Mundo Operário

GREVE CORREIOS RN

Sem máscara, álcool gel e com ataque ao adicional de risco. Veja os depoimentos dos ecetistas de Natal em greve

Nós do Esquerda Diário estivemos na ação de hoje, 21, da greve dos ecetistas contra o projeto privatista de Bolsonaro e do general presidente dos Correios, Floriano Peixoto, que está atacando a maioria dos pontos do Acordo Coletivo da categoria no meio da pandemia, sendo essa uma categoria que seguiu se expondo ao coronavírus como serviço essencial.

sexta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Nessa ação, que contou com a participação de cerca de 200 trabalhadores, levamos nossa solidariedade e conversamos com alguns ecetistas sobre a greve, a mobilização e as condições de trabalho na pandemia, as fake news da imprensa e vários outros temas.

Mantivemos o anonimato desses trabalhadores, que relataram as medidas de perseguição da empresa contra aqueles que viessem a público se pronunciar sobre o que está acontecendo.

1) ED: Você pode contar pra gente por que vocês estão fazendo essa greve?

Esse ano, diferente dos anos anteriores, a gente ta fazendo uma greve exclusivamente para manter os direitos que a gente já tinha conquistado historicamente, né. Nós tínhamos conseguido no ano passado, através de uma sentença normativa do TST, um acordo que garantia alguns direitos básicos por dois anos. A empresa, de modo unilateral, acabou suspendendo esse acordo agora dia 1 de agosto. Então a gente ta sem acordo desde então. A gente não quer nada mais do que a manutenção dos direitos que a gente já tem né, que a gente conquistou historicamente.

ED: Como vocês estão se organizando? Teve uma assembleia grande aqui em Natal né?

Teve, teve uma assembleia na segunda-feira à noite e foi deflagrada a greve. Assim como foi deflagrada em todos os sindicatos, praticamente foi unânime essa greve. E ta sendo de forma histórica a adesão, o pessoal do interior ta aderindo em peso, tem poucas unidades no interior que não aderiram.

2) Eu queria de ressaltar a omissão da verdade pelo Sr. Fábio Farias, atual Ministro da Comunicação do Brasil, genro de Sílvio Santos e filho de Robson Farias que devastou a economia do Rio Grande do Norte. Ele ficou reclamando no Twitter que a gente tava de braços cruzados enquanto haviam itens de valor para o combate à pandemia para serem entregues. Só que o que ele não diz é o seguinte, que esse tempo todo a gente tava trabalhando durante a pandemia, muitos contra a vontade, alguns perderam perderam a vida ao COVID. E agora ele ta querendo cortar... acho que é 60 direitos, não to bem lembrado o número... de um acordo que ia valer até o ano que vem, ta entendendo? A empresa fez um golpe sujo, porque já estava tudo acordado até o ano que vem... a gente não tá querendo nenhum aumento, só queremos manter direitos, só isso.

3) ED: Você quer me colocar um pouco o porquê vocês estão fazendo essa greve e qual ta sendo a condição de trabalho dos ecetistas hoje?

Hoje a situação tá precária. Nós recebemos duas máscaras de proteção durante três meses da pandemia. Álcool em gel chegou há pouco tempo, 1 mês atrás. Situação é precária. O nosso plano caixa-salário foi acabado, o acordo coletivo venceu já. Tão atacando a categoria e cheio de mentiras, sem acordo coletivo, sendo pressionado e sem nenhum apoio, de nada. Nem dos donos da empresa, nem da sociedade.

ED: Você chegou os vídeos que alguns blogueiros tem feito em apoio a greve? Tem alguns sites tipo “Saquinho de Lixo” e “Melted vídeos”, que vídeos de memes em apoio aos ecetistas em greve.

Eu já vi vídeo contra, o que tem de meme contra, fake News é absurdo. A mídia burguesa, que é, digamos então, é só mentira, nada de apoio, é só mentira e mensagens distorcidas. Mas blog assim, tem apoio ao trabalhador que é muito boa. Na mídia nem esclarece se tem greve ou não dos Correios, fica mentindo.

ED: E pra você, o que as centrais sindicais deviam ta fazendo em relação a greve dos Correios?

Não, eu to até sendo surpreendido porque tão apoiando, tão divulgando, tão ajudando, eu sei que tá precário agora, muito pessoal que não é mais sindicalizado, mas tem papel forte ainda, na classe trabalhadora.

