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QUILOMBOLAS

Seis quilombolas são mortos em suas casas em Lençóis na Bahia

Não é coincidência que no mesmo dia em que foi negado o habeas corpus de Rafael Braga, preso por portar produto de limpeza, outros seis negros tenham sido assassinados. Esses acontecimentos escancaram o profundo racismo existente na nossa sociedade e o sistemático genocídio do povo negro

terça-feira 8 de agosto| Edição do dia

Os seis trabalhadores foram mortos em suas residências, quatro deles em uma e dois em outra. Todos eram trabalhadores rurais do Território Quilombola de Iúna, distrito localizado no município de Lençóis, na Chapada da Diamantina na Bahia. Os assassinatos ocorreram nessa madrugada de segunda-feira (7).

Os nomes dos seis mortos são Adeilton Brito de Souza, Gildásio Bispo das Neves, Amauri Pereira Silva, Valdir Pereira Silva, Marcos Pereira Silva e Cosme Rosário da Conceição. Em junho desse ano, o Esquerda Diário noticiou a morte da líder quilombola, Maria Trindade da Silva Costa, no município de Moju no Pará, veja aqui.

Mas o caso é recorrente e a justiça nada faz. Em julho, outro quilombola foi assassinado em 16 de julho no mesmo município de Lençois. Era o agricultor Lindomar Fernandes Martins, 35 anos. Mais informações aqui.

O assassinato de quilombolas tem sido recorrente. Em 13 de Julho, outro quilombola havia sido assassinado, o líder rural José Raimundo Mota da Sousa, no território Quilobola Jibóia, do município Antônio Gonçalves.

A polícia admite ligação entre os casos, pois as mortes se deram conjuntamente. A polícia, contudo, não deu detalhes sobre o caso, com a desculpa de que isso atrapalharia as investigações. O Incra da Bahia emitiu nota de pesar e disse que a delegada agrária, Giovana Bomfim, estará em Lençóis a partir do dia 14 de agosto para acompanhar as investigações.

Porém nada deve se esperar da polícia que massacrou 10 sem-terras na chacina em Pau d’Arco no Pará recentemente.

Além desses crimes, há notícias da morte de mais um trabalhador em Iúna em julho desse ano. Lindomar Fernandes Martins, de 37 anos, assassinado a tiros. Também em julho, o presidente da comunidade quilombola Jiboia, também na Bahia, José Raimundo Mota de Souza Junior, foi morto também a tiros enquanto trabalhava no campo.

No capitalismo a morte tem nome e é “povo negro”, pois nos quilombos, nas periferias e nas favelas são os negros que morrem cotidianamente. Para mudar isto é preciso acabar com a grande propriedade de terra, distribuí-la entre os trabalhadores rurais e camponeses pobres e expropriar os fazendeiros e latifundiários que financiam os carniceiros e pistoleiros assassinos de quilombolas e sem terras.




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