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Segundo debate entre Trump e Hillary: dura troca de acusações

A um mês do final de campanha, no domingo aconteceu em St. Louis, Missouri, o segundo dos três debates que foram anunciados frente às eleições de 8 de novembro. “Te mandarei pra cadeia”, disse Trump; Hillary o qualificou como um abusador de mulheres. As primeiras sondagens do debate deram Hillary como ganhadora com 57%.

segunda-feira 10 de outubro| Edição do dia

Como já é costume nesta campanha eleitoral, as acusações cruzadas entre ambos candidatos não se fizeram esperar. Mas diferente do primeiro dos três debates marcados, neste não houve moderação nos discursos.

Donald Trump, o candidato republicano, afirmou que, se ganha a presidência, nomearia um fiscal especial para investigar Hillary Clinton, candidata pelo Partido Democrata, e a mandaria para cadeia por utilizar um servidor privado para enviar emails enquanto era Secretária de Estado.

Segundo uma pesquisa rápida da CNN, que tem maioria de audiência de democratas, Hillary ganhou por 57%, frente a 34% que pensa que Trump ganhou o debate. 73% crê que o magnata esteve melhor do que esperava.

No debate não faltaram adjetivos. Trump descreveu Hillary como um "diabo" que mente repetidamente, e a descreveu como alguém com um ódio tremendo em seu coração. Ela o chamou de abusador de mulheres, referindo-se ao vídeo que foi difundido na sexta-feira pelo diário estadunidense The Washington Post, onde se vê Trump fazendo ofensas às mulheres e se gabando de ter abusado delas. O vídeo de 2005 fez com que vários políticos republicanos deixassem de apoiá-lo, aprofundou as divisões com figuras chave do partido e pareceu complicar ainda mais sua batalha para chegar à Casa Branca.

Trump disse que estava envergonhado pelo vídeo, mas o minimizou chamando-o de um "papo de bastidores" e disse que nunca tinha beijado ou tocado mulheres sem a permissão delas.

Hillary Clinton disse que os comentários de Trump mostram que não está qualificado para assumir o mando do país. "Ele disse que o vídeo não representa quem é, mas eu creio que fica claro para qualquer um que o escute que representa exatamente quem é", declarou Clinton.

Trump aproveitou o momento para apelar às acusações que pesam sobre o ex-presidente Bill Clinton, afirmando que ele havia feito coisas piores às mulheres. O candidato republicano falou ontem com a imprensa junto à quatro mulheres que acusaram o ex-presidente de estuprador e sua esposa Hillary, de amedrontá-las. “Pode ser que Trump tenha dito palavras feias, mas Bill Clinton me estuprou”, denunciou frente às câmeras Juanita Broadrrick, uma das mulheres que acusam Clinton.

Durante 90 minutos, Trump e Clinton trocaram ataques ao discutir sobre os impostos, serviços de saúde, a política de Washington a respeito da Síria e os comentários de Clinton de que a metade dos partidários de Trump pertence a uma "cesta de deploráveis".

Até o final do debate, uma pessoa do público forçou a que cada um dos candidatos destacasse um ponto positivo de seu concorrente. Hillary disse que respeitava de Trump seus filhos, enquanto que o magnata elogiou que ela é uma boa lutadora e que “nunca desiste”. Estas palavras finais, mais um estender de mãos, não foram suficientes para aliviar a munição pesada com que Clinton e Trump se apresentaram no debate.

Hillary Clinton e Donald Trump se concentram em se denunciarem e se acusarem mutuamente já que cada um deles gera pouco entusiasmo, inclusive em seus próprios partidos. Sabe-se que muitos republicanos, frente às "impresentáveis" declarações de Trump, confessaram publicamente votar em Hillary. Esta, por sua vez, teve que enfrentar a primária com dificuldades frente a Bernie Sanders, chegou à reta final marcada pelos escândalos que rodeiam seu desempenho durante o governo de Obama.

Decadente seria um bom termo para qualificar, não só o debate, senão a campanha de conjunto, que não demonstra mais que a crise do bipartidarismo do imperialismo estadunidense.




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