Educação

ELEIÇÕES SINPEEM

Seguem as eleições no SINPEEM, mesmo com a retirada das chapas da Oposição e dezenas de vítimas na categoria

Na última sexta-feira (8), três chapas da Oposição - a chapa 2 Oposição de Luta, a chapa 4 Unidade da Oposição por democracia e independência no SINPEEM e a chapa 5 Nossa Classe Educação - retiram conjuntamente suas inscrições em repúdio ao processo eleitoral seguir em meio ao agravamento da pandemia e os ataques profundos aos trabalhadores. Demonstrando novamente sua insensibilidade sob as vítimas da Covid, e mantendo um calendário aprovado por fora da base, Claudio Fonseca manteve as eleições.

quarta-feira 13 de maio| Edição do dia

Na última sexta-feira (8), após uma reunião unificada das chapas da Oposição, três chapas decidiram se retirar do pleito reforçando os pedidos protocolados e as exigências públicas pelo adiamento do processo. Os representantes das chapas foram até o sindicato em um ato simbólico levar seus pedidos de retirada junto a declarações denunciando as irregularidades do processos, como o mesmo ter sido aprovado por fora de assembleias, assim como o apelo que vem da base da categoria de que não é hora de eleições.

O movimento Nossa Classe Educação que participava do processo como chapa 5 anunciou sua retirada da chapa na LIVE organizada pelo Esquerda Diário na terça-feira passada (5).

E assinou uma declaração conjunta com as demais chapas que foi publicado em sua página no Facebook.

Na semana passada um áudio percorreu os grupos de educadores onde um diretor chorava desesperado ao sair de um hospital com o diagnostico da Covid-19, onde deixava sua esposa em situação grave. O áudio que foi também transmitido na LIVE do Nossa Classe Educação emocionou muitos profissionais da educação, e tornou-se ainda mais triste quando outro áudio do mesmo diretor informou o falecimento de sua companheira. O movimento em homenagem ao direito e sua dor compartilhou uma carta se solidarizando.

Afim de compreender melhor este processo que acontece no SINPEEM conversamos com a professora de Artes da Zona Norte, Grazi Rodrigues que era parte da chapa 5 Nossa Classe Educação. Ela nos contou que "Desde que as eleições foram anunciadas nós do Nossa Classe Educação viemos denunciando os dois principais problemas deste processo: a falta de democracia e a antecipação do calendário eleitoral em meio a pandemia. O segundo problema é bastante visível a qualquer trabalhador da saúde, ainda mais agora que com o crescimento exponencial de casos por responsabilidade de Bolsonaro que mantém seu negacionismo da calamidade social que estamos enfrentando, mas também pelos governadores que tentam se mostrar racionais, mas sequer garantem testes para os trabalhadores que seguem tendo de trabalhar, o que impede com que se organize racionalmente as quarentenas. Cada vez mais colegas de trabalho, como o caso de um diretor que chocou muitos educadores, faz com que tenhamos que lidar com a brutalidade que o capitalismo impõem ao fazer uma contraposição das vidas com a economia".

"Mas o primeiro ponto não é menos importante. As eleições para a diretoria foram convocadas por fora de uma assembleia aonde a base da categoria poderia definir. Como as eleições ocorrem de 3 em 3 anos, e a última ocorreu em Setembro, entendemos que houve uma antecipação por interesses pessoas de Claudio Fonseca de combinar as eleições do SINPEEM com sua eleição parlamentar. Com o objetivo de evitar qualquer debate no conjunto da categoria, inclusive porque o balanço do ataque que sofremos em nossa aposentadoria com o SampaPrev é uma pedra no sapato da burocracia, a chapa Compromisso e Luta que tem maioria na Comissão Eleitoral manteve o processo. É importante dizer que a máscara de Claudio Fonseca também caiu com a manutenção das eleições, já que ele tinha apresentado uma moção pelo adiamento, mas que como já denunciamos na época e agora fica ainda mais claro, era apenas parte desse trabalho combinado com a sua chapa, de preservar uma boa imagem enquanto se mantinha as eleições" - continuo Grazi.

Por fim, perguntamos a Grazi sobre como ela via esta unificação que ocorreu com as demais chapas da Oposição e em relação a Chapa 3 que se manteve no processo: "Eu acredito que demos um passo muito importante como Oposição que foi não legitimar este processo altamente burocratizado e insensível com a vida dos trabalhadores e dos nossos alunos e seus familiares. Certamente, este primeiro passo com a retirada unificada precisa seguir, assim como a nossa luta pela retomada do sindicato pelas mãos dos trabalhadores do chão da escola. Pra isso, precisamos seguir nos reunindo e debatendo um balanço do que significou a experiência da Oposição Unificada na última diretoria com 30% das cadeiras, e pensar qual programa é necessário para combater esta burocracia que utilizava o nosso instrumento de luta como um espaço de privilégios. Por exemplo, um aspecto programático que apresentamos em nossa Chapa se tratava da rotatividade dos diretores liberados do sindicato, isso é um ponto essencial se dizemos que não podemos ter dirigentes como Claudio Fonseca que há mais de 30 anos não pisa numa sala de aula. Desta mesma forma precisamos questionar porque o Estatuto do Sindicato não é público no site do SINPEEM, à quem favorece esta cláusula de barreira de 30% dos votos para incorporar um setor dos trabalhadores na diretoria, porque impedem educadores de votar ou concorrer as eleições com tempo mínimo de filiação. E tão importante quanto isso, é preciso ter um programa claro em aliança com os terceirizados, a defesa de Secretarias de Mulheres, LGBT e de Negros e Negras assim como a abertura das Subsedes que são caminhos fundamentais para fortalecer a luta dos trabalhadores.

Em relação a chapa 3 "Educadores em Luta - Fora Bolsonaro" é lamentável para dizer o mínimo, que sua primeira participação na categoria seja para legitimar este tipo de processo completamente burocrático. Na esperança de capitalizar os votos contra Cláudio Fonseca, os companheiros preferiram embarcar sozinhos nessa eleição sem ter condições nenhuma de realmente fazer oposição a gestão atual. Nós debatemos com os companheiros na oportunidade da reunião que fizemos e achamos que ainda é tempo de rever esta posição equivocada e retirarem sua participação e se somarem a campanha pelo adiamento das eleições. Mas pela experiência que este mesmo grupo tem na APEOESP achamos que se trata de uma prática política da qual não compactuamos, uma vez que acreditamos que os sindicatos precisam estar à serviço da luta da classe trabalhadora contra os governos capitalistas, os patrões e as burocracias sindicais".




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