LULA

Segue vigília em São Bernardo, em meio a negociações entre PT e PF para entrega de Lula

sexta-feira 6 de abril| Edição do dia

Imagem: G1

Entramos na madrugada em meio à continuidade da vigília no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo com Lula presente e já tendo se esgotado o prazo de 17 horas para se entregar em Curitiba que Moro havia determinados. Enquanto isso ocorrem negociações para determinar quando e como pode ocorrer a prisão de Lula. Muitos jornalistas afirmam que depois da missa por sua falecida companheira Marisa, amanhã de manhã. Esta prisão coroa as arbitrariedades de um processo desenhado e executado para garantir a continuidade do golpe.

A prisão de Lula é um novo ápice de um processo de continuidade do golpe, que sequestrou os votos de milhões de brasileiros para aplicar ataques maiores do que Dilma e o PT poderiam aplicar. Agora, para aprofundar a agenda de privatizações, reforma da previdência e outros ataques de Temer, querem impedir o direito população votar em quem ela quiser, para assim tentar garantir de que retirando Lula, que também não poderia atacar na profundidade que requerem, possam beneficiar a eleição de candidatos mais favoráveis ao projeto golpista.

Depois do arbitrário mandado de prisão expedido ontem a noite pelo Juiz Sergio Moro, a estratégia de conciliação de classes do PT se expressou novamente. A cúpula do PT em nome de Lula se reuniu com a PF para negociar a prisão, enquanto o carro de som virou o local para a propagação de discursos eleitorais no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo, de diversos candidatos, como Luiz Marinho (PT) de sindicalistas da CUT e da CTB.

Durante a tarde se anunciou que Lula não sairia do sindicato para ser preso em Curitiba. Esse gesto mínimo certamente não agradou a direita burguesa, e configura uma pequena mostra do que poderia ser uma resistência de massas ao avanço do golpismo judiciário, já que bastaram alguns milhares em torno do sindicato, a maioria ligados diretamente ao núcleo petista, para refrear a sanha da direita de prender Lula hoje mesmo. Ao que tudo indica, o que acabou ocorrendo após horas de negociação entre a cúpula petista e a PF foi o anúncio de que ele se apresentaria amanhã, após a Missa realizada para sua falecida esposa Marisa Letícia. Até o momento, Lula permanece no sindicato enquanto ocorrem negociações.

Deve ser dito que o PT não se colocou a organizar seriamente a luta contra o golpe institucional em nenhum momento, submeteu toda a sua política ao eleitoralismo e à conciliação. Grande parte de sua estratégia foi a de conter o movimento de massas e agora novamente não apostou, a partir da CUT e da CTB, na mobilização nos principais centros do movimento operário contra a continuidade do golpe e o sequestro do voto construindo assim um clima que é desfavorável a mobilização e faz muitos trabalhadores naturalizarem o importante ataque bonapartista de Moro e do judiciário.

O petismo repete seu “DNA” de não apostar na mobilização de base nos locais de trabalho, de estudo e na luta de classes, dando preferencia a sua posição nas eleições e a negociação conciliatória com os golpistas, que aguardam esse momento, e medem milimetricamente suas ações para que não sejam eles a arriscar acender um fagulha na delicada situação.




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