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SAÚDE

Sem salário e em greve, residentes em saúde fazem greve no DF

Na tarde dessa segunda-feira, trabalhadoras e trabalhadores residentes da Residência Multiprofissional em Saúde da Família com ênfase em Saúde da População do Campo da Fiocruz-Brasília fizeram uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde. Esse ato ocorreu diante da paralização nacional das/dos residentes em saúde, em decorrência do não-pagamento e atrasos nas bolsa-salários de residentes em todo o Brasil. Uma dessas trabalhadoras, J, faz parte do Comitê do Esquerda Diário DF/GO.

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

imagens: Wagner Santos

Os residentes estão completando mais de dois meses sem receber a bolsa-salário, o Ministério da Saúde tinha o prazo de pagar os meses de março e abril até o quinto dia útil (08/04) e não o fez. É inadmissível o descaso e o desrespeito a desvalorização do trabalho desses profissionais. Trabalhar em meio a pandemia já é considerado um risco, por si só, e esse desafio é superado diariamente. Muitos profissionais se encontram em sofrimento mental, pois são inúmeros os problemas, como a falta de recursos financeiros, materiais, humanos, dentre outros.

Os profissionais de saúde de Planaltina foram convocados para trabalhar nos postos “drive-thru” para testes de coronavírus, inclusive os residentes, que irão atuar na linha de frente. Questiono, com quais condições mínimas que esses profissionais serão submetidos? Pois nem sequer receberam a bolsa-salario e arriscam as suas próprias vidas. O mais chocante é que nem todos os profissionais serão testados, pois para cada três UBS serão selecionados e testados apenas os que compõem o grupo de risco. A perversidade do Estado com a vida desses profissionais é explicito.

Em reunião com Fórum Nacional de Residentes em Saúde (FNRS) e consulta ao posicionamento dos residentes da Residência Multiprofissional em Saúde da Família com ênfase em Saúde da População do Campo, em decisão virtual, decidiram aderir ao movimento nacional e invocam o direito de greve. Foi informado pela categoria que a paralisação na data de 11 de maio de 2020 e com início de GREVE em 12 de maio de 2020 até que o pagamento de todas as bolsas salários referentes aos meses de março e abril sejam realizados, pagamento esse previsto na Portaria Conjunta nº 11, de 28 de dezembro de 2010. No cenário nacional foram identificados oito Programas que já estavam em greve e mais 50 Programas definiriam indicativo de greve a partir de 11 de maio de 2020, mais de 4 mil residentes no Brasil estão sem receber seus salários.

J, trabalhadora e estudante em saúde e membra do Comitê Esquerda Diário DF/GO

Como são profissionais da saúde, os residentes compreendem todo esse cenário como um ataque real ao Sistema Único de Saúde em sua amplitude. Dessa forma, o posicionamento e mobilização serão contrários ao projeto neoliberal de sucateamento desse sistema universal, que sofre desde a sua implantação. A desvalorização do SUS e de seus profissionais impacta diretamente a população usuária, em sua maioria, negra, mulheres e pobre, que sofre a cada dia mais com o contexto de pandemia.

A irresponsabilidade do Ministério da Saúde frente aos nossos direitos enquanto profissionais e dos direitos à saúde da população, sobretudo, em um período que se torna urgente a ampliação dos investimentos no SUS. A luta se faz com união e a soma forças em defesa do SUS, da democracia e dos nossos direitos nesse momento é crucial.

Dessa forma, o Comitê do Esquerda Diário DF/GO se solidariza e apoia as reivindicações dos residentes do Coletivo DF e das/dos residentes de todos país.

• 1. Do pagamento imediato das bolsas de março e abril;
• 2. Do reajuste da Bolsa-salário que não temos desde 2016 (que terá o seu valor reduzido devido ao aumento da contribuição);
• 3. Da bonificação de vale transporte, auxílio alimentação e auxílio moradia;
• 4. Da redução/qualificação da carga horária;
• 5. Da retomada imediato da CNRMS;
• 6. Da retomada da realização dos seminários nacionais e regionais;
• 7. Da criação da Política Nacional de Residências em Saúde, de forma descentralizada e participativa.
• 8. Possibilidade de abono de faltas por atestado, caso seja necessário o pagamento de horas.

Nos somamos também ao chamado de um dia de luta em defesa dos trabalhadores da saúde para ecoar o grito por EPIs, salários e condições adequadas de trabalho para todos esses trabalhadores, assim como a exigência de testes para todos os que estão na linha de frente e massivos para a população. Esses trabalhadores podem ser os portadores das vozes e do drama de toda a massa trabalhadora e pobre do DF, do Brasil e do mundo, e por isso apresentamos também o chamado a que lutemos juntos pela proibição das demissões, por uma renda mínima de R$2000 para todo trabalhador desempregado e precarizado, além de fazer ecoar das nossas vozes a certeza de que os verdadeiros políticos da realidade somos nós, as massas trabalhadoras, lutando também pelo Fora Bolsonaro, Mourão e militares, sem nenhuma confiança nessa justiça inimiga das mulheres, das negras e negros, dos LGBTs, no Congresso golpista de Maia e sua corja e nos governadores que posam de bons moços enquanto seguem subnotificando e silenciando nossos mortos.




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