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UFRGS | Seguindo recomendações do MPF, UFRGS deve abrir período de recurso para os 195 cotistas desligados

Seguindo a recomendação do Ministério Público Federal, a UFRGS irá suspender o desligamento dos cotistas de 2018 até 2020 que estavam em situação de matrícula provisória e haviam perdido sua matrícula nos desligamentos arbitrários feitos por Bulhões.

quinta-feira 19 de maio | Edição do dia

Foto: Guilherme Santos - Sul21

Seguindo a recomendação do Ministério Público Federal, a UFRGS deverá suspender o desligamento dos cotistas de 2018 até 2020 que estavam em situação de matrícula provisória e haviam perdido sua matrícula nos desligamentos arbitrários feitos por Bulhões.

Os 195 estudantes desligados arbitrariamente por Bulhões em 2021 agora terão um período de 15 dias para a interposição de recursos para comprovar seu direito à vaga. São estudantes egressos pelas costas sociais e raciais que viviam sob a insegurança da matrícula precária, medida institucionalizada em 2018 pela reitoria de Rui Oppermann para administrar a crise dos cortes da universidade nas costas dos cotistas e técnicos. Nós da juventude Faísca Revolucionária sempre estivemos juntos dos estudantes cotistas contra a matrícula precária e pela matrícula integral imediata de todos. Na época do desligamento dos 195, impulsionamos um abaixo-assinado feito por estudantes de psicologia contra desligamentos e pela matrícula integral de todos os cotistas, o que contou com mais de 2000 assinaturas.

Centenas de estudantes cotistas são constantemente desligados da UFRGS ou mantidos com as vulneráveis matrículas provisórias (vínculo precário), podendo ser indeferidos a qualquer momento, mesmo depois de terem cursado boa parte do curso. Para comprovar a sua condição socioeconômica, os estudantes muitas vezes têm documentos absurdos exigidos, como comprovante de imposto de renda de um irmão de 8 anos, por exemplo, além de terem prazos curtos para providenciar os documentos. Os estudantes conseguem furar o filtro social que é o vestibular e mesmo assim enfrentam inúmeros obstáculos burocráticos para permanecerem na UFRGS, além das dificuldades de conseguirem acesso aos auxílios estudantis, cada vez mais escassos frutos dos cortes de gastos na educação que Bulhões descarrega nas costas dos setores mais precários.

A recomendação do MPF acendeu uma esperança nos tantos estudantes que foram desligados pela UFRGS, a qual disse, no processo, que iria acatar a recomendação. No entanto, não se pode confiar que o mesmo MPF comandado pelo aliado de Bolsonaro, Augusto Aras, irá reverter a situação dos cotistas. A universidade também não anunciou sobre ter acatado a recomendação publicamente em nenhuma de suas páginas oficiais, não ficando claro como ficará a situação dos desligados, que, mesmo com a abertura de prazo de 15 dias para a interposição de recurso, não está garantido o direito à matrícula integral para os 195 cotistas, tampouco o fim da matrícula precária. Menos possível ainda é confiar que o interventor bolsonarista irá, de bom grado, readmitir os estudantes desligados por ele mesmo. Somente o movimento estudantil, através da auto-organização e em aliança com os trabalhadores da universidade e com a juventude precarizada que hoje vê seu direito a cursar o ensino superior sendo constantemente atacado, pode arrancar o direito à matrícula integral de todos os estudantes. Para isso, é necessário que as entidades estudantis, como CAs e DCE, batalhem nesta perspectiva, impulsionando assembleias de curso para se enfrentar com os ataques da direita que quer pôr suas garras também nas universidades para elitizá-las ainda mais.




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