4) ED: Como vocês estão vendo esse conflito relacionado à tentativa do Bolsonaro privatizar a empresa? Como vocês estão se posicionando diante disso?

Acho que essa questão de privatização não tem fundamento. Tudo que a gente sabe é que a empresa tem lucro, tendeu? A questão é a corrupção. Ta querendo vender por causa de corrupção, só isso. Pra vender e colocar isso na mão da iniciativa privada. Eai quem vai se prejudicar mais, além de nós trabalhadores é a população. Vai pagar taxa de correio, entregas mais caras. Então essa luta não deveria ser só nossa, mas também da população que defende esse serviço né. Quando privatizar, a empresa que for assumir não vai querer os interiores onde da prejuízo e a população vai ficar desassistida. Então acredito que a população também devia nos apoiar nessa situação.

ED: Claro. E vocês, trabalhadores dos Correios, seguiram trabalhando durante toda a pandemia, mostrando que são trabalhadores essenciais se expondo ao vírus. Como é que foi pra vocês trabalharem no meio dessa pandemia?

Inclusive, uma das pautas que querem tirar nossa é o adicional de risco. A gente ta na rua, de casa em casa, sofrendo risco de assalto e agora com pandemia. E a gente ta aí enfrentando e além de a gente ta aí colocando a nossa cara tão querendo tirar esse benefício.

Outro: Ele aqui, em um ano sofreu três assalto trabalhando. 1 ano, três assaltos, é muito em pouco tempo.

Exatamente, foram três assaltos. E fora essa questão da pandemia né, a gente ta se arriscando entregando nas casas, tendo em contato com todas as pessoas, sem saber se as pessoas tiveram contato ou não com vírus. Então é isso.

Toda solidariedade à greve dos Correios, contra a privatização de Bolsonaro, dos generais, e do STF!

Como vemos nesses depoimentos, a mídia, a justiça, o Congresso, os ministros e generais do governo Bolsonaro mentem sobre a greve dos Correios dizendo que são uma categoria que quer "privilégios". Na verdade, defendem direitos mínimos que há anos são reduzidos. São direitos que deveriam ser de toda a classe trabalhadora, dos entregadores, terceirizados, todas as categorias.

Apesar das disputas entre o STF e Bolsonaro aliado aos militares, estão juntos para atacar os trabalhadores. Foi o STF que, junto ao presidente da empresa de Correios, general Floriano Peixoto, que revogou a vigência do acordo coletivo estabelecido em 2019, que dava um acordo de dois anos para manutenção dos direitos desses trabalhadores. Querem avançar com a uberização do trabalho e a privatização das estatais, para jogar a crise nas costas dos trabalhadores.

Por isso, todos os sindicatos, partidos de esquerda, movimentos sociais, devem se colocar ao lado dessa luta. Em primeiro lugar a CUT, que dirige a Federação Nacional da ECT e o sindicato de Natal, deve romper com a paralisia que impôs durante toda a pandemia e batalhar para unificar as categorias que dirige com os trabalhadores dos Correios, pois não pode cometer o mesmo erro que cometeu na greve da Petrobrás de isolar a categoria, custando o emprego de milhares de petroleiros. É necessário que a CUT organize comites de solidariedade à greve em cada categoria do Rio Grande do Norte e de todo o país.

Mas também o deputado estadual Sandro Pimentel do PSOL, deveria colocar a sua tribuna na ALRN a serviço de fortalecer essa luta, chamando a cerca-la de solidariedade, batalhando pra que o SINTEST, que a sua corrente política MES faz parte da diretoria, se organize para estar do lado dos ecetistas. Chamamos também a CSP-Conlutas, dirigida pelo PSTU, que exija também à CUT e demais centrais que unifiquem suas categorias com a greve dos Correios, dando exemplo a partir da unificação dos dos trabalhadores organizados nos sindicatos que a CSP-Conlutas dirige, como a oposição do SINTE, o Sindsaúde-RN e o sindicato de Bancários.

Veja também a saudação que Marie Reisner, estudante da UFRN que é editora do Esquerda Diário e da juventude Faísca, fez durante o ato de Correios. Convidamos a todos os ecetistas a nos enviarem seus depoimentos e denúncias para publicarmos no nosso site, com total sigilo, pois este é um portal que está serviço de fortalecer e impulsionar essa greve:




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