PORTO ALEGRE

Sem aviso prévio, casas são demolidas por empresa na Ilha do Pavão em Porto Alegre

Moradores da Ilha do Pavão, comunidade carente em meio às Ilhas do Guaíba, em Porto Alegre, tiveram suas casas demolidas, com seus pertences dentro, sem qualquer aviso prévio por parte da prefeitura da capital. As famílias seguem sem moradia e sem que qualquer plano para solucionar o problema, seja por parte da concessionária que administra o terreno, ou mesmo por parte do governo de Nelson Marchezan Jr (PSDB).

sexta-feira 25 de agosto| Edição do dia

Porto Alegre enfrenta inúmeros problemas referentes à habitação. Há muitas áreas da cidade com habitações em situação de risco sem que a prefeitura dê suporte algum em tais casos. Recentemente, devido ao avanço do tráfico e de uma forte onda da violência, um grupo de moradores da Ilha do Pavão, uma das ilhas do Guaíba, região bastante carente da capital, necessitou se retirar da região enquanto a situação estava crítica. As famílias buscaram abrigo ocupando um galpão localizado no bairro Humaitá. Com pouca infraestrutura e saneamento, sem energia elétrica e sem amparo algum do governo municipal, as famílias se abrigaram por algum tempo nesse local.

Devido a ameaças de reintegração de posse por parte do dono do galpão, as famílias foram obrigadas a retornar para suas antigas casas, na Ilha do Pavão. Contudo, ao retornar, elas tiveram uma surpresa bastante negativa: as suas casas foram demolidas por uma concessionária, a Trinfo CONCEPA, sem nenhuma notificação e nenhum aviso prévio por parte da prefeitura. Para piorar a situação, as demolições ocorreram com os pertences dos moradores no interior das residências.

O terreno onde as famílias moravam há mais de 40 anos, foi adquirido pela Triunfo CONCEPA. A empresa iniciou uma ação contra os moradores no ano de 2005, porém a ação, que ainda tramita, ainda não teria um resultado concreto para que se pudessem tomar medidas como a demolição dos imóveis. Como dissemos, muitos dos imóveis estavam com os pertences das famílias dentro e nos pátios havia animais de estimação, muitos dos quais acabaram morrendo com as demolições.

Como forma de protesto, os moradores das casas que foram demolidas acamparam na frente da prefeitura de Porto Alegre com o intuito de receber uma resposta do prefeito e do poder público sobre qual será o possível destino das famílias que, no momento, se encontram desabrigadas. É necessário prestar solidariedade e reivindicar o direito à moradia dessas pessoas.

Porto Alegre vive um momento bastante conturbado em relação à habitação. Em meio a todos os ataques de Marchezan (PSDB), revela-se mais uma crise na cidade em um dos setores mais necessários para a garantia de uma vida digna e com condições plenas para sobreviver. Em menos de três dias, tivemos a demolição das casas na Ilha do Pavão e a reintegração de um prédio abandonado no centro da cidade. Trata-se, este último, da ocupação Lanceiros Negros Vivem, que já tinha sido desocupada de forma violenta, e que dessa vez foi desocupada com a política de desocupação “humanizada”. Isso quer dizer que houve negociação por parte do governo e da polícia, e também houve uma proposta de realocação para um centro social na Zona Norte de Porto Alegre. Foi garantido o aluguel social para 24 famílias, que serão destinadas, de acordo com a proposta, para o condomínio residencial Belize, que fica localizado num dos bairros mais violentos da cidade, que é o bairro Restinga.

Uma pergunta que fica é: até que momento os direitos dessas famílias estão assegurados? Segundo um dos moradores, o departamento de habitação do governo Marchezan foi procurado e afirmou “que não tem nada a ver com isso”, declaração tão absurda que até amídia tradicional do estado foi levada a retratar. Com uma crise que aumenta cada vez mais, é mais do que incerta a segurança do direito à habitação digna. Marchezan vem jogando a crise sobre os ombros da população mais carente, da juventude e dos trabalhadores, demonstrando cada vez mais estar a serviço dos empresários da cidade.




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