Educação

Secretário de educação usa escândalo de corrupção para atacar a democracia nas escolas

Pedro Fernandes(PSC), atual secretário de educação do Rio de Janeiro, vem atuando demagogicamente na sua gestão da secretaria. Enquanto nas redes sociais e propagandas pagas pelo estado tenta aparecer como bom moço e até se desvincular do autoritarismo de Witzel, na realidade dá suporte ao governo e ataca professores e estudantes.

sexta-feira 26 de junho| Edição do dia

Uma gestão demagógica

Desde o início da sua gestão, Pedro Fernandes tem se comportado de forma extremamente demagógica, por um lado investindo pesado na imagem de “bom moço” nas redes sociais, enquanto por outro conduz o programa autoritário de Wilson Witzel para as escolas públicas. Não bastasse a intensa precarização das escolas e dos professores, que estão há seis anos sem reajuste e por isso mesmo cada vez mais se vêem obrigados a se sobrecarregarem com aulas extras para tentarem aumentar o ganho com gratificações por lotação prioritária (GLPs), durante a quarentena ele impôs autocraticamente um programa de ensino a distância (EaD) excludente e ineficaz, sem dar o mínimo de suporte a alunos e professores, enquanto sequer levou em conta a necessidade de alimentação dos estudantes.

Em números TIC domicílios, 59% das residências das classes mais baixas não possuem acesso a internet. Boa parte dos alunos que fazem parte do sistema escolar público vem dessas classes.
E qual a garantia que a secretaria deu aos alunos para as “aulas”? Nenhuma.

Esse absurdo é gritante também pensando pela ótica do professor que se vê numa situação em que é obrigado pela secretaria a cumprir com uma carga de atividades online, sem ter o conhecimento técnico e prático disso, muitas vezes sem retorno algum, coisa que não podemos nem culpar os alunos.

Enquanto forçava o Ensino à distância, a secretaria pouco se preocupou com a alimentação dos alunos, mesmo sabendo que é uma direito garantido aos estudantes e que é um dado que para muitos jovens a alimentação escolar é base da sua alimentação. Após liminar judicial, se apressou em anunciar a abertura dos refeitórios nas escolas nos horários das refeições, sem levar em conta que desta forma estaria expondo merendeiras, pessoal de apoio e estudantes ao risco de aglomeração em pleno período do crescimento do número de casos de Corona no estado, que já conta com um colapso iminente da rede pública de saúde. Com a repercussão negativa da medida ele acabou recuando.

As cestas básicas e a dissimulação de Pedro Fernandes

Esse fracasso ocorrido nas escolas gerou outra cobrança na justiça que fez com que Pedro se apressasse mais uma vez. Com isso começou-se a projeção das distribuições de cestas básicas para alunos da rede estadual fluminense.No entanto não houve qualquer planejamento sério sobre como os recursos seriam alocados para atender esta demanda, deixando a cargo das direções escolares a tarefa de fazer malabarismos com a já reduzida verba de merenda, seja diminuindo o tamanho da cesta, seja selecionando entre os alunos mais carentes. Como resultado nas escolas ao invés de cestas básicas foram distribuídos “kits de alimentação” completamente insuficientes, as vezes constando apenas de pacotes de biscoito de maizena e macarrão.

Longe de qualquer discussão sobre a insuficiência da verba, de qualquer envio de recursos para melhorar as cestas ou mesmo de qualquer orientação para as direções escolares, a secretaria se omitiu. Como resultado mais uma vez a justiça entrou em cena, e a polícia civil realizou uma operação contra “fraudes na compra de merenda”. Acuado, Pedro Fernandes decidiu jogar a culpa nas direções escolares, e ainda atacou o elementar direito a eleição de diretores, afirmando que:

“Não somos nós que escolhemos os diretores. Eles são eleitos pela própria comunidade escolar. A secretaria, desde 2016, não tem autonomia sobre a escolha dos diretores. E os diretores regionais foram eleitos num processo seletivo em 2011. O mais importante de tudo, no ano passado, pedi que a Polícia Civil e o Ministério Público investigassem essa situação porque já tínhamos suspeita dentro da secretaria.”

Se a Secretaria desconfiava ou sabia de que havia alguma irregularidade na compra de merendas e não investigou, ela foi omissa. No entanto a forma de combater a corrupção é aumentando a democracia nas escolas, através das eleições de diretores e dos conselhos escolares, o que leva ao aumento da participação da comunidade escolar na gestão, e aumentando a transparência na administração escolar.
Ao apontar a eleição das escolas como causa da corrupção, na verdade o secretário está agindo cinicamente para aumentar a corrupção nas escolas, já que em um sistema de indicação de diretores a transparência é muito menor, já que a comunidade escolar participa menos da gestão. Mais uma vez por trás do seu discurso demagógico, está bem claro que a intenção de Pedro Fernandes é aparelhar as escolas indicando diretores robotizados que cumpririam todas as suas ordens sem questionar.

As eleições são uma conquista da histórica greve de 2016, e também um direito elementar, da comunidade escolar escolher não apenas quem irá administrar a escola, mas também sobre como ela será administrada e quem irá representa-los em instâncias superiores, que sob nenhum aspecto deve retroceder.

Pedro Fernandes é apenas um demagogo que representa na educação a do projeto do governo de Wilson Witzel, que chacina o povo negro e pobre nas favelas e periferias, seja através das assassinas operações policiais que já levaram a vida de crianças como Ágatha, João Pedro e tantas outras, quanto nos hospitais sucateados pela epidemia do corona vírus que se desenvolve no estado quase sem resistência.

É absurdo que em meio a uma crise sanitária que ceifa a vida de tantos trabalhadores, que literalmente estão sendo obrigados a dar vida para manter o lucro das empresas, como no caso dos entregadores de aplicativo, as atenções do governos do estado do Rio e também do governo federal, estejam voltadas para a manutenção de um projeto privatista de sucateamento da já insuficiente infraestrutura pública, que sequer conseguiria atender as pessoas na "normalidade" da barbárie capitalista.




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