Gênero e sexualidade

PÃO E ROSAS

Sejamos milhares nas ruas para enfrentar a violência às mulheres

Em apenas algumas horas, o vídeo retratando o estupro de uma jovem tomou conta das redes sociais e foi para as salas de aulas, para os intervalos nas fábricas, durante o trajeto do ônibus, nos almoços e jantares de família, nas ocupações e greves, adentrou em todos os espaços, fazendo da questão da violência à mulher um tema nacional.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

sexta-feira 25 de novembro| Edição do dia

Tudo isso acontece em meio a um governo golpista, de um senhor Michel Temer que se vangloria de ser casado com uma mulher que deve ser “bela, recatada e do lar”. Provavelmente baseado nesta “conduta feminina”, o delegado Alessandro Thiers, já afastado do caso, perguntou se a jovem estuprada praticava “sexo grupal”, buscando revimitizar a jovem e perpetuando a cultura do estupro. O PT, em todos os seus anos de governo abriu caminho para fortalecer esta direita que hoje avança em incentivar a violência. Mesmo a Lei Maria da Penha não impediu que os números aumentassem enormemente.

Este caso escancarou o problema da violência contra as mulheres no Brasil. Os femicidios, antecedidos pelos estupros, são a pior expressão da desigualdade de gênero. Escancaram que as mulheres são convertidas em propriedades privadas ou que existem proprietários da vida das mulheres. Esta enorme teia de violência contra as mulheres começa com os assédios nos locais de trabalho, abusos sexuais diretamente de chefes e gerentes, o assédio que vemos nas ruas, a violência dentro das casas, mas também se expressa com força na ideia de que a mulher não pode decidir sobre seu próprio corpo mesmo que isso signifique sua morte como resultado de um aborto clandestino. Em tudo isso as propagandas de TV e os produtos vendidos pelo capitalismo contribuem para tornar a mulher uma mercadoria, um objeto sexual ou alguém infeliz em busca de um modelo de beleza inalcançável. A mídia dá sua contribuição difundindo o preconceito de gênero retratando as mulheres sempre em lugares subordinados, ou então incentivando a violência e o estupro, como vimos no grotesco episódio de Ratinho chutando uma atendente de palco e Alexandre Frota, agora “conselheiro” do Ministério da Educação do governo golpista de Temer. Esta enorme violência também se estende com particularidades às mulheres lésbicas, bissexuais, às travestis e transexuais.

Por isso, lutar contra a cultura do estupro passa em primeiro lugar por responsabilizar as instituições declaradas e não declaradas desta sociedade capitalista, que buscam mais exploração ou dominação sobre as mulheres. Neste âmbito, a justiça cumpre sempre um papel de proteger o Estado, revitimizando as mulheres. Além do afastamento do delegado seria necessário constituir um júri popular para tratar do caso. As Igrejas, instituições que lucram sobre a fé de milhões de pessoas, querem impor sua crença sobre a vida das mulheres, impedindo que possam decidir. Em nome da “vida”, milhares de mulheres morrem por abortos clandestinos. Tudo isso mostra que a cultura do estupro está a serviço também de perpetuar esta ordem capitalista de exploração e opressão.

Os atos que aconteceram em diversos estados do país reunindo milhares de mulheres num único grito contra a violência mostram a potência desta luta. É preciso aprofundar este caminho mas sabendo que o fim da opressão a nós mulheres não virá deste Estado burguês, do governo, do congresso e da justiça, que incentiva e protege a violência de gênero, e por isso ao mesmo tempo que lutamos contra cada forma brutal de opressão e por cada direito mais elementar devemos direcionar nossa luta contra nossos verdadeiros inimigos: o estado capitalista.

Por isso não podemos aceitar um governo golpista que quer avançar ainda mais sobre nossos direitos. Abaixo Temer golpista! Ao mesmo tempo precisamos lutar por uma saída política para esta crise, não permitindo que sejam os políticos corruptos que decidam o destino do país. A partir das lutas impor uma nova Constituinte onde possamos avançar para legalizar o aborto como o PT não fez nestes 14 anos, e levar adiante direitos elementares das mulheres pra enfrentar a opressão que sofremos nesta sociedade, o que deve ser o caminho pra avançar na luta por um governo dos trabalhadores e do povo pobre.

Plano de emergência contra a violência às mulheres

Subsídios garantidos pelo estado com licenças do trabalho para as todas as trabalhadoras, efetivas, terceirizadas e contratadas

Acesso pleno a saúde de qualidade 100% estatal

Casas abrigo transitórias para as vítimas de violência e plano de obras públicas com base a impostos progressivos sobre as grandes fortunas

Direito ao aborto legal, seguro e gratuito já

Contra as demissões e o trabalho precário!

O plano de ajustes que já vinha sendo implementado pelo governo do PT agora ganhou contornos mais ofensivos com o governo golpista de Temer. Querem descarregar a crise sob as costas dos trabalhadores, e sabemos que serão as mulheres trabalhadoras as que mais vão sentir a perda dos postos de trabalho, pois ocupam os cargos mais precários. É preciso lutar contra as demissões em especial nas fábricas e também contra o trabalho precário, exigindo igualdade de direitos e a efetivação de todas as trabalhadoras terceirizadas sem necessidade de concurso ou processo seletivo.

Em defesa da saúde e da educação

O governo golpista de Temer já anunciou que levará adiante um teto do orçamento para as áreas de saúde e educação. Um ataque histórico que merece uma resposta histórica. Isso acontece ao mesmo tempo em que aprovam o aumento do salário dos juízes! Um absurdo. Devemos lutar para que o “teto” seja para o lucro dos patrões e para que todo político de alto escalão e juiz ganhe o salário de uma professora. É por isso que a greve das universidades estaduais paulistas, a greve dos professores do Rio de Janeiro, as ocupações de escolas secundaristas em diversos estados do país adquire a maior importância, pois podem ser a ponta de lança de uma greve nacional em defesa da educação e da saúde, com milhares de mulheres na linha de frente.

Conheça o Pão e Rosas!

O Pão e Rosas é um grupo de mulheres revolucionárias e socialistas que existe em vários países da América Latina. Acreditamos que a luta pela nossa emancipação só pode ser levada até o final se estiver combinada a luta pra derrotar este sistema capitalista e lutar por uma revolução socialista. Estamos na primeira fileira da luta pelos nossos direitos mais elementares, mas sempre com esta perspectiva pois não consideramos que os homens são nossos inimigos, e sim o capitalismo. Convidamos todas as mulheres e LGBTs a conhecer o Pão e Rosas que atua ao lado da Juventude Faísca e do Movimento Nossa Classe, agrupações construídas por militantes do MRT e independentes. Convidamos também a conhecer nossas publicações e a seção de Gênero e Sexualidade do portal Esquerda Diário.

Publicado originalmente em 3 de Junho 2016.




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