretário da educação, Ronald Krumenauer, não economiza hipocrisia quando afirma que “se arrepende de não ter fechado mais turmas”. Essa é a política para a destruição da educação pública no Estado. Sem investimento em educação, formação e valorização dos professores, a falta de perspectiva para a juventude e a violência social irão atingir níveis ainda mais alarmantes. Uma geração de educadores e de jovens estudantes está tendo sua vida sabotada de forma criminosa pelo governo Sartori.

Sartori trata a educação como mais um custo para o estado. Essa concepção vem de uma política neoliberal e excludente que aumenta ainda mais a desigualdade social. Educação não é custo. É investimento na sociedade e no futuro.

Mas o pior de tudo não é isso, pois não se esperava nada diferente vindo de Sartori. A tragédia absoluta é ver a total inércia, omissão e silêncio por parte da direção do nosso sindicato CPERS diante dessa situação desesperadora que assola o magistério estadual.

Após uma greve de 94 dias em 2017, os professores e funcionários de escola deram uma enorme demonstração de indignação, revolta e vontade de lutar contra o sucateamento da educação. Foram assembleias lotadas, comitês de base sendo formados, amplo apoio das comunidades escolares, chegando a um momento em que 80% da categoria estava em greve.

Foi nesse momento de ascenso que a categoria sofreu um golpe daqueles que se dizem seus representantes. A direção do sindicato CPERS (nosso instrumento histórico de luta e resistência), comandada pela CUT/CTB começou a operar no sentido de frear a greve, desmobilizar a categoria fazendo de tudo para enfraquecer o movimento e mostrar para Sartori que pode controlar o movimento e negociar “por cima” com o governo. A própria presidente do CPERS, Helenir Schurer chegava ao absurdo de ordenar via rede social as direções de núcleos encherem ônibus para votar contra a greve na assembleia geral.

E de fato foi o que aconteceu: a direção do nosso sindicato negociou a portas fechadas com Sartori a liberação dos dirigentes sindicais (seus próprios interesses), traiu a nossa luta e desmantelou o nosso movimento sem ter nenhuma proposta de negociação por parte do governo que atendesse minimamente as nossas reivindicações. E com a estratégia consciente de desgastar o governo Sartori, deliberadamente jogou um balde de água fria na greve com o objetivo de canalizar a insatisfação e o ódio contra Sartori e Krumenauer para as urnas nas próximas eleições para governador do estado. A traição foi tão absurda, que a direção central do CPERS chegou a adotar o mesmo discurso derrotista e desmobilizador da RBS.

Os núcleos dirigidos pela oposição à direção central, como o 38º e 39º, tampouco ofereceram uma alternativa à estratégia da direção central na greve passada, sem organizar desde a base o movimento que pudesse se unificar com outros setores e avançar contra Sartori. É preciso exigir dos núcleos dirigidos pela oposição que organize assembleias e toque a luta em cada escola para erguer o movimento.

Apesar da traição da direção central, mesmo assim nossa greve e mobilizações junto de outros servidores conseguiram frear o plano de ajuste do governo Sartori. Atrasamos a votação do pacote de privatizações da CEEE, Sulgás e CRM para este início de ano e o governo não conseguiu aprová-lo. Não fosse a forte greve que fizemos, certamente o cenário teria sido diferente. Isso mostra o quanto a nossa greve poderia ter se transformado em uma grande causa popular capaz de derrotar Sartori em toda linha se não fosse pela política de contenção da direção central.

A categoria dos trabalhadores do magistério público estadual precisa tomar uma atitude diante dessa situação de humilhação por parte do governo e traição por parte dos que se dizer representar uma categoria de luta. Temos que tomar o CPERS nas nossas mãos e varrer aqueles que traem nosso movimento e negociam com o governo a fim de satisfazer seus próprios interesses. Temos que lutar contra Sartori e Krumenauer e colocar em movimento nossa ferramenta histórica que é o sindicato que está nas mãos de uma burocracia traidora. É preciso construir comitês de professores desde a base, em cada escola, exigir assembleias de núcleo e denunciar as vacilações e traições das direções sindicais que não fazem o seu papel de organizar a resistência e a luta. É urgente transformar nosso sindicato novamente em um instrumento de luta que possa colocar Sartori contra a parede para defendermos nossa gloriosa profissão e recuperarmos nossa dignidade enquanto educadores.




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