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ELEIÇÕES 2016 SP

Sem esquerda, demagogia e reacionarismo marcam debate para Prefeito em São Paulo

Ausência da esquerda, sobra de demagogia e reacionarismo. Esta foi a cara do debate dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, realizado pela TV Band nesta segunda-feira.

Fernanda Peluci

São Paulo

terça-feira 23 de agosto| Edição do dia

Nesta segunda-feira, dia 22, ocorreu o primeiro debate entre alguns candidatos para assumir a Prefeitura de São Paulo, na rede Bandeirantes de televisão. O debate girou em torno de muitas promessas, como era de se esperar, enquanto nada se falou sobre o golpe institucional em curso no país, os ataques e os ajustes contra a classe trabalhadora e juventude.

O debate que contou com a presença de Fernando Haddad (PT), Marta Suplicy (PMDB), Celso Russomano (PRB) e Major Olímpio (SD) sequer tocou no assunto do golpe institucional que segue atravessando o país no último período, sequer colocado em discussão por ninguém, em nenhum momento, e, de forma vergonhosa, nem mesmo por Haddad do PT, deixando forte o espírito de conciliação do debate.

Marcado pela ausência da esquerda no debate, que não pode participar devido à contrarreforma que dificulta cada vez mais a possibilidade dos partidos da esquerda se expressarem nas eleições, o debate contou com muita demagogia e reacionarismo.

No debate viu-se de tudo. Até a promessa de diminuição de impostos foi visto, num momento onde toda a mídia burguesa afirma o contrário frente à crise instaurada no país, onde o governo federal anunciou há tempos o congelamento das contas públicas, deixando bastante claro que quem pagará por esta crise não serão estes políticos corruptos, mas sim os trabalhadores. Sobre o desemprego, Haddad, atual prefeito da cidade, buscou pintar outra São Paulo.

Ao ser questionado, Major Olimpio no discurso falou contra o desemprego mas omitiu que o mesmo, em grande medida, é resultado da traição de Paulinho da Força, do mesmo partido, que engessou grande parcela da classe trabalhadora da enorme Força Sindical para que não saísse em luta. Buscou agarrar os votos da direita com seu discurso de ódio, saindo como um bom "Trump brasileiro".

A disputa entre Russomano e Major Olimpio pra quem vai dirigir a democracia da bala foi árdua. Ao mesmo tempo nem se comentou sobre as investigações que estão abertas para apurar as denúncias de corrupção que Russomano está envolvido, passando o mesmo totalmente impune. Algumas acusações tímidas sobre corrupção percorreram o debate, mas quem ali iria querer se aprofundar neste assunto, não é mesmo? Que atire a primeira pedra.

Já o tucano Dória falou contra a corrupção e sobre "minorias", mas nada comentou sobre a maioria das crianças que estão sem merenda nas escolas públicas, responsabilidade do seu partido envolvido na Máfia das Merendas, assim como diversos outros escândalos de corrupção que assolam não só a cidade, mas o Estado de SP gerido pelo PSDB a mais de uma década, como o desvios de dinheiro no Metrô.

Haddad só na demagogia. Falou que investiu na saúde, mas omitiu seu plano de privatização com as OSs. Se gabou afirmando avanços nos transportes, mas não comentou sobre o aumento da passagem dos ônibus contra a população, nem ao menos o aumento dos lucros dos grandes empresários que se benefeciaram do mesmo em detrimento do aumento do custo de vida pro trabalhador.

Já Marta chegou ao cúmulo de responsabilizar os professores municipais pela qualidade do ensino, buscando propagandear seu programa de "profissionalização dos educadores" com cursos. Uma vergonha!

Em publicações no seu Twitter, Diana Assunção, candidata a vereadora pelo PSOL em São Paulo, comentou sobre o debate:

Muito se fala, nada se cumpre, bastante se rouba na cidade destes políticos. Os trabalhadores e a juventude nada podem esperar dos políticos que hoje se apresentaram na Band a candidatos à prefeitura da maior cidade da América Latina.




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