Gênero e sexualidade

LGBTFOBIA

Sejamos “terrivelmente homossexuais” e terrivelmente revolucionários para enfrentar Bolsonaro e seu reacionarismo

Ao ser questionado sobre o caso de seu filho Flávio, Bolsonaro em explícito ato de LGBTfobia, disse a jornalista que tem cara “terrível” de homossexual. Porém, o que era para ser um ataque a comunidade LGBT foi subvertido por ela para transformar-se em reafirmação de sua identidade, vários perfis das redes sociais passaram a ostentar: “eu sou terrivelmente homossexual”.

sábado 21 de dezembro de 2019| Edição do dia

Como se não bastasse sua resposta extremamente LGBTfóbica, que insinua que um homem homosexual seria algo terrível, o presidente ainda ironizou com o jornalista que havia feito a pergunta, dizendo, “Você pretende se casar comigo? Você não gosta de louro de olhos azuis?” com o apoio das risadas de seus seguidores na saída do Palácio da Alvorada. Ao não ouvir resposta do jornalista, completou dizendo:
“Não seja preconceituoso. Vou te processar por homofobia. Você é homofóbico”, novamente ironizando décadas de luta do movimento LGBT contra a LGBTfobia que mata todos os dias no Brasil.

Após tais declarações, o presidente se recusou a responder em relação aos comprovantes de empréstimos de seu filho, Flávio Bolsonaro à Fabricio Queiroz, dirigindo-se aos jornalistas de forma descontrolada:

“Pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, está certo? Querem comprovante de tudo”

O descontrole e reacionarismo das declarações do presidente provocou reações até por parte da mídia burguesa, que em editoriais e colunas no dia de hoje condenou a “falta de decoro” de Bolsonaro. O enquadro por parte desses setores nada tem a ver com uma batalha consequente contra a LGBTfobia, é apenas mais uma arma oportunista nas disputas entre direita e extrema direita para capitalizarem a opinião pública frente ao grotesco do governo Bolsonaro.

Como resposta a deplorável declaração de Bolsonaro, a comunidade LGBT subverteu a homofobia da frase se embandeirando dela para reafirmar sua identidade sexual, vários perfis das redes sociais passaram a ostentar: “eu sou terrivelmente homossexual”. É preciso nos inspirarmos nesse espírito revolucionário da comunidade LGBT que resiste cotidianamente aos ataques homofóbicos, subvertendo a lógica de uma sociedade heteronormativa. Num contexto de um governo de extrema-direita que aumenta a ofensiva contra esse setor, assim como os negros e as mulheres, os oprimidos precisam ser linha de frente da resistência. Como diz a letra de uma palavra de ordem comum em atos de protesto, “as bi, as gay, as trava e as sapatão tão tudo organizada para fazer revolução”, é com esse espírito que a comunidade LGBT será linha de frente da resistência aos ataques de conjunto do governo Bolsonaro e dos capitalistas a classe trabalhadora.




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