Sem EPI’s e tratamento adequado, mulher negra é obrigada a usar saco de lixo em clínica

quinta-feira 2 de julho| Edição do dia

Em meio uma pandemia que já vai para o quarto mês, (partindo do dia 11/04/2020 em que foi declarada pela OMS) no marco de mais de 1 milhão de casos confirmados no Brasil e passadas as mais de 55 mil mortes por covid no país, sistematicamente consciente pelos governantes (fiel representantes dos patrões e dos capitalistas) que até hoje não executaram um combate real contra o vírus, uma paciente negra não receber os cuidados necessários para poder receber o tratamento seguro de um procedimento é no mínimo muito absurdo e não é falta de informação das medidas de segurança a oferecer.

É sim um descaso com a saúde e vida da Cristiane, mulher negra, a qual imensuravelmente teve que passar por uma situação totalmente evitável. Por conta da falta de disponibilização de EPI’s para ela e do racismo, que no Brasil tem forte herança escravocrata, para realizar o tratamento de forma segura, foi obrigada a usar sacos plásticos de lixo “no lugar” dos EPI’s. Isso demonstra como a irresponsabilidade com a falta de EPI’s e o racismo são ambos produtos desse sistema e portanto não devem ser naturalizados e levados até o final como inaceitáveis e precisam acabar para que ninguém mais seja prejudicado por tais.

Talvez possa te interesar

Cristiane Boneta, esteticista, na última quarta-feira(24) ao ir ao consultório dentário da clínica Odonto Irmãos Padilha, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi marcada por uma experiência profundamente constrangedora e absurda, como ela mesma relatou em sua rede social, no Instagram: “Devido a todas as circunstâncias que estamos vivendo e com foco na biossegurança, o que nos assegura a integridade do profissional e do paciente, a minha integridade foi bruscamente violada. Realmente não sei definir se foi racismo ou descaso, mas, como profissional da saúde, certo eu sei que não está. Ontem, para fazer o procedimento da cirurgia, eu tive que vestir sacos de lixo na cabeça (segundo a auxiliar, meu cabelo é muito grande e a touca não comporta) e no corpo para proteger o profissional que iria me atender”

Cristine foi exposta a uma experiência um tanto quanto revoltante e que é fruto desse mesmo sistema onde os profissionais da saúde na linha de frente não têm EPI’s disponíveis e que o racismo por parte do braço armado do Estado continua matando jovens negros nas favelas. O caso de Cristiane Boneta é uma exposição de que não é aceitável que ele continue existindo e que situações como essas acabarão com o seu fim. Com isso a luta por justiça a João Pedro, Miguel; pela garantia mínima de EPI’s e testes desde os profissionais de saúde até para todos os profissionais que estão sendo obrigados colocarem seus próprios corpos na linha de frente; aos trabalhadores mais precários como são os entregadores de app; tem que ser uma só. Pois só através de todo nosso ódio ao racismo e as opressões que o capitalismo utiliza para explorar, será possível derrotá-lo. Que a experiência a qual Cristiane passou e milhares de pessoas passam a todo momento sirva de organizar nossa repulsa e ódio para a luta anticapitalista e revolucionária. Desde já, nós do Esquerda Diário prestamos toda solidariedade a Cristiane.




Tópicos relacionados

Crise na Saúde   /    Coronavírus e racismo   /    Saúde Pública   /    Racismo   /    [email protected]   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar