Sociedade

Segundo ONG internacional, exército bloqueia investigações de chacina no Rio

segunda-feira 5 de março| Edição do dia

Foto: exército na favela da Maré, no Rio de Janeiro

Há quatro meses uma chacina ocorreu em São Gonçalo, zona metropolitana da capital carioca, no Complexo do Salgueiro, que levou à morte de oito homens durante operação militar. Até agora não se sabem os responsáveis e ONG Internacional, Human Rights Watch, acusa o exército de bloquear as investigações feitas pelo Ministério Público Estadual do RJ.

Em 28 de Outubro do ano passado ocorreu uma reunião entre promotores do estado e o atual interventor militar nomeado por Temer, o General Braga Netto, então cumprindo a função de Chefe do Comando Militar do Leste. Na ocasião, os promotores solicitaram a Braga Netto uma cópia das declarações feitas pelos 17 soldados que participaram da operação que levou à morte dos 8 homens, pedindo entrevistas como testemunhas. Alguns meses se passaram e até agora as Forças Armadas não disponibilizaram seus soldados para prestar os depoimentos ao MP.

Segundo Maria Laura Canineu, diretora da ONG, “a obstrução das investigações por parte do General Braga Netto mostra a falta de comprometimento real em garantir justiça às vítimas nesse caso”.

Mais um dado flagrante dos desrespeitos aos direitos básicos da população tem sido a aprovação no Congresso do PL que transfere à Justiça Militar a responsabilidade de apurar e julgar crimes cometidos por soldados dentro do país. Ou seja, os crimes das Forças Armadas são apuradas e julgadas por elas mesmas.

Os poucos relatos existentes do momento da chacina demonstram narrativas distintas. Segundo soldados que participaram da operação e policiais civis, não houve troca de tiros. Mas segundo testemunhas, a troca de tiros ocorreu e se iniciou de dentro da mata onde, na noite do dia anterior, viram homens descendo de rapel no escuro. Segundo um relato de um dos sobreviventes, os tiros vinham de dentro da mata de homens vestidos de preto, portando capacetes e fuzis com mira a laser - equipamento militar. As informações são concedidas pelo jornal El País e podem ser vistas aqui.

Até agora 4 meses se passaram e o bloqueio organizado pelas Forças Armadas vem impedindo com que a verdade seja investigada e, se possível, os responsáveis punidos. Episódios como esses mostram a abertura que se dá para que arbitrariedades tirem as vidas de mais vítimas nas favelas cariocas com o avanço da intervenção militar. Como viemos denunciando há tempos, a presença do exército nos morros serve tão somente para reprimir e assassinar a população pobre, negra em sua maioria.




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