Política

ABSURDO

Secretário de Witzel acha que alguns hospitais de campanha não são necessários

Após atrasar os hospitais de campanha por quase um mês, o secretário do governador do Rio, Wilson Witzel, declarou ontem que alguns deles talvez não sejam necessários.

sexta-feira 22 de maio| Edição do dia

O estado do Rio tem sido um dos mais atingidos pela pandemia. Isso não é uma grande surpresa, visto que o Rio amarga uma série de problemas sociais, com um dos maiores números de desemprego e informalidade sendo sua capital uma das cidades com maior número de moradores em favelas do país. Também vive uma histórica crise na saúde pública, amargando os piores índices da região sudeste antes da pandemia.

O resultado disso veio rápido. Seu sistema de saúde rapidamente colapsou, além de "ostentar" uma das maiores taxas de mortes por habitante do país. No início desse mês, chegou a ter mais de 1000 pessoas na fila por leitos, valor que poderia ser zerada se os hospitais de campanha previstos tivessem sido entregues no prazo, dia 30 de abril. No entanto, com quase um mês depois do prazo original, muitos ainda não estão prontos e os prazos foram adiados para até o dia 18 de junho!.

No entanto, o governo estadual não parece achar isso um problema. Pelo contrário, o secretário de Witzel, Fernando Ferry, veio a público ontem anunciar que talvez o estado desistisse de abrir alguns desses hospitais, pois os números estavam melhorando, no mesmo dia em que batemos 20 mil novos casos e mais de 1000 mortes.

Ainda que os números oficiais sejam inexatos, outros dados mostram que a situação no Rio está longe de estar "tranquila". A fila de leitos, ainda que tenha diminuído continua grande: 370, sendo 245 para UTI, apenas na capital.

É um escárnio com a população a declaração do governo, que pretende deixar as pessoas morrendo nas filas. Um governo que não fez nem mesmo o mínimo, como hospitais de campanha para a população (que são estruturas precárias por si). Por isso, não podemos nutrir nenhuma confiança que Witzel, que se elegeu na onda bolsonarista, possa ser alguma opção frente a Bolsonaro. Frente a isso, se faz urgente exigir um programa de emergência que inclua testes massivos, a estatização imediata do setor privado de saúde, e sua centralização com o SUS sob o controle dos trabalhadores, além de uma ampla reconversão produtiva para produzir insumos necessários para combater a pandemia.




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