Internacional

Seguem crescendo os contágios, casos graves e mortos na América do Sul

O cone sul do continente foi notícia na última quarta-feira pela rápida propagação da COVID-19, contribuindo assim com o reporte da maior cifra de novos casos no mundo.

segunda-feira 25 de maio| Edição do dia

Brasil, Peru e Equador, ocupam os primeiros lugares em contágios e mortes no sul do continente. A pandemia do coronavírus se estende rapidamente e está causando estragos nos setores mais vulneráveis. A curva ascendente na região, somada ao caso estarrecedor dos Estados Unidos que já acumula 93.000 mortos e 1,5 milhão de contágios, contribuiu para que na última quarta-feira (20) fosse o dia com maior quantidade diária de contágios a nível mundial desde que se declarou a pandemia.

“Nas últimas 24 horas, 106.000 casos foram reportados à OMS – a cifra mais alta em um só dia desde o início da pandemia”, advertiu o diretor geral da organização, Tedros Adhanom. Com esse recorde, a cifra de contágios globais de COVID-19 confirmados chegou a 4,76 milhões e a de falecidos supera os 317.000.

Estados Unidos segue sendo o país mais afetado do mundo com epicentro no estado de Nova Iorque, com mais de 354.000 doentes e 28.600 falecidos, desde onde o Esquerda Diário vem informando em primeira mão através do portal Left Voice e seus correspondentes, denunciando a política criminosa de Trump e ampliando a raiva das e dos trabalhadores da saúde que arriscam suas vidas na primeira fila contra o vírus.

Já no sul do continente, o Brasil segue em desastre, que nas mãos de Bolsonaro já superou os 291.000 infectados e 18.000 mortes; o epicentro latino americano da doença e o terceiro país do mundo em infectados. Na terça-feira, havia se consolidado como um dos focos globais da crise sanitária ao superar os mil falecidos em um dia pela primeira vez. Na quarta foram informadas outras 888 mortes e quase 20.000 novos contágios.

Também no Brasil viemos informando cotidianamente através do Esquerda Diário, denunciando ao bolsonarismo mas também a passividade da oposição do PT de Lula, e especialmente da burocracia de centrais sindicais majoritárias como a CUT, que seguem se negando a colocar de pé a luta dos trabalhadores do país. Milhões que engolem a raiva nas favelas, indefesos diante da pandemia, golpeados pela fome e assediados pelas forças repressivas, encontrariam assim um canal de expressão e revolta. Porém os dirigentes do PT preferem esperar as eleições, como denunciam figuras da esquerda em um recente debate organizado pelo Esquerda Diário.

Peru é outro dos focos dramáticos da região. Somando 4.537 casos e 110 novos mortos na últimas horas, acumula mais de 104.020 casos e 3.024 mortos. Como denunciou a companheira Cecília Quiróz em entrevista ao meio argentino C5N, a política do governo de Vizcarra de impor um estado de sítio repressivo mas deixar que as grandes empresas obriguem a seus trabalhadores a seguir ocupando seus postos, provocou uma crise sanitária na qual os profissionais tem que decidir qual paciente terá um leito e qual não.

Como bem destacou, o colapso do sistema não é pela pandemia em si, mas sim por anos de desmantelamento da saúde pública produto das políticas neoliberais e pela política atual, do mesmo tenor, que permite que siga como se não houvesse nada o negócio da saúde privada, das grandes clínicas, laboratórios e cadeias farmacêuticas em vez de colocá-las a sérvio da população.

No Chile desde a semana passada teve um salto de contágios e nesta quarta-feira alcançou os 53.617 infectados (4.038 novos) e mais de 540 mortes (35 novas). Ali também o sistema de saúde está à beira do colapso com os leitos de terapia intensiva no limite. O número de pacientes que requerem ventilação mecânica aumentou para 758.

O governo repressor de Piñera, colocado em cheque pela rebelião popular no ano passado, pretende aproveitar a pandemia para tomar fôlego e passar a ofensiva, com milhares de demissões como o caso emblemático da Latam. Depois da disparada dos casos, prolongou até o 29 de maio a mega-quarentena que rege Santiago desde a semana passada e que mantém confinadas em suas casas cerca de 7 milhões de pessoas. O Partido dos Trabalhadores Revolucionários que impulsiona o Esquerda Diário naquele país, denuncia tudo isso com uma nova declaração.

Atrás do Chile está o Equador (mais de 34.000 enfermos e 2.888 mortos), Colômbia (17.600 contágios e 630 mortos) e República Dominicana (mais de 13.000 enfermos e 446 mortes). Argentina que completou nesta quarta-feira dois meses em quarentena, tem 8.809 casos e 394 mortes, e vem assistindo o crescimento de sua curva. Com isto, o continente americano supera os 2,2 milhões de casos e as 131 mortes. Um dos 580.000 desses contágios e 32.000 falecimentos correspondem a Latino América.

Esta região (e também Estados Unidos), com gigantescos bolsões de pobreza e uma saúde pública desmantelada, corre um grave risco de cair m uma catástrofe histórica. Não só pela pandemia que está sendo gerida sob a lógica de manter os lucros capitalistas, mas também pela combinação com uma crise econômica de proporções que também pretendem descarregar sobre nossa classe com centenas de milhares de demissões, reduções salariais e ataques às condições laborais. As lutas operárias e populares que se vem em muitos destes países são o caminho que há para seguir e frear aos grandes empresários e os governos que estão a seu serviço e impor uma saída a favor das grandes maiorias.




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