Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Para o escravagista relator da Reforma da Previdência não é "nenhum sacrifício trabalhar até os 65"

Com a benção de Maia, Guedes e Bolsonaro o tucano Moreira trabalha a favor da Reforma da Previdência declarando todo seu obscurantismo e elitismo. Para ele não há sacrifício em trabalhar até os 65 anos de idade.

terça-feira 28 de maio| Edição do dia

O deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP) escancarou as credenciais escravagistas para as quais foi escolhido para ser o relator da Reforma da Previdência na Câmara. Com a benção de Paulo Guedes, de Bolsonaro e de Rodrigo Maia, ou seja de toda nata do mercado financeiro e de todo reacionarismo, o tucano mostra a que veio.

Em entrevista recente ele declarou "Eu não acho que seja sacrifício trabalhar até os 62 anos, trabalhar até os 65 anos. Não pode ser um sacrifício."

Esse tipo de declaração escravagista se choca com a realidade do país, nas periferias a média da população nem chega a essa idade com vida. E só pode considerar que não há nenhum sacrifício um burguês e não alguém que teve que enfrentar as terríveis condições de trabalho do país, o quarto líder mundial em mortes por acidente de trabalho. Uma marca que Bolsonaro está trabalhando para piorar, ao propor acabar com até 90% das normas de segurança no trabalho.

Como se não bastasse esse absurdo escravagista que só pode sair da boca de deputados burgueses e de capitalistas, ele ainda declarou defender que seja retirada a idade mínima do texto constitucional, ou seja, que possa ser muito mais fácil transformar a atual proposta de 65 anos em 70 ou 80 anos daqui a pouco tempo, literalmente abolindo o direito a se aposentar.

Declarações deste tipo não são uma exclusividade de reacionarismo do tucano paulista, o carioca Rodrigo Maia já escandalizou o país ao afirmar em fevereiro que "todo mundo consegue trabalhar até os 80 anos".

Se não bastasse isso Moreira ainda afirmou batalhar pela capitalização, ou seja, para que os bancos lucrem ainda mais com a previdência e os pobres não tenham direito algum a se aposentar.

Com essas declarações Moreira tenta mostrar como o Congresso está disposto a fazer de tudo para que os trabalhadores percam o direito de se aposentar, que fortunas das riquezas nacionais sejam entregues aos donos da dívida e para aumentar o lucro dos empresários através de forçar mais e mais trabalhadores a concorrem por emprego em um mercado de trabalho de desemprego crescente.

Com essas mostras de "serviço" aos capitalistas Moreira insere-se dentro do contexto de todo autoritarismo golpista do "bonapartismo institucional" que tenta fazer frente ao "bonapartismo imperial" de Bolsonaro e alas da Lava Jato que o apoiam. Recentemente até pesquisas entre os investidores mostram uma inversão na avaliação dos capitalistas sobre o Congresso e Bolsonaro, passando a avaliar o primeiro melhor e o segundo pior. A bola da vez do mercado financeiro para garantir a reforma da previdência parece estar com Maia & Moreira e outros defensores de que trabalhemos até morrer.

Ambos autoritarismos trabalham para retirar direitos dos trabalhadores e para tornar o regime político brasileiro - em ponto de mutação - mais autoritário e funcional a um país dependente do imperialismo, produtor de commodities, e com uma força de trabalho super-explorada. Apesar desta convergência esses diferentes autoritarismos entram em choque frequentemente em suas disputas por qual espaço de poder cada um terá no novo regime. Não há como apoiar nenhuma destas alas do golpismo, cabe aos trabalhadores desenvolver uma política independente.

Declarações como esta de Moreira escancaram como não há nada a se conquistar em negociações com estes parlamentares. É preciso derrotar através da luta de classes a Bolsonaro, o Congresso e os capitalistas que defendem a reforma da previdência. A unificação da paralisação da educação no próximo dia 30 e a greve geral contra a reforma da previdência era uma proposta que colocaria na rua e na luta de classes esse potencial, e assim aproveitaria a divisão entre os "bonapartismos". Porém nem as centrais sindicais nem a UNE atuaram para unificar essas datas, como propusemos neste Esquerda Diário, e levamos a diversas assembleias estudantis e de trabalhadores, chegando inclusive a ser aprovada por consenso em assembleia geral dos estudantes da USP. É preciso continuar nessa batalha lutando para que o dia 30 expresse com força a união da luta contra os cortes na educação com a luta para derrotar a reforma da previdência, e construir o mais massivamente esta data e o dia 14 de junho, exigindo assembleias em cada local de trabalho e estudo.

As direções políticas que dirigem o movimento de massas, como a UNE e a CUT, CTB, Força Sindical, cada uma delas, trabalha a sua maneira para dividir o potencial de união da luta contra os cortes na educação e a luta contra a reforma da previdência e para ajudar gente da laia escravagista de Moreira. Fazem isso declarando datas de mobilização mas sem as construir e também fazem isso através de conduzir essas mobilizações a serem um apêndice de negociatas com os Maia, Moreira, e Bolsonaros. Enquanto há insatisfação em cada local de trabalho e estudo a Força Sindical através do deputado Paulinho trabalha para "desidratar mas não derrotar a reforma da previdência." Enquanto o PT e o PCdoB no congresso e nos sindicatos se declaram contra a reforma da Previdência seus governadores assinam memorandos de sugestões para Bolsonaro em defesa de uma reforma da previdência "menos draconiana". Todos eles trabalham para que sejam os trabalhadores a pagarem pela crise.

Não podemos aceitar nenhuma reforma da previdência. É preciso lutar para que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Do contrário iremos trabalhar até morrer, trabalhando até os 65 anos "sem sacrifício" segundo eles.




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