CRISE NO GOVERNO TEMER

Sem sair do governo Temer, PSDB e PMDB articulam chapa pras indiretas

Os partidos que estiveram à frente do golpe de Temer estão avaliando a cada dia seus movimentos, com a prioridade de aprovas as reformas contra os direitos dos trabalhadores. PMDB e PSDB articulam uma chapa única para as eleições indiretas que querem emplacar no Congresso em caso de saída de Temer.

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 24 de maio| Edição do dia

Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, está tentando preservar o golpista Temer. Primeiro, disse que não iria encaminhar nenhum pedido de impeachment contra Temer. Agora, frente à pressão, tenta driblar a questão: "Eu não posso avaliar uma questão tão grave como essa num drive-thru. Não é assim. Não é desse jeito. Quanto tempo se discutiu, se passou aqui a crise do governo Dilma? As coisas não são desse jeito", disse à imprensa, afirmando também que "não será instrumento para desestabilização do Brasil".

O PSDB enfrenta disputas internas quanto a qual seria a melhor saída. Diretórios de segunda importância, como RS e RJ, votaram pelo pedido de renúncia de Temer. Mas a cúpula do partido, com Alckmin dirigindo a disputa em São Paulo, está prezando pela manutenção de Temer e do partido no governo como saída mais prudente.

A ideia parece ser ganhar tempo para costurar um acordo nos bastidores com o PMDB e tentar impedir que a oposição consiga emplacar sua proposta de uma PEC para convocar eleições diretas. Eles querem uma chapa conjunta para as eleições indiretas, que é a saída prevista na Constituição para o caso de Temer sair. Do ponto de vista dos golpistas, é a melhor forma de garantir a continuidade das reformas e impedir que o PT e Lula saiam beneficiados por uma eleição direta.

O PT, publicamente defende as diretas, que seriam o melhor para conseguirem uma "volta triunfal" de Lula e voltar a poder costurar seus acordos com a direita. Mas nos bastidores também cogitam outras possibilidade de acordo, com o governador da Bahia, Rui Costa, dirigindo o diálogo das indiretas.

Não é à toa que um dos nomes mais bem cotados para a chapa de indiretas entre PMDB e PSDB seja o de Nelson Jobim: ele foi ministro da defesa de Lula e Dilma, e pode ser o mais indicado para costurar o "acordão" da estabilidade do regime com os domesticáveis petistas. Além disso, ele tem boas relações com o autoritário STF, do qual já foi presidente. Contudo, apesar de suas "boas relações nas alturas", Jobim não escapa da lama na qual os políticos patronais desse regime apodrecido estão afundados: ele é sócio do BTG, banco investigado na Lava Jato. Outro negócio suspeito conduzido por Jobim foi a compra de submarinos franceses enquanto era ministro, fato que também está sob inquérito.

Já Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB após o afastamento de Aécio Neves, é mais bem aceito pelo empresariado, mas pode gerar mais atritos com os petistas por ter mais chance de se cacifar como nome para a disputa em 2018.

Outros nomes cotados incluem Carmen Lucia, Rodrigo Maia, Henrique Meirelles

Independente da escolha, o fato é que PSDB e PMDB estão a todo vapor planejando o seu "golpe dentro do golpe": depois de emplacarem Temer na presidência com o golpe institucional do impeachment, agora querem colocar o segundo presidente seguido sem ter recebido nenhum voto, dessa vez por meio de uma absurda eleição a ser realizada pelo corrupto congresso de ladrões que comandam.

Nós não podemos aceitar essas indiretas, e nem a "saída petista" de aprovar uma PEC para eleger Lula pelo voto direto para volta ao governo de conciliação com a direita e que colocou Temer na vice-presidência. Temos que construir nossos comitês de base e exigir das centrais uma greve geral para que sejam os trabalhadores, com sua luta, a derrubar Temer, varrer as reformas do mapa e colocar de pé uma Constituinte para revogar todos os ataques dos golpistas e discutir os rumos do país.




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