Sociedade

CLOROQUINA

Seguidores de Bolsonaro criam "corrente de automedicação" e pedem a saída de Doria

Bolsonaristas constroem uma corrente de automedicação contra o coronavírus. E fazem manifestação na ALESP pedindo impeachment de João Doria.

quinta-feira 21 de maio| Edição do dia

Acampados em frente a ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), a base dura mais negacionista, anticiência e obscurantista do Presidente da República vem construindo uma corrente de automedicação contra o coronavírus, entregando e estimulando o uso de remédios como a "cloroquina", antes mesmo de o governo Bolsonaro tomar a atitude absurda de mudar o protocolo permitindo o uso deste medicamento em pacientes que apresentarem sintomas iniciais.

Além disso, em luta política direta contra o bonapartismo institucional (ala da burguesia que está em disputa com as politicas bolsonarista e tem como representantes parte do congresso, STF, governadores e a rede Globo), os bolsonaristas penduraram no acampamento uma faixa contra o João Dória e dizem que só sairão de lá após impeachment do governador do estado de São Paulo. Eles pedem a destituição do tucano por decretar quarentena e impedir a volta ao trabalho nos serviços não essenciais. Desta maneira, esse setor de apoio do presidente segue sua linha de negar os efeitos do vírus e pressionam para que a classe trabalhadora volte para os seus postos de trabalho, a fim de garantir os lucros dos empresários mesmo que isso signifique colocarem em risco as suas vidas.

Os medicamentos receitados por um grupo de "médicos do bem" e comprados em grandes quantidades são distribuídos aos apoiadores do presidente. O próprio texto do Ministério da Saúde, porém, reconhece que não há evidências suficientes de eficácia e prevê um termo de consentimento do paciente, que cita risco de agravamento da condição clínica. Com isso, as contradições decorrentes de um pensamento negacionista se agravam, pois esta parcela nega os efeitos danosos do vírus mas defende a cloroquina como o remédio milagroso que combate uma doença que, segundo eles mesmos, não existe ou não é tão danosa quanto os governadores querem potencializar, pois eles têm o objetivo de impedir as pessoas de voltarem a suas vidas normais.

Em entrevista, Marley, integrante do acampamento, em uma luta política clara contra o bonapartismo institucional, diz que os governadores "estão potencializando o vírus". "Tem uma guerra política. Eles estão agravando [o estado de saúde] das pessoas para apavorar a população", afirma Marley, que ainda assim usa álcool em gel e máscara no acampamento. Ela diz que só sairá da barraca quando Doria deixar o Palácio dos Bandeirantes. No Facebook, a designer, pede: "saiam de casa. Vamos trabalhar". Evangélica, ela também publica "não espalhe medo, espalhe fé e esperança". Tal elemento religioso também é relevante, pois Bolsonaro vem tendo um diálogo profundo com setores evangélicos para influírem como base de apoio do governo.

Mas não é somente com setores da burguesa que Bolsonaro vem se delimitando. Seguindo sua linha antiga de luta política com a esquerda, em uma live, o presidente Bolsonaro fez piada com a situação das pessoas em meio a pandemia: “Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”.

Esse tipo de ação dos setores bolsonaristas escancara até onde vai o negacionismo e o obscurantismo de Bolsonaro, que odeia a ciência e o conhecimento das universidades.

Para essa crise social e política, devemos dar uma saída dos trabalhadores, da juventude e da população que mais está sofrendo com essa pandemia, exigindo fora Bolsonaro, Mourão e os militares. Devem ser os trabalhadores e a população, junto com aqueles que estão na linha de frente do coronavírus a ditar as regras de como a sociedade deve funcionar. Por isso, levantamos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que questione de conjunto do regime brasileiro.




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