Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Sem contenção da COVID-19 na região, ABC recebe mais policiais para reprimir a população

Agentes reforçarão efetivos e ações de combate a roubos e furtos, prioridade dos atos da corporação, enquanto a população do ABC segue tendo que engolir o novo normal e todas as ausências de medidas que combatam o novo Coronavírus.

quarta-feira 19 de agosto| Edição do dia

Agentes reforçarão efetivos e ações de combate a roubos e furtos, prioridade dos atos da corporação, enquanto a população do ABC segue tendo que engolir o novo normal e todas as ausências de medidas que combatam o novo Coronavírus. A chegada dos policias no ABC expressa as prioridades dos que governam esse país, que é legitimar ainda mais a atuação assassina da policia.

A PM (Polícia Militar) do Grande ABC recebeu 29 sargentos recém-formados, que foram distribuídos entre quatro das sete cidades – Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema. Os agentes irão reforçar os efetivos, sobretudo na prevenção e no combate a roubos e furtos, que têm sido alvo de maior parte das ações reforçadas do CPAM/6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana 6) -que responde pela região-, especialmente em bairros que apontam maior índice destes crimes. As demais cidades receberão sargentos da PM conforme o plano de equalização realizado pela diretoria de pessoal da Polícia Militar do Estado, que segundo corporação, tem como objetivo garantir a tranquilidade e a paz social da região.

Segundo o comandante do CPAM/6, o coronel Renato Nery Machado, em uma próxima transferência, mais agentes serão enviados para o grande ABC, equilibrando a quantidade de profissionais nas unidades da Polícia Militar da Região.

Nós do Esquerda Diário ressaltamos que no grande ABC, houve um aumento de 466% no número de mortes causadas por policiais, foram 17 casos com vítimas fatais envolvendo agentes das polícias Civil e Militar desde o inicio da quarentena, superando 2019, que ocorreram apenas 3 casos, isso em muitas aspas, porque bem sabemos que a violência policial é algo presente cotidianamente na vida da população, principalmente do setor pobre e negro de periferia. A letalidade policial disparou durante a pandemia de Covid-19 no grande ABC, dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado de São Paulo tabulados, mostram que entre os dias 23 de março (início da quarentena) e 30 de maio, foram registradas 17 mortes em decorrência de confronto com a policia. Colocamos em negrito que nove dos óbitos foram causados por policiais que não estavam em serviço, deixando muito claro a legitimação dada aos policiais pelos governadores, Dória e Bruno Covas, vocês são os responsáveis por isso!

O grande ABC confirmou 630 casos de COVID-19, somando 50.511 infectados. As prefeituras garantem que seguem orientando a população em unidades de saúde e áreas de grande circulação de pessoas, quando na verdade, em meio a esse novo normal, a população não precisa somente de orientação, mas sim de práticas efetivas para combater de fato o novo Coronavírus, precisam de empregos, já que no ABC Paulista fechou 17 mil vagas durante a pandemia deixando a população a margem do auxilio emergencial que sempre demora para chegar, a população do grande ABC não precisa de mais policiais para conter roubos e furtos, até mesmo porque a atuação da polícia nunca foi voltada para a paz social, para o bem da população, existe somente para trazer dor a familiares e desespero aos jovens, principalmente os negros de periferia, como por exemplo o adolescente Guilherme Silva Guedes de 14 anos, que desapareceu de frente da casa de sua avó, com quem morava no Americanópolis, Zona Sul de São Paulo, sendo encontrado horas depois em Diadema, tendo seu futuro arrancado a bala pelas mãos da polícia ou como acompanhamos em 2019 na Favela do Amor em Santo André, o adolescente, que desapareceu de onde morava em meio a abordagem policial, tendo seu corpo futuramente encontrado na represa no Parque do Pedroso, bairro parque Maiami, tendo em seu laudo morte por asfixia mecânica e não havia marcas de traumas ou lesões externas, sendo impune os responsáveis até os dias de hoje deixando mais uma vez muito claro de que não é a paz e sim o sangue do pobre negro da periferia que os policias desejam.

Nós do Esquerda Diário repudiamos a chegada de novos policiais no grande ABC enquanto a população padece com o novo Coronavírus, desemprego e todas as mazelas dessa metodologia assassina desse governo, quando a população negra e pobre da região, assim como George Floyd suplica por oxigênio enquanto um policial ajoelha em seu pescoço.

É necessário que tomemos como exemplo a explosão da fúria negra dos EUA, onde houve enorme rechaço às forças repressivas do Estado, à Polícia, e rechaçar qualquer medida do governo que não seja para o bem de conjunto da classe trabalhadora, pobre e negra da região do ABC.

Como a polícia existe para proteger a propriedade privada e reprimir a classe trabalhadora, é necessário haver uma força revolucionária composta pela classe trabalhadora que se opõe ao capitalismo e a seus violentos cães de guarda. Uma saída independente da classe trabalhadora que lute pelo socialismo. Somente um partido revolucionário pode organizar uma sociedade na qual os recursos sejam distribuídos de acordo com as necessidades e sem fins lucrativos, e na qual as prisões, a polícia e os militares possam ser eliminados permanentemente. A repressão policial é essencial na manutenção de um sistema de exploração, portanto a polícia sempre irá existir dentro de um sistema capitalista. Se quisermos destruir todas as forças de repressão, que matam nossas crianças, nos prendem em celas, espalham miséria e sufocam todos os nossos esforços para melhorar as condições materiais da sociedade como um todo, nossa luta precisa ser direcionada ao sistema que se baseia nesse repressão e a mantém.




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