Política

CORRUPÇÃO METRÔ SP

Seis executivos são indiciados por cartel no metrô de SP

quinta-feira 25 de junho de 2015| Edição do dia

Na última sexta-feira, 19, a justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e iniciou processo contra seis executivos das empresas Alstom, Temoinsa, Tejofran e MPE por fraudar, entre 2008 e 2009 durante a gestão de José Serra (PSDB), a licitação para a reforma de 98 trens do Metrô de São Paulo. As acusações são de crime contra a ordem econômica e contra a administração pública. O custo estimado das reformas era de R$1,5 bilhão, mas serviço foi realizado por R$1,7 bilhão.

Mais de dois anos após vir à tona as denúncias do esquema de corrupção que ficou conhecido como propinoduto tucano, apenas executivos das empresas envolvidas foram indiciados. Até agora, todos os políticos tucanos envolvidos foram absolvidos. Em fevereiro, o Supremo Tribunal federal arquivou pedido de investigação contra Rodrigo Garcia (DEM) e José Aníbal (PSDB) e, anteriormente, já havia inocentado também o ex-governador José Serra.

O governador Geraldo Alckmin tenta sustentar a tese de que os casos de corrupção foram isolados, organizado por alguns poucos executivos e funcionários corruptos. Mais há indícios de que não apenas políticos do alto escalão do governo tiveram conhecimento do esquema, como de que propinas pagas pelas empresas envolvidas teriam reforçado o caixa das campanhas eleitorais do PSDB paulista.

O atual secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Clodoaldo Pelissioni, atual responsável pela administração do Metrô e da CPTM, está sendo investigado por envolvimento em esquema de recebimento de propina no período em que era superintendente do DER (Departamento de Estradas e Rodagens). Não por acaso, a Tejofran, uma das empresas envolvidas na corrução no DER, atualmente também tem um de seus executivos indiciados pelas fraudes nas reformas dos trens.

Os trens reformados pelas empresas que fraUdaram as licitações circulam cotidianamente nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha. As consequências do superfaturamento e da falta de concorrência no processo de reformas são sentidas com frequência nas inúmeras falhas que estas frotas apresentam. A população e os metroviários que utilizam e trabalham todos os dias no Metrô e na CPTM sabem que uma simples falha num trem pode gerar um verdadeiro caos num sistema de transporte que funciona muito acima de sua capacidade.

Frente ao alto nível de atrelamento e cumplicidade da justiça e da mídia de São Paulo com os governos tucanos, cabe a população que utiliza o transporte público, junto aos metroviários e ferroviários, ser a linha de frente deste processo de investigação. Caso contrário será difícil desmascarar por completo este esquema de corrupção, terceirização e privatização que tanto lesa as condições de trabalho e a qualidade do transporte metropolitano.




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