Política

Segundo Folha Lula, FHC e Sarney discutem sobre eleições indiretas

Julia Rodrigues

Estudante da EACH USP

quinta-feira 25 de maio| Edição do dia

Em matéria divulgada nesta quinta-feira, 25, na Folha de São Paulo, o jornal afirma que as articulações para a substituição do presidente Temer avançaram nos três principais partidos do país (PT, PSDB e PMDB). Segundo o jornal as discussões agora acontecem diretamente entre os três principais ex-presidente: Fernando Henrique Cardoso, Luíz Inácio Lula da Silva e José Sarney.

Divulgada um dia após a histórica Marcha em Brasília, que novamente mostrou a disposição de luta e a força da classe trabalhadora com mais de 100 mil manifestantes contra as reformas de Temer que resistiram a forte repressão do governo, que utilizou todo seu aparato policial para atentar contra a liberdade democrática de manifestação. A matéria não menciona o quanto a marcha de ontem, ocorrida uma semana após a divulgação da delação e da gravação do dono da JBS que golpeou principalmente Temer, também contribuí para aprofundar a crise do governo e pressionar a queda de Temer, que já faz algum tempo enfrenta obstáculos para aprovar as reformas.

A Folha afirmar que Lula, FHC e Sarney são “pontos de contato nos diálogos que acontecem reservadamente em Brasília e São Paulo” e têm sido cautelosos para os debates não ganharem caráter partidário. O jornal ainda declara que as conversas entre os três são pulverizadas, isso porque cada partido defende uma saída diferente para a crise.

Não é de se estranhar essas negociações, Lula sempre conciliou com a elite, e com certa predileção por oligarquias regionais como Sarney que sempre ajudou a render maioria parlamentar. No entanto a insistência diária em divulgar essas conversas aponta como além de possíveis - e prováveis - é um desejo político do jornal incentivar a que aconteçam mais e mais, e assim facilitar o caminho das reformas.

Apesar de o PT enquanto oposição ao governo, em uma aliança dissimulada com algumas figuras do PMDB que romperam com Temer, como Renan Calheiros, líder do PMDB do Senado, defender nas ruas através da CUT central sindical que ainda lidera, eleições diretas. A possibilidade que os ex-presidentes discutem, como indica a Folha, é de eleições indiretas.

Segundo relatos de tucanos, ainda afirma o jornal, FHC ao lado do PSDB que se manteve como base aliada do governo, abriu contato com parlamentares do PT. Além disso, o PSDB também é aliado há tempos do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, golpista que protagonizou papel importante na consolidação do golpe institucional, e agora será peça chave dos partidos para assegurar a retirada de Temer e costurar as possibilidades de eleições indiretas.

O senador Jorge Viana (PT-AC) cumpre a função de interlocutor do PT nas conversas com PSDB e PMDB. O senador esteve em um jantar com Katia Abreu (PMDB-TO), pecuarista aliada do PT que durante o governo Dilma foi Ministra da Agricultura, e com Renan Calheiros. A folha também atestou que na terça-feira, 23, Viana encontrou com Lula, e o ex-presidente teria afirmado que apesar de o partido defender eleições diretas, o nome de Nelson Jobim como possível presidente no lugar de Temer pode “adoçar a boca do PT”.

Apesar do discurso oficial de "diretas" há sinais públicos de busca pelas indiretas, como aqueles feitos publicamente pelo governador petista da Bahia, como mostramos nessa matéria.

Já o ex-presidente José Sarney se encontrou com Temer na segunda, 22, e, no dia seguinte, recebeu parlamentares do PMDB e dirigentes tucanos.

Aliados de Temer, diz o jornal, estariam nessa articulação entre os partidos, diante da tensão que se abriu com os protestos contra o governo, poderiam contribuir para reduzir os danos da crise política institucional e permitir uma transição suave de presidente por meio da cassação da chapa Dilma-Temer. Gilmar Mendes como presidente do TSE lidera o julgamento começa no dia 6 de junho.

Outra informação relatada pela Folha é a de que Lula possivelmente irá procurar FHC para conversar. E, de acordo com aliados de Temer, essa conversa seria fundamental já que o PT lidera movimentos sociais e sindicais a frente das mobilizações contra o governo. E FHC é o principal conselheiro do PSDB, partido principal partido da base aliada de Temer, cuja sustentação no poder depende da aliança com os tucanos.

Lula, enquanto liderança do PT com influência direta nas principais centrais sindicais do país e em movimentos sociais, e também pelo apelo popular que exerce, é extremamente importante para os outros dois partidos. O ex-presidente petista nunca deixou de participar do jogo da burguesia, sempre a frente da conciliação de classes. Mais uma vez Lula dá indícios de estar articulando com os partidos mais claramente inimigos do povo, conciliando interesses inconciliáveis dos trabalhadores, dos latifundiários e dos empresários. Se essa articulação ganha os sabores que quer a Folha não podemos afirmar, mas a falta de uma nova greve geral por parte da CUT contribui a que os trabalhadores não derrubem completamente as reformas e Temer e assim prevalece, mesmo com tamanha crise os cálculos e conchavos da elite nacional e estrangeira.




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