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Sejamos mais de 100 mil em Brasília no dia 24 com comitês de base e por nova greve geral

Em reunião unitária as centrais sindicais colocaram a data de 24/05 para um grande ato em Brasília. Chamamos a classe trabalhadora e a juventude a tomar essa convocatória em suas mãos através da organização de comitês de base e exigir das centrais os recursos para colocar mais de cem mil em Brasília, como parte de um plano de lutas para barrar as reformas e derrubar o governo Temer.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

Pablito Santos

Executiva Estadual da CSP-Conlutas

segunda-feira 8 de maio| Edição do dia

Foto: César Diab/ASSUFOP

A ação histórica do dia 28 de abril colocou a classe trabalhadora no centro da cena política com uma força que não se via há décadas. Por mais que Temer não admita essa ação histórica, ela colocou ainda mais dúvidas sobre a possibilidade do seu governo aprovar a reforma da previdência ou até mesmo a reforma trabalhista, na qual Temer sofreu uma derrota pontual que vai postergar a votação dessa reforma no plenário do Senado.

Já surgiram as primeiras manifestações de fissuras dentro do parlamento, como a posição de Renan Calheiros no Senado, ou o fato de Temer ainda não ter os votos necessários para aprovar a reforma da previdência entre os deputados. Essas fissuras mostram que os políticos patronais tomaram nota da força dos trabalhadores que estiveram no centro da cena nos dias 15 de março e 28 de abril, com seus próprios métodos de classe. É possível lutar para vencer as reformas de Temer e do Congresso golpista.

No entanto, quando se trata de qual saída para a crise política que existe no país o que prima entre a classe dominante são as divisões e a falta de um projeto unificado. Entre a lava jato e a defesa da casta política, a aposta em Lula ou num novo populismo de direita com Doria, entre reforma política e propostas de assembleia constituinte, as classes dominantes embaralham várias possibilidades. Essas divisões entre os de cima abre espaço para que a classe trabalhadora se imponha pela força da mobilização.

Por isso, é preciso tomar com todo entusiasmo a construção da ida a Brasília e a organização de comitês de base em cada local de trabalho e estudo para gerar um amplo ativismo na luta contra as reformas e fazer com que o ato em Brasília seja mais uma jornada de luta histórica, que pode superar a chamada marcha dos cem mil, realizada em 1999 contra o governo FHC.

As centrais sindicais precisam colocar já à disposição milhares de ônibus em todo o país e dar todo apoio em cada local de trabalho para possibilitar a ida de todos a Brasília. Em Minas Gerais, o sindicato dos professores está chamando paralisação nesses dias. Esse chamado deveria ser acompanhado pela APEOESP, pela CNTE, por todos os sindicatos de professores e de outras categorias em todo o país. A PEOESP deveria adiar as eleições sindicais que estão agendadas para essa data, para que possam ir milhares de professores de SP para Brasília. Para fortalecer a ocupação de Brasília, este dia 24/5 deveria ser um dia de fortes paralisações em todo o país.

Não achamos, porém, que a marcha a Brasilia será suficiente para derrubar as reformas e o governo golpista. Ela deve ser parte de um plano de lutas de conjunto, que inclua múltiplas iniciativas combativas que sirvam preparar uma greve que pare o pais até derrubar as reformas e o governo Temer.

Pressão sobre os parlamentares ou lutar para derrubar o governo golpista?

Apesar da unidade de ação no dia 28 e na convocação da marcha a Brasília, é preciso saber que cada central o faz a partir da sua própria estratégia, que em nenhum caso é colocar o protagonismo da luta de massas para derrubar as reformas globalmente e o governo Temer, como fica evidente no fato de não terem colocado data para uma nova greve geral. A Força Sindical diretamente está exigindo negociações para rever pontos das reformas e não barrá-las de conjunto. Todos estiveram também em uma reunião com Renan Calheiros no dia 03/05, que somente serviu de palanque para o próprio Renan e em nada fortalece a nossa luta.

A CUT e a CTB defendem uma política de pressão sobre os parlamentares e todo o centro da orientação dessas centrais aos sindicatos filiados é para pressionar os parlamentares em suas bases eleitorais. A CUT vai mais além e na sua orientação política coloca a defesa da candidatura Lula em 2018 e a partir disso a convocação de uma assembleia constituinte (colocada de forma ambígua, ora exclusiva para a reforma política, ora um pouco mais ampla para revogar as leis votadas durante o governo Temer).

Assim, enquanto a Força Sindical em sua página na internet apresenta a resolução comum das centrais sem nenhuma orientação aos sindicatos filiados, a CUT apresenta uma longa orientação onde o ato em Brasília é parte de uma politica de conjunto que visa pressionar e até “convencer” os parlamentares a votar contra a reforma da previdência. Os mesmos parlamentares que estiveram por trás do golpe institucional ano passado.

O que está por trás desta atitude de pressionar os parlamentares através da denúncia nas suas bases parlamentares e parabenizar os que declararem voto contra é o objetivo de ir construindo ou reconstruindo uma maioria parlamentar para Lula, caso este seja eleito em 2018. Ao mesmo tempo, orienta a formação de comitês de mobilização municipais e regionais, mas coloca como principal tarefa destes comitês justamente essa política de pressão.

Ao mesmo tempo que nos colocamos na linha de frente da greve geral do dia 28 e colocaremos também todas as nossas forças para construir e exigir das centrais uma grande mobilização em Brasília no dia 24/05, também exigimos a continuidade de um plano de luta, que culmine numa greve geral para derrubar as reformas e o governo golpista. Denunciamos que um governo Lula não é uma alternativa para a classe trabalhadora – o mesmo Lula já declarou que aplicaria algum tipo de reforma da previdência a partir da legitimidade conquistada pelas urnas. Lutamos não para pressionar o governo e os parlamentares, mas para colocar abaixo esse governo golpista e pela convocação imediata de eleições para uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que teria como primeira tarefa anular as leis antipopulares do governo golpista e de todos os governos anteriores – como a reforma da previdência de Lula de 2003 e a lei de responsabilidade fiscal de FHC e serviria para votar medidas de fundo, como o não pagamento da dívida pública e a reforma agrária, o que para nós se dá na perspectiva da luta por um governo operário de ruptura com o capitalismo.




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