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MATEMÁTICA

Segundo físico, 80% do que se aprende nas aulas de matemática não serve para nada

sábado 4 de novembro| Edição do dia

Não é novidade para ninguém que a matemática é essencial para o funcionamento do mundo. No entanto, não é o que a imensa maioria dos estudantes de ensino fundamental e médio tem a dizer sobre a matéria.

O físico Conrad Wolfram, cientista que viralizou na internet com sua palestra no TED, afirma que “80% do que se aprende nas aulas de matemática não serve para nada”. Em entrevista concedida ao jornal “El País”(aqui), Wolfram critica a maneira como a matéria é ensinada, defendendo até que as crianças deixem de fazer contas e se dediquem mais à computação, dando essa função às máquinas. Afirma Wolfram: “Não tem mais sentido que as crianças façam cálculos de equações de segundo grau em sala de aula; é preciso ensiná-las a interpretar os dados e a explorar a matemática em toda a sua utilidade. Tudo bem ensinar o seu funcionamento básico, mas complicar isso tudo até o esgotamento é uma estratégia equivocada que distancia o aluno da disciplina para o resto da vida. Basta dar o exemplo da condução: não é preciso entender o funcionamento do motor para dirigir um carro.”

O cientista vai além e aponta que o aprendizado de todas as contas e equações que é obrigatório nas escolas, que para alguns pode significar um árduo exercício cerebral, exige o mesmo do que aprender a utilizar as máquinas para chegarem ao mesmo resultado.

“Quando foi a última vez que você multiplicou 3/17 por 2/15? Provavelmente aprendeu a fazer isso na escola, mas nunca mais voltou a fazer essa conta. Muitos especialistas dirão que ao multiplicar frações você aprende, mas, na verdade, está apenas relembrando um determinado procedimento. Na verdade, não entende para o que faz isso, nem para que isso serve. Um exemplo bastante simples: na equação x+2=4, lhe ensinaram que se você passar o 2 para a direita, o sinal muda e se transforma em menos 2. Nesse caso você também não entende o que está fazendo. A matemática tradicional já não faz sentido e provavelmente 80% do conteúdo das aulas não é útil e você jamais utilizará fora da escola.” Disse o físico. Sua concepção sobre o que deve ser o ensino de matemática reafirma o quanto é tecnicista e antiquado hoje: “A matemática é muito mais do que cálculos, embora seja compreensível que durante centenas de anos tenhamos dado tanta importância a isso, pois só havia uma forma de fazê-lo: à mão. Acontece que a matemática se libertou do cálculo, mas essa libertação ainda não chegou ao ensino.”

As mudanças propostas por Wolfram tem sua coerência, mas quando vemos o cenário de precarização da educação pública pelo qual passsamos em nosso país, ficam cada vez mais distantes.

O que vemos nas salas de aula da imensa maioria dos jovens, é uma educação extremamente tecnicista, que afasta cada dia mais o conteúdo da realidade dos estudantes. A matemática que aprendem, longe de ter algo a ver com seu cotidiano, quando é dada, já que em muitas escolas nem isso ocorre, é ensinada em função da famigerada prova que impede a entrada de milhões de jovens a cada ano no ensino superior: o vestibular.

A prova, que existe para fazer funcionar um filtro social, não quer em nenhum momento provar que o aluno estudou ao longo do ensino médio, muito pelo contrário, cobra muitas vezes conteúdo que nem estão no currículo, pois tem o intuito de ser cada vez mais difícil. Sendo assim, as escolas quando dão a matéria inteira de matemática, aplicam o conteúdo de maneira em que o aluno decore e saiba fazer contas e gráficos o mais rápido possível, e não se torne sujeito do que é ensinado, ou seja, entenda o funcionamento para aplicá-lo na realidade. Não a toa a matéria é considerada extremamente difícil e os poucos que conseguem se adaptar à essa lógica são os “mais inteligentes”.

Lutamos por uma educação que seja libertadora, e possibilite que todos desenvolvam suas plenas capacidades em cada conteúdo que aprendem.




